AmazonFACE investiga como as mudanças climáticas podem afetar a resiliência da floresta amazônica

Por Emerson José
Em palestra nos Seminários Charles Darwin, o pesquisador David Lapola apresentou o programa que busca compreender como o aumento de CO₂ na atmosfera pode influenciar o funcionamento da Amazônia e sua capacidade de absorver carbono
Como a floresta amazônica responderá ao avanço das mudanças climáticas? Essa é uma das questões apresentadas na palestra “Programa AmazonFACE: ecologia e resiliência da floresta amazônica frente às mudanças climáticas” do pesquisador David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O pesquisador participou dos Seminários Charles Darwin, nesta terça-feira (20), no câmpus da Unesp de Rio Claro. David é coordenador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp e coordenador científico do Programa AmazonFACE.
O pesquisador abordou o papel da Amazônia na mitigação das mudanças climáticas e os riscos que o aquecimento global representa para a própria floresta. Embora a vegetação amazônica absorva carbono da atmosfera, sua capacidade de manter essa função pode ser comprometida pelas alterações ambientais. Segundo a apresentação, cerca de 25% da meta climática brasileira mencionada na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) depende da absorção de carbono pela Amazônia.
O AmazonFACE busca compreender como o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) afeta processos essenciais da floresta. O experimento utiliza estruturas instaladas na vegetação para elevar a concentração do gás em aproximadamente 200 partes por milhão, permitindo investigar as respostas das árvores e do ecossistema a condições atmosféricas futuras.
As pesquisas abrangem diferentes dimensões do funcionamento florestal, incluindo o ciclo do carbono, os nutrientes, a água e a biodiversidade, além de análises socioambientais e modelagem. Um dos pontos centrais é entender se o aumento de CO₂, que pode estimular a fotossíntese, será suficiente para favorecer o crescimento da vegetação ou se fatores como a disponibilidade de nutrientes limitarão essa resposta. Os resultados são importantes para aprimorar os modelos que projetam o futuro do clima e da floresta amazônica.
Os Seminários Charles Darwin são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima). A palestra será disponibilizada em breve no canal do CBioClima no Youtube. A próxima palestra será no dia 17 de novembro com o pesquisador Jeferson Bugoni no Anfiteatro II do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.





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