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Divulgação científica e equidade de gênero: cenário atual, olhar para o futuro

  • Foto do escritor: cbioclimamidia
    cbioclimamidia
  • 16 de abr.
  • 3 min de leitura

Por: Carolina Medeiros

 

No último dia 15 de abril aconteceu mais uma palestra do Diversidade em Foco – saberes e desafios diante das mudanças climática, e contou com a participação da pesquisadora Germana Barata. Germana Barata, é licenciada e bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas, mestre e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).


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Ao longo de sua fala, a pesquisadora, que atua no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, construiu uma reflexão que articulou dados, análises e exemplos concretos para demonstrar como a divulgação científica pode atuar como ferramenta estratégica na promoção da equidade de gênero. A pesquisadora iniciou destacando um aparente paradoxo: as mulheres já são maioria em diferentes etapas da formação acadêmica no Brasil. Elas representam mais da metade das matrículas no ensino superior e também predominam entre mestres e doutoras. No entanto, essa presença não se traduz em ocupação proporcional de espaços de poder.

À medida que a carreira avança, explicou, a participação feminina diminui. São menos mulheres em cargos de liderança, nas posições mais altas da carreira científica e entre os principais beneficiários de financiamento. “Existe um funil, e ele não é natural,  ele é estrutural”, pontuou.

Nesse contexto, a pesquisadora retomou o conceito de “teto de vidro” para explicar as barreiras invisíveis que impedem a ascensão feminina, e apresentou o “Efeito Matilda”, que evidencia a tendência histórica de invisibilizar ou subestimar contribuições de mulheres na ciência.

 

Quem aparece como cientista?

A fala avançou então para a relação entre ciência e mídia. Para Germana Barata, não basta produzir conhecimento, é preciso observar quem é escolhido para representá-lo publicamente.

Ela destacou que mulheres cientistas são menos entrevistadas e têm menor presença em reportagens, revistas especializadas e canais de divulgação científica. Essa sub-representação, segundo ela, reforça estereótipos sobre quem pode ser reconhecido como autoridade científica.

“Quando a mídia escolhe majoritariamente homens para falar de ciência, ela também está comunicando quem pertence a esse espaço”, afirmou. Por outro lado, a pesquisadora apontou uma mudança importante: nas redes sociais, especialmente em plataformas como Instagram, há maior protagonismo feminino na divulgação científica, abrindo novas possibilidades de visibilidade e atuação.

 

O recorte da ciência dos oceanos

Como exemplo concreto, a pesquisadora apresentou dados sobre a produção científica na área de oceanos. Nesse campo, a participação feminina é ainda menor do que a média geral da ciência.

Além da menor proporção de autoras, ela destacou um aspecto importante da dinâmica de autoria: mulheres aparecem com mais frequência como coautoras, enquanto sua presença em posições de liderança — como primeira ou última autora — é mais limitada. “Não se trata apenas de quantas mulheres publicam, mas de quais posições elas ocupam na produção do conhecimento”, explicou.

 

Desafios que vão além dos números

Ao longo da apresentação, Germana também abordou dimensões menos visíveis, mas igualmente relevantes: a síndrome da impostora, a sexualização de mulheres cientistas, discursos machistas e até o papel dos algoritmos na amplificação de desigualdades. Esses fatores, segundo ela, ajudam a compreender por que a equidade de gênero na ciência não depende apenas de acesso, mas de condições reais de permanência, reconhecimento e visibilidade.

 

Comunicação como estratégia de transformação

Na parte final da fala, a pesquisadora trouxe exemplos de iniciativas que têm buscado enfrentar esse cenário por meio da comunicação científica. Entre elas, destacam-se ações de produção de press releases, capacitação de pesquisadores para dialogar com a mídia e estratégias para ampliar a presença de mulheres como fontes jornalísticas.

Os resultados, segundo Barata, são expressivos: aumento no número de repercussões na mídia, maior alcance entre jornalistas e, especialmente, crescimento da participação feminina como porta-voz da ciência. “Dar visibilidade às mulheres cientistas não é apenas uma questão de justiça, é uma forma de transformar a própria ciência”, destacou.

Uma agenda para o futuro

Encerrando sua apresentação, Germana Barata reforçou que a divulgação científica deve ser compreendida como uma prática social e política, capaz de influenciar não apenas o acesso ao conhecimento, mas também as estruturas de poder dentro da ciência.

Ao trazer dados, conceitos e experiências concretas, sua fala no Diversidade em Foco apontou para a urgência de pensar a comunicação científica como aliada na construção de uma ciência mais diversa, inclusiva e representativa, especialmente em um contexto de desafios globais como as mudanças climáticas.


Confira a palestra na íntegra no Canal do Youtube do CBioClima:

 


 
 
 

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