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Estudo revela como a natureza pinta um mosaico de cores impulsionada por fatores ambientais e polinizadores em um ecossistema tropical de montanha

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    cbioclimamidia
  • há 14 minutos
  • 3 min de leitura

Por Emerson José


Um estudo recém-publicado com participação de pesquisadores associados ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), sediado no câmpus da Unesp de Rio Claro/SP, indica que fatores bióticos (componentes vivos de um ecossistema, como: plantas, animais, fungos, bactérias e outros microrganismos) e abióticos (elementos não vivos, como: luz solar, temperatura, água, solo, vento, umidade) moldam a diversidade de cores de flores no campo rupestre. As conclusões constam do artigo “A mosaic of colors: The influence of biotic and abiotic factors shaping flower color diversity across a tropical mountain ecosystem”, publicado no início de janeiro na revista American Journal of Botany.


A pesquisa focou no campo rupestre, vegetação que cresce em topos de serras e chapadas no Cerrado, marcada por afloramentos rochosos. O local de estudo foi a Serra do Cipó, no extremo sul da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais. Foram analisadas 179 espécies com base na visão de cores humana e de polinizadores. Este estudo é pioneiro na análise quantitativa da cor das flores e da distribuição do sinal de cor ao longo de um gradiente montanhoso tropical, testando a influência de interações bióticas, variáveis abióticas, filogenia e composição de espécies.


O campo rupestre é um mosaico de vegetação tropical altamente diverso, que domina os cumes principalmente da Serra do Espinhaço, no Brasil. A alta diversidade de plantas no campo rupestre é estruturada em distintos tipos de vegetação dominados por uma matriz campestre, influenciada principalmente pelas condições do solo ao longo do gradiente altitudinal. Para as plantas com flores polinizadas por animais, a polinização por abelhas predomina no campo rupestre, seguida por beija-flores e outros insetos. Um dos atrativos principais para esses polinizadores é a cor das flores. O mosaico ambiental nos campos rupestres é significativo e o solo, as vegetações, em conjunto com a altitude, podem potencialmente determinar sua distribuição das cores das flores e sua atratividade aos polinizadores.


A cor das flores é um canal de comunicação visual crucial entre plantas e polinizadores, variando entre indivíduos, espécies e dentro de comunidades. Diferentes fatores bióticos e abióticos afetam a distribuição e a diversidade da cor das flores dentro de uma comunidade. A composição de polinizadores e fatores abióticos, como a temperatura, variam ao longo de gradientes altitudinais. A expectativa é de redução da diversidade de cores de flores em altitudes mais elevadas em comparação com altitudes mais baixas, principalmente devido a condições abióticas mais restritivas a ação dos polinizadores, como baixas temperaturas.


Para avaliar a distribuição da cor das flores no campo rupestre, foi analisada sua variação em sistemas de polinização (abelhas, beija-flores e outros sistemas), altitude (locais a 824, 1101, 1255, 1303 e 1421m de altitude), variáveis ambientais (temperatura média anual, umidade relativa do ar, velocidade do vento e radiação solar) e entre tipos de vegetação (cerrado, afloramento rochoso, campo arenoso, campo pedregoso e campo úmido) usando características de cor categóricas e quantitativas derivadas de espectros de refletância das flores.


A maioria das categorias de cores de flores diminuiu na altitude mais elevada, com apenas o azul-esverdeado e o verde-UV aumentando com a altitude. O estudo revelou que rosa, amarelo e branco foram as cores predominantes das flores no campo rupestre, o que está de acordo com as cores mais frequentes encontradas em  comunidades  tropicais. A prevalência dessas cores está ligada ao papel significativo da polinização por abelhas no campo rupestre.


Os resultados encontrados corroboram associação entre sistemas de polinização e a cor das flores, juntamente com uma predominância de características de cor relacionadas à polinização por abelhas, reforçando a importância desse sistema de polinização na paisagem do campo rupestre.


Os resultados também mostram que a diversidade de cores das flores (ou seja, de tipos de cores de flores) é bastante elevada e se mantém alta ao longo da altitude e entre os tipos vegetacionais do campo rupestre. Ou seja, a diversidade de cores de flores não foi limitada pelo gradiente altitudinal, provavelmente porque as condições abióticas permanecem variáveis, mas não extremas, uma característica de um sistema montanhoso tropical sem neve. Esse é o ponto central do estudo.


A estabilidade funcional detectada contrasta fortemente com as reduções na diversidade de cores observadas em altas montanhas temperadas com o aumento da altitude. Portanto, o campo rupestre representa um ecossistema único com altos níveis de diversidade de cores de flores e que deve sustentar muitos polinizadores importantes, como as abelhas, em toda a sua larga distribuição.


O estudo pode ser lido na íntegra em  https://doi.org/10.1002/ajb2.70147



 
 
 
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