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- Dia do Biólogo: 3 de setembro é dia do profissional que estuda a diversidade da vida
Por Emerson José No dia 3 de setembro, celebramos o Dia do Biólogo, uma data que reconhece a importância dos profissionais dedicados ao estudo da vida em suas diferentes formas e manifestações. A biologia tem um amplo espectro de alcance, estuda conservação da biodiversidade, meio ambiente, saúde, educação, biotecnologia e muitas outras áreas. Para marcar a data, o CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) conversa com a professora e pesquisadora Thaís Barreto Guedes da Costa, do Instituto de Biociências da UNESP de Rio Claro e responsável pelo Guedes Lab. Em sua trajetória como bióloga e pesquisadora, Thaís atua nas áreas de herpetologia e biogeografia para compreender as relações entre os seres vivos e os ambientes em que estão inseridos. Em um cenário marcado pela perda de biodiversidade e pelas mudanças climáticas, observar, pesquisar, identificar e compreender os processos que sustentam a vida são etapas fundamentais para desenvolver estratégias de conservação e enfrentar os desafios ambientais do presente e do futuro. O CBioClima parabeniza todas as biólogas e todos os biólogos que, por meio da ciência, da pesquisa, da educação e da conservação, contribuem diariamente para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e para construir soluções diante das transformações ambientais. 🎥 Acompanhe a entrevista com a professora Thaís Guedes.
- Palestras internacionais nos Seminários Charles Darwin discutem impactos das mudanças ambientais sobre ecossistemas aquáticos
Por Emerson José O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) realiza na próxima semana, sexta-feira (11), às 13h, no auditório da biblioteca do câmpus da UNESP de Rio Claro, duas palestras com pesquisadores internacionais que atuam na investigação dos efeitos das mudanças ambientais sobre os ecossistemas aquáticos. A atividade integra a programação de palestras dos Seminários Charles Darwin e está aberta a toda a comunidade unespiana. O pesquisador Pavel Kratina, da Queen Mary University of London, apresenta a palestra “How climate warming reshapes aquatic-terrestrial subsidies?”, que aborda como o aquecimento do clima pode alterar as conexões entre ambientes aquáticos e terrestres. Essas conexões envolvem a transferência de matéria e energia entre diferentes ecossistemas e são importantes para o funcionamento das cadeias alimentares e para a manutenção da biodiversidade. Estudos sobre o tema mostram que o aquecimento pode modificar a quantidade e a qualidade desses recursos transferidos entre ambientes. Na sequência, o pesquisador Daniel Perkins, da Brunel University of London, apresenta “The energetics of environmental change in aquatic systems: from individuals to ecosystems”. A palestra aborda como alterações ambientais, como o aquecimento climático e mudanças no uso da terra, podem afetar o funcionamento dos organismos aquáticos e, em escala maior, modificar o fluxo de energia e o funcionamento dos ecossistemas. A pesquisa de Perkins envolve justamente a compreensão das relações entre espécies, ambiente, redes alimentares e fluxo de energia em sistemas aquáticos. 📅 sexta-feira, 11 de setembro ⏰ 13h 📍 Auditório da Biblioteca – UNESP Rio Claro 🎙️ Pavel Kratina Brunel University of London 🎙️ Daniel Perkins Queen Mary University of London
- Pesquisador associado ao CBioClima explica a importância dos rios aéreos da Amazônia para as chuvas no país
Por Emerson José Neste sábado, 5 de setembro, celebra-se o Dia da Amazônia. A data foi criada no Brasil em 2007 e representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre biodiversidade, mudanças climáticas e o futuro da região. Seus rios, áreas alagadas, espécies animais e vegetais e os processos ecológicos que acontecem na região têm papel fundamental no equilíbrio ambiental e climático. A conservação da Amazônia também está diretamente relacionada à qualidade de vida das populações que vivem na região e aos impactos ambientais que ultrapassam seus limites. Vale ressaltar que muita biodiversidade da maior floresta tropical do mundo ainda é desconhecida. Recentemente, uma nova espécie de rã, Adenomera varcena, por exemplo, foi identificada em áreas alagadas da floresta, no oeste do Acre, na região do Alto Rio Juruá. Entre os autores do estudo estão o professor Célio F. B. Haddad, da Unesp de Rio Claro, e o professor Thiago R. Carvalho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ambos associados ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima). O trabalho foi publicado na revista científica Ichthyology & Herpetology. Para destacar o Dia da Amazônia, o CBioClima conversa com o pesquisador Lucas Ferrante, associado ao Centro, que desenvolve pesquisas relacionadas aos impactos do desmatamento, da expansão da infraestrutura e das mudanças climáticas sobre a Amazônia. Em sua trajetória científica, Ferrante tem estudado as relações entre desmatamento, biodiversidade, mudanças climáticas, infraestrutura, patógenos e governança ambiental. Seus trabalhos também têm chamado atenção para os impactos da expansão de rodovias e de atividades econômicas sobre os ecossistemas amazônicos.
- Pesquisador internacional apresenta na Unesp de Rio Claro estudo sobre regeneração da cauda de lagartos
Por Emerson José O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) recebeu, nesta quinta-feira (27), no Auditório da Biblioteca da UNESP de Rio Claro, o biólogo evolucionista Sebastian Kirchhof, curador de Zoologia do Museu de História Natural de Abu Dhabi (NHMAD). Sebastian ministrou palestra sob o tema "Seleção natural por meio da perda e regeneração da cauda em lagartos: mecanismos evolutivos e implicações biológicas". Biólogo evolucionista, taxonomista, ecólogo e conservacionista, Kirchhof possui experiência internacional em pesquisas que integram sistemática, ecologia e genômica. Doutor em Biologia pela Universidade Humboldt de Berlim, desenvolveu pesquisas sobre a diversidade de lagartos africanos em um contexto de mudanças climáticas durante sua atuação no Museu de História Natural de Berlim. O pesquisador também atuou como pesquisador associado na NYU Abu Dhabi, onde investigou os fundamentos genômicos relacionados à variação de características e às mudanças evolutivas em répteis do deserto e anuros tropicais. Seu trabalho busca compreender os processos que produzem e mantêm a diversidade biológica e gerar conhecimento que possa contribuir para estratégias mais eficazes de conservação. A trajetória de Kirchhof também envolve o uso de coleções científicas e técnicas de sequenciamento para investigar a variabilidade genética da fauna. Essa abordagem é particularmente importante para a conservação porque permite compreender não apenas quais espécies estão presentes em determinado ambiente, mas também a diversidade genética existente dentro das populações. A atividade também reforça a importância da cooperação científica internacional e da integração entre diferentes abordagens para compreender e conservar a biodiversidade em um cenário de mudanças ambientais. Em breve, será disponibilizado um vídeo sobre a atividade no canal do CBioClima no YouTube.
- Delegação francesa visita o CBioClima para estreitar parcerias em pesquisa
Por Emerson José O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) recebeu, na tarde desta terça-feira (25), uma delegação francesa interessada em conhecer as pesquisas, projetos e iniciativas desenvolvidos pelo Centro nas áreas de biodiversidade e mudanças climáticas. A delegação foi formada por Anne Nathalie Volkoff, diretora de Pesquisa do INRAE (Institut National de Recherche pour l'Agriculture, l'Alimentation et l'Environnement), instituição francesa dedicada à pesquisa nas áreas de agricultura, alimentação e meio ambiente, e Marion Magnan, adida científica do Consulado Geral da França em São Paulo. Elas foram recebidas pelo professor Vitor Miranda, que é o Coordenador de Internacionalização do CBioClima, e Mariana Lyra, pesquisadora do Centro. O encontro possibilitou a troca de informações sobre linhas de pesquisa e perspectivas de cooperação científica internacional. As representantes do INRAE também visitaram vários outros laboratórios no câmpus da UNESP de Rio Claro nesta terça-feira (25). Amanhã (26), elas passarão o dia conhecendo projetos no campus da UNESP de Botucatu.
- Palestra com pesquisadora associada ao CBioClima orienta câmpus da UNESP sobre prevenção de acidentes com animais peçonhentos
Por Emerson José As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) do Instituto de Biociências e do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da UNESP de Rio Claro organizaram uma palestra na tarde desta terça-feira (25) sobre animais peçonhentos. A atividade lotou o Anfiteatro II do IB com a participação de técnicos, alunos e demais integrantes da comunidade universitária, como as trabalhadoras da limpeza, que circulam entre as unidades do câmpus. A palestra foi conduzida pela professora Dra. Thaís Barreto Guedes da Costa, pesquisadora associada ao CBioClima, e pelo professor Dr. José Paulo Leite Guadanucci, especialistas que compartilharam informações sobre diferentes grupos de animais peçonhentos e os cuidados necessários para evitar acidentes. Os participantes puderam conhecer melhor os animais que podem ser encontrados em áreas naturais ou próximas às edificações da universidade, além de receber orientações sobre como agir diante de um possível encontro com esses animais a fim de evitar situações de risco.
- CBioClima participa do XX Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal
Por Emerson José A diretora do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) Patrícia Morellato, o coordenador de Inovação do Centro, Leonardo Fraceto, e a professora da UNESP de Rio Claro e pesquisadora associada ao CBioClima, Neidiquele Silveira, e sua equipe participam esta semana do XX Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal, que ocorre em Juazeiro, na Bahia. O encontro marca os 40 anos da Sociedade Brasileira de Fisiologia Vegetal (SBFV), reunindo pesquisadores, professores e estudantes para discutir avanços e desafios relacionados desenvolvimento e adaptação das plantas às mudanças ambientais. Patrícia Morellato palestrou sobre fenologia, mudanças climáticas e eventos extremos, abordando como as alterações ambientais podem modificar os ciclos naturais das plantas e quais são os possíveis impactos dessas mudanças sobre os ecossistemas. A participação de Leonardo Fraceto reforça a presença do CBioClima nas discussões sobre inovação e desenvolvimento de soluções científicas relacionadas aos desafios ambientais. Já a presença de Neidiquele Silveira amplia a participação do Centro nas discussões sobre fisiologia vegetal e respostas das plantas às mudanças ambientais. * As imagens foram disponibilizadas pelo @xx_cbfv
- CBioClima recebe pesquisador internacional na UNESP de Rio Claro
Por Emerson José O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) convida toda a comunidade unespiana para a palestra do biólogo e evolucionista Sebastian Kirchhof, na próxima quinta-feira (27), às 13h, no auditório da Biblioteca do câmpus de Rio Claro da UNESP.Curador de Zoologia do Museu de História Natural de Abu Dhabi (NHMAD), Sebastian Kirchhof é biólogo evolucionista, taxonomista, ecólogo e conservacionista da natureza. Doutor em Biologia pela Universidade Humboldt, o pesquisador estudou a dinâmica da diversidade de lagartos africanos em um contexto de mudanças climáticas, durante sua atuação no Museu de História Natural de Berlim, na Alemanha. Ele também foi pesquisador associado da NYU Abu Dhabi, onde investigou os fundamentos genômicos relacionados à variação de características e às mudanças evolutivas em répteis do deserto e anuros tropicais.Seu trabalho integra sistemática, ecologia e genômica para contribuir com estratégias mais eficazes de conservação da biodiversidade. Entre seus principais objetivos está a preservação da variabilidade genética da vida selvagem, utilizando coleções biológicas e técnicas de sequenciamento. 📅 Quando: quinta-feira, 27 ⏰ Horário: 13h 📍 Local: Auditório da Biblioteca – câmpus de Rio Claro da UNESP
- Seminários Charles Darwin promovem diálogo entre ciência e inovação
Por Emerson José O pesquisador Guilherme Wolff Bueno, do Aquário de Ideias da UNESP, participou dos Seminários Charles Darwin, terça-feira (18), em uma palestra que aproximou ciência, inovação e os desafios para a construção de soluções sustentáveis. O pesquisador já teve passagem pela Agência Unesp de Inovação (AUIN) e atua nas áreas de Aquicultura, Economia Circular, Bioeconomia e Inovação Tecnológica. Guilherme destacou a importância de transformar conhecimento e pesquisa em tecnologias, produtos e soluções capazes de gerar benefícios para a sociedade e reduzir impactos ambientais. O encontro reforça a proposta dos Seminários Charles Darwin de criar espaços para o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e estimular a reflexão sobre caminhos inovadores para enfrentar os desafios ambientais e sociais da atualidade, neste caso, por meio da aproximação entre universidade, pesquisa e inovação. Os Seminários Charles Darwin são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima). A palestra do professor Guilherme será disponibilizará em breve no nosso canal no Youtube. O próximo pesquisador a se apresentar nos Seminários será Tiago Santana Balbuena no dia 29 de setembro, às 13h, no anfiteatro II do IB da Unesp de Rio Claro.
- Projeto MISMATCH apresenta resultados de pesquisa sobre mudanças climáticas e polinização em reunião do CNPq
Por Emerson José A reunião de avaliação final dos projetos contemplados pela Chamada CNPq/MCTI/Associação A.B.E.L.H.A. nº 27/2021 foi realizada nos dias 11 e 12 de agosto de 2026, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília (DF). O encontro reuniu os responsáveis pelos 10 projetos selecionados pela chamada, que apresentaram os principais resultados das pesquisas. Lançada em 2021, a iniciativa é uma construção do CNPq, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.). A chamada teve como objetivo impulsionar pesquisas, desenvolvimento tecnológico e inovação relacionados aos polinizadores, incluindo estudos sobre biodiversidade, serviços de polinização e desenvolvimento de produtos e serviços associados. Coordenado pela professora Patrícia Morellato do câmpus de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o projeto “MISMATCH: Padrões de floração, mudanças do clima e assincronias temporais entre flores e polinizador: implicações na polinização por abelhas e serviços ecossistêmicos em ecossistemas tropicais” investigou como alterações no clima podem interferir na relação temporal entre a floração das plantas e a atividade dos polinizadores. A pesquisa contou com a participação dos professores Maurício Bacci e Milene Ferro, ambos também da UNESP, além de colaboradores da Universidade de Sevilha, na Espanha; da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina; da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). A equipe também envolveu técnicos, estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores em nível de pós-doutorado. O projeto apresentou resultados que ampliam o conhecimento sobre as relações entre mudanças climáticas, floração, polinizadores e serviços ecossistêmicos. Entre os resultados apresentados na reunião final estão mais de 10 artigos científicos publicados, além de novos trabalhos que estão em preparação e deverão ser submetidos para publicação. Professoras Milene Ferro e Patricia Morellato na sede do CNPq, em Brasília.
- I Simpósio EcoEvoBio promove encontros e debates sobre ecologia e biodiversidade
Por Emerson José Começou nesta sexta-feira (14) o I Simpósio EcoEvoBio, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UNESP de Rio Claro. O evento segue neste sábado (15), com uma programação que reúne palestras, mesa-redonda, minicursos, apresentações orais e atividades práticas. Organizado por estudantes da pós-graduação e jovens pesquisadoras associadas ao CBioClima, o simpósio conta com a orientação de Tadeu Siqueira, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Evolução e Biodiversidade do Instituto de Biociências da UNESP e coordenador de Integração do CBioClima. A programação começou com a palestra de Tadeu Siqueira, “Efeitos de eventos climáticos extremos em ecossistemas aquáticos”, tema que destaca os impactos das mudanças no clima sobre os ambientes de água doce. Na sequência, uma mesa-redonda aborda “Inteligência Artificial: desafios, oportunidades e perspectivas interdisciplinares”, promovendo o debate sobre o uso da tecnologia na ciência e suas possibilidades de integração entre diferentes áreas do conhecimento. Entre os minicursos desta sexta-feira está: “Da rede à ecologia: introdução aos morcegos e técnicas de amostragem”, uma das sete opções oferecidas pelo simpósio. No sábado, as atividades começam com a “Passarinhada com o Aves da Minha Rio Claro”. A programação continua ao longo do dia com palestras, apresentações orais e minicursos.
- Línguas e culturas indígenas ampliam o debate sobre diversidade e mudanças climáticas
Professora Ivana Pereira Ivo participou do ciclo Diversidade em Foco, promovido pelo CBioClima por meio da Diretoria de Diversidade, Equidade e Inclusão A diversidade dos povos indígenas brasileiros também se expressa na multiplicidade de línguas, culturas e formas de produzir conhecimento. Esse foi um dos pontos centrais da apresentação da professora Ivana Pereira Ivo, do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), durante o ciclo Diversidade em Foco – Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas, que aconteceu no último dia 05 de agosto no Instituto de Biologia da Unicamp. Com a palestra “Povos, línguas e culturas indígenas: percursos e aprendizados”, Ivana Ivo destacou a necessidade de reconhecer a diversidade existente entre os povos indígenas, evitando tratá-los como um grupo homogêneo. Diferentes sociedades possuem diferentes culturas e línguas, que também são transformadas pelas relações estabelecidas entre os próprios povos e com as sociedades não indígenas. O contato entre línguas transforma os modos de falar Um dos exemplos apresentados por Ivana Ivo envolve o contato entre o Guarani e o espanhol, especialmente em regiões de fronteira. A pesquisadora mostrou como o encontro entre línguas pode provocar ajustes fonéticos e fonológicos, revelando que os falantes incorporam elementos de outros idiomas de acordo com as características de sua própria língua. Entre os fenômenos discutidos estão as chamadas epênteses — inserções de vogais em determinadas palavras — e ajustes relacionados ao ponto de articulação dos sons. A apresentação também aborda características fonológicas do Guarani-Mbyá na adaptação de palavras provenientes do espanhol. O contato linguístico também aparece no contexto de comunidades multilíngues. No Oiapoque, por exemplo, são mencionados povos como Karipuna, Galibi, Galibi Marworno e Palikur, que utilizam diferentes línguas em situações distintas, incluindo línguas indígenas, o Patuá, o português e o francês. Outro caso apresentado é o dos povos do Alto Rio Negro, região marcada por uma longa história de contato entre diferentes famílias linguísticas. Segundo o material apresentado, Tukano Oriental, Naduhup, Aruak e Tupi-Guarani convivem na região há pelo menos seis séculos. Aproximadamente 24 línguas são faladas nessa área, sendo 15 delas no Brasil. Nesse contexto, a diversidade linguística está relacionada também às relações sociais, aos modos de subsistência e às regras de casamento entre os diferentes povos. A apresentação destaca ainda distinções entre povos da floresta e povos dos rios e a existência de uma hierarquia social que ajuda a explicar o multilinguismo característico da região. Quando uma língua desaparece, o que se perde? A palestra também chamou atenção para outro aspecto fundamental: os processos de substituição linguística. Em diferentes contextos, o contato entre sociedades resultou na substituição de línguas indígenas pelo português. A apresentação cita como exemplos grupos indígenas do Nordeste brasileiro, como Pankaru, Payayá, Kiriri e Kaimbé. Diante desse cenário, iniciativas de retomada linguística podem recorrer a fontes históricas, possíveis memórias lexicais e outros registros que contribuam para recuperar conhecimentos relacionados às línguas. O caso dos Kiriri, na Bahia, é apresentado como exemplo desse tipo de iniciativa. A preservação e o fortalecimento das línguas indígenas, portanto, ultrapassam a questão estritamente linguística. As línguas são parte dos patrimônios culturais e dos modos pelos quais diferentes povos constroem, transmitem e compartilham seus conhecimentos. Protagonismo indígena e produção de conhecimento Ao final da apresentação, Ivana Ivo destacou a importância de repensar a forma como os povos indígenas são abordados pelas pesquisas. Um dos caminhos apontados é a busca pela não objetificação dos povos indígenas, associada à valorização de seu protagonismo na produção do conhecimento. Essa perspectiva também se relaciona à necessidade de políticas linguístico-educacionais capazes de considerar as especificidades de cada povo. Entre as ações destacadas estão a produção de materiais didáticos em línguas indígenas, a formação de professores indígenas e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento dessas línguas. Diversidade como parte do debate sobre o futuro Ao trazer para o Diversidade em Foco o debate sobre línguas e culturas indígenas, a apresentação amplia a compreensão sobre diversidade e sobre os diferentes conhecimentos que precisam estar presentes nas discussões sobre os desafios contemporâneos. Valorizar as línguas indígenas significa reconhecer a existência de diferentes sociedades, histórias, culturas e formas de produzir conhecimento. Também significa compreender que os impactos e desafios associados às transformações ambientais não podem ser dissociados das comunidades e dos territórios onde esses conhecimentos são produzidos e transmitidos. Nesse sentido, a discussão proposta por Ivana Ivo contribui para uma perspectiva de diversidade que não se limita à representação, mas envolve escuta, reconhecimento, protagonismo e fortalecimento dos saberes indígenas — elementos fundamentais para ampliar o diálogo sobre biodiversidade, mudanças climáticas e os diferentes caminhos para construir um futuro mais inclusivo. Confira a palestra na íntegra no Canal do Youtube do CBioClima: https://youtu.be/DHHyN9el0zM












