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- I Simpósio EcoEvoBio promove encontros e debates sobre ecologia e biodiversidade
Por Emerson José Começou nesta sexta-feira (14) o I Simpósio EcoEvoBio, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UNESP de Rio Claro. O evento segue neste sábado (15), com uma programação que reúne palestras, mesa-redonda, minicursos, apresentações orais e atividades práticas. Organizado por estudantes da pós-graduação e jovens pesquisadoras associadas ao CBioClima, o simpósio conta com a orientação de Tadeu Siqueira, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Evolução e Biodiversidade do Instituto de Biociências da UNESP e coordenador de Integração do CBioClima. A programação começou com a palestra de Tadeu Siqueira, “Efeitos de eventos climáticos extremos em ecossistemas aquáticos”, tema que destaca os impactos das mudanças no clima sobre os ambientes de água doce. Na sequência, uma mesa-redonda aborda “Inteligência Artificial: desafios, oportunidades e perspectivas interdisciplinares”, promovendo o debate sobre o uso da tecnologia na ciência e suas possibilidades de integração entre diferentes áreas do conhecimento. Entre os minicursos desta sexta-feira está: “Da rede à ecologia: introdução aos morcegos e técnicas de amostragem”, uma das sete opções oferecidas pelo simpósio. No sábado, as atividades começam com a “Passarinhada com o Aves da Minha Rio Claro”. A programação continua ao longo do dia com palestras, apresentações orais e minicursos.
- Línguas e culturas indígenas ampliam o debate sobre diversidade e mudanças climáticas
Professora Ivana Pereira Ivo participou do ciclo Diversidade em Foco, promovido pelo CBioClima por meio da Diretoria de Diversidade, Equidade e Inclusão A diversidade dos povos indígenas brasileiros também se expressa na multiplicidade de línguas, culturas e formas de produzir conhecimento. Esse foi um dos pontos centrais da apresentação da professora Ivana Pereira Ivo, do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), durante o ciclo Diversidade em Foco – Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas, que aconteceu no último dia 05 de agosto no Instituto de Biologia da Unicamp. Com a palestra “Povos, línguas e culturas indígenas: percursos e aprendizados”, Ivana Ivo destacou a necessidade de reconhecer a diversidade existente entre os povos indígenas, evitando tratá-los como um grupo homogêneo. Diferentes sociedades possuem diferentes culturas e línguas, que também são transformadas pelas relações estabelecidas entre os próprios povos e com as sociedades não indígenas. O contato entre línguas transforma os modos de falar Um dos exemplos apresentados por Ivana Ivo envolve o contato entre o Guarani e o espanhol, especialmente em regiões de fronteira. A pesquisadora mostrou como o encontro entre línguas pode provocar ajustes fonéticos e fonológicos, revelando que os falantes incorporam elementos de outros idiomas de acordo com as características de sua própria língua. Entre os fenômenos discutidos estão as chamadas epênteses — inserções de vogais em determinadas palavras — e ajustes relacionados ao ponto de articulação dos sons. A apresentação também aborda características fonológicas do Guarani-Mbyá na adaptação de palavras provenientes do espanhol. O contato linguístico também aparece no contexto de comunidades multilíngues. No Oiapoque, por exemplo, são mencionados povos como Karipuna, Galibi, Galibi Marworno e Palikur, que utilizam diferentes línguas em situações distintas, incluindo línguas indígenas, o Patuá, o português e o francês. Outro caso apresentado é o dos povos do Alto Rio Negro, região marcada por uma longa história de contato entre diferentes famílias linguísticas. Segundo o material apresentado, Tukano Oriental, Naduhup, Aruak e Tupi-Guarani convivem na região há pelo menos seis séculos. Aproximadamente 24 línguas são faladas nessa área, sendo 15 delas no Brasil. Nesse contexto, a diversidade linguística está relacionada também às relações sociais, aos modos de subsistência e às regras de casamento entre os diferentes povos. A apresentação destaca ainda distinções entre povos da floresta e povos dos rios e a existência de uma hierarquia social que ajuda a explicar o multilinguismo característico da região. Quando uma língua desaparece, o que se perde? A palestra também chamou atenção para outro aspecto fundamental: os processos de substituição linguística. Em diferentes contextos, o contato entre sociedades resultou na substituição de línguas indígenas pelo português. A apresentação cita como exemplos grupos indígenas do Nordeste brasileiro, como Pankaru, Payayá, Kiriri e Kaimbé. Diante desse cenário, iniciativas de retomada linguística podem recorrer a fontes históricas, possíveis memórias lexicais e outros registros que contribuam para recuperar conhecimentos relacionados às línguas. O caso dos Kiriri, na Bahia, é apresentado como exemplo desse tipo de iniciativa. A preservação e o fortalecimento das línguas indígenas, portanto, ultrapassam a questão estritamente linguística. As línguas são parte dos patrimônios culturais e dos modos pelos quais diferentes povos constroem, transmitem e compartilham seus conhecimentos. Protagonismo indígena e produção de conhecimento Ao final da apresentação, Ivana Ivo destacou a importância de repensar a forma como os povos indígenas são abordados pelas pesquisas. Um dos caminhos apontados é a busca pela não objetificação dos povos indígenas, associada à valorização de seu protagonismo na produção do conhecimento. Essa perspectiva também se relaciona à necessidade de políticas linguístico-educacionais capazes de considerar as especificidades de cada povo. Entre as ações destacadas estão a produção de materiais didáticos em línguas indígenas, a formação de professores indígenas e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento dessas línguas. Diversidade como parte do debate sobre o futuro Ao trazer para o Diversidade em Foco o debate sobre línguas e culturas indígenas, a apresentação amplia a compreensão sobre diversidade e sobre os diferentes conhecimentos que precisam estar presentes nas discussões sobre os desafios contemporâneos. Valorizar as línguas indígenas significa reconhecer a existência de diferentes sociedades, histórias, culturas e formas de produzir conhecimento. Também significa compreender que os impactos e desafios associados às transformações ambientais não podem ser dissociados das comunidades e dos territórios onde esses conhecimentos são produzidos e transmitidos. Nesse sentido, a discussão proposta por Ivana Ivo contribui para uma perspectiva de diversidade que não se limita à representação, mas envolve escuta, reconhecimento, protagonismo e fortalecimento dos saberes indígenas — elementos fundamentais para ampliar o diálogo sobre biodiversidade, mudanças climáticas e os diferentes caminhos para construir um futuro mais inclusivo. Confira a palestra na íntegra no Canal do Youtube do CBioClima: https://youtu.be/DHHyN9el0zM
- Pesquisadores do CBioClima são contemplados com Bolsas de Produtividade do CNPQ
Por Emerson José Os pesquisadores principais do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) Mauro Galetti Jr. (Unesp/IB - Rio Claro) e Leonardo Fraceto (Unesp/ICTS - Sorocaba) acabam de ser contemplados com Bolsas de Produtividade na Chamada nº 23/2025 do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Além deles, também foram contemplados no resultado final os pesquisadores associados ao CBioClima Antonio Maria Garcia Tommaselli (Unesp/FCT – Presidente Prudente), Elza Maria Guimarães Santos (Unesp/IBB - Botucatu), Juliana Silveira dos Santos (Unesp/IB - Rio Claro), Mathias Mistretta Pires (UNICAMP/IB - Departamento de Biologia Animal) e Paulo Roberto Guimarães Junior (USP/IB - Departamento de Ecologia). “É uma honra enorme estar entre os bolsistas de produtividade de pesquisa do CNPq”. É o que afirma o Coordenador de Disseminação do CBioClima, Mauro Galetti Jr. As Bolsas de Produtividade do CNPq são voltadas à valorização do trabalho científico e tecnológico e promovem o incremento da produção científica. Muitos outros pesquisadores do CBioClima, sediado na Unesp de Rio Claro, não submeteram proposta nesta chamada porque possuem bolsa vigente com prazo superior ao ciclo desta última. Professor Mauro Galetti, Coordenador de Disseminação do CBioClima, e docente contemplado com Bolsa Produtividade do CNPq.
- Abelhas e beija-flores garantem a reprodução de plantas símbolo dos campos rupestres
Por Emerson José Estudo recém-publicado na revista científica Annals of Botany revelou que abelhas e beija-flores desempenham papel fundamental na reprodução das espécies de canela-de-ema (Vellozia), um dos grupos de plantas mais característicos de formações montanhosas do Cerrado, os campos rupestres. O artigo revela que a presença de polinizadores garante a formação de sementes viáveis e a manutenção da diversidade genética das populações, embora várias espécies sejam capazes de produzir frutos por autofecundação. A pesquisa foi descrita no artigo Old lineage, new insights: phenology, pollination and reproductive traits of Vellozia species from cerrado savanna mountaintop grasslands. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Irene Gélvez-Zúñiga, com a participação da professora Patricia Morellato, ambas associadas ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) e ao Instituto de Biociências da UNESP de Rio Claro, além de outros pesquisadores brasileiros e argentinos especializados em ecologia, fenologia e biologia reprodutiva de plantas. A pesquisa analisou 13 espécies de canela-de-ema encontradas nos campos rupestres da Serra do Cipó, uma das regiões com maior diversidade de espécies de plantas, em Minas Gerais, Brasil. O gênero Vellozia reúne cerca de 265 espécies distribuídas principalmente em áreas montanhosas brasileiras e constitui um dos componentes mais representativos dos campos rupestres. As flores das canelas-de-ema são geralmente grandes, vistosas e apresentam coloração que varia do branco ao roxo intenso. Além da aparência chamativa, elas possuem mecanismos que favorecem a polinização cruzada, processo em que o pólen é transferido entre indivíduos diferentes da mesma espécie, contribuindo para aumentar a variabilidade genética das populações. Para compreender a biologia reprodutiva das espécies, os cientistas acompanharam populações de Vellozia entre 2023 e 2025. Foram analisadas características da floração, morfologia das flores, sistemas de reprodução e a contribuição dos polinizadores para a produção de frutos e sementes. Os pesquisadores realizaram experimentos de polinização controlada, comparando flores polinizadas manualmente, flores expostas naturalmente aos visitantes e flores isoladas para impedir o acesso dos polinizadores. Também foram avaliadas a quantidade de sementes produzidas e sua capacidade de germinação. Para identificar os visitantes florais, foram utilizadas câmeras equipadas com sensores de movimento instaladas junto às plantas durante os períodos de floração. Os pesquisadores identificaram dois padrões principais de floração: espécies que produzem grandes quantidades de flores em curtos períodos, principalmente durante a estação chuvosa, entre outubro e fevereiro; e espécies que apresentam floração mais prolongada, ao longo dos meses mais secos. O estudo também registrou casos em que a floração foi estimulada pelo fogo. Em determinadas espécies, como Vellozia alata e Vellozia caruncularis, a produção de flores ocorreu poucas semanas após incêndios, indicando uma adaptação ecológica associada à dinâmica natural desses ambientes abertos do Cerrado. Os testes de reprodução mostraram que as espécies estudadas podem produzir frutos por autofecundação. No entanto, a reprodução bem-sucedida depende fortemente da ação dos polinizadores. Em sete das 11 espécies avaliadas nos experimentos reprodutivos não houve produção de frutos ou sementes quando os polinizadores foram excluídos. Quando alguns frutos eram produzidos sem a participação dos polinizadores, as sementes frequentemente apresentavam baixa qualidade ou não germinavam. Segundo os autores, isso demonstra que avaliar apenas a produção de frutos pode levar a conclusões equivocadas sobre o sucesso reprodutivo das plantas. Os principais polinizadores registrados foram os beija-flores Colibri serrirostris e Chlorostilbon lucidus e abelhas do gênero Trigona, abelhas sem ferrão do grupo Meliponini. A abelha-africanizada (Apis mellifera) também foi observada visitando diversas espécies. Os autores concluíram que, embora a autofecundação possa funcionar como uma estratégia de segurança em situações de escassez de polinizadores, a polinização cruzada continua sendo a principal forma de reprodução dessas plantas na natureza. A redução das populações de abelhas e beija-flores pode comprometer não apenas a produção de sementes, mas também a conectividade genética entre populações vegetais, reduzindo sua capacidade de adaptação a mudanças ambientais futuras. O campo rupestre vem sofrendo grandes ameaças a sua conservação mesmo sendo um ecossistema com grande importância na provisão de serviços ecossistêmicos (hídricos, beleza cênica etc.). Esses ecossistemas montanhosos são especialmente sensíveis aos aumentos das temperaturas, que são esperados para as próximas décadas devido às mudanças no clima, e vêm sofrendo graves transformações no uso da terra, com intervenções antrópicas como turismo desorganizado e mineração, entre outras ameaças. “O gênero Vellozia é considerado vulnerável às mudanças do clima porque engloba um grupo de plantas características dos campos rupestres. Nosso estudo inclui quatro espécies de Vellozia consideradas como ameaçadas ou quase ameaçadas: V. alata, V. albiflora, V. glabra e V. patens. Várias espécies são endêmicas ou apresentam distribuição restrita (em pequenas manchas). Contudo, nossos resultados apontam que devemos dar uma atenção redobrada à V. taxifolia, que é uma espécie que não tem capacidade de reprodução autônoma, pois é auto incompatível, e para a V. patens, que tem uma porcentagem de produção de frutos e sementes muito reduzida em condições naturais”, alerta Irene Gélvez-Zúñiga. Ademais, e considerando que o grupo de plantas do gênero Vellozia é diverso e com alto endemismo em ambientes de campo rupestre, o estudo tem implicações importantes para propor estratégias de conservação, voltadas para espécies endêmicas e/ou ameaçadas da flora do Cerrado. O estudo contou com financiamento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Projeto CEPID CBioClima #2021/10639-5) e pode ser lido na íntegra em: https://doi.org/10.1093/aob/mcag152. Canela-de-ema encontradas nos campos rupestres da Serra do Cipó Polinização por abelha e pesquisadora Irene Gélvez-Zúñiga em coleta de campo.
- Em Rio Claro, disciplina reúne aulas teóricas e práticas sobre Genoma e Biologia/DNA de Organelas
Por Emerson José Estudantes de pós-graduação da Unesp estão participando da disciplina Genoma e Biologia/DNA de Organelas, no câmpus de Rio Claro. A disciplina integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Biologia Celular, Molecular e Microbiologia) e reúne um corpo docente com ampla experiência em genômica, evolução e bioinformática. Ao longo do curso, os participantes têm acesso a uma programação que integra aulas teóricas e atividades práticas, proporcionando formação em ferramentas modernas de análise genômica. As atividades são conduzidas pelos professores Maurício Bacci Jr. (Instituto de Biociências da Unesp – Rio Claro), Vitor Fernandes Oliveira de Miranda (FCAV/Unesp – Jaboticabal) e Pepijn Kooij (Laboratório de Ecologia e Sistemática de Fungos (LESF) do Departamento de Biologia Geral e Aplicada do IB/Unesp e pesquisador associado ao CBioClima), com a participação dos pós-doutorandos Karine Felix Ribeiro, Alan Emanuel Cerqueira da Silva e Saura Rodrigues da Silva. Durante o curso, os docentes apresentam conceitos fundamentais, como: a montagem e anotação de genomas até análises filogenômicas, redação científica e interpretação de dados gerados por técnicas modernas de sequenciamento. A proposta da disciplina é estimular uma formação interdisciplinar, aproximando diferentes áreas do conhecimento e promovendo o intercâmbio entre programas de pós-graduação da Unesp. Aula de bioinformática com o professor Vitor Miranda, coordenador de internacionalização do CBioClima
- Dia de Proteção às florestas
Por Emerson José As florestas regulam o clima, armazenam carbono e exercem um papel indispensável na conservação dos recursos hídricos. A vegetação nativa protege as nascentes e as margens dos rios, favorece a infiltração da água no solo e ajuda a manter o fluxo dos cursos d'água, garantindo água de qualidade para as pessoas e para os ecossistemas. As florestas também são essenciais para a sobrevivência de milhares de espécies de animais. Quando esses ambientes são degradados, a fauna perde alimento, abrigo e áreas para se deslocar, comprometendo o equilíbrio ecológico. O pesquisador do departamento de biodiversidade da Unesp de Rio Claro associado ao CBioClima Gabriel Brejão estuda como a conservação das florestas e da paisagem influencia os serviços ecossistêmicos e a biodiversidade aquática. Suas pesquisas mostram que proteger e restaurar a vegetação nativa, especialmente nas áreas que abrigam nascentes, rios e corredores ecológicos, é fundamental para conservar a biodiversidade e garantir a segurança hídrica diante das mudanças climáticas. Neste Dia de Proteção às Florestas, reforçamos que conservar esses ambientes significa proteger a água que abastece nossas cidades e a biodiversidade que sustenta os ecossistemas. 🌱 Proteger as florestas é proteger a água, a biodiversidade e o nosso futuro.
- Inscreva-se na disciplina de pós-graduação "Genômica, Biodiversidade e Bioinovação" da Unesp
De 13 a 17 de julho, estarão abertas as inscrições para a disciplina de pós-graduação "Genômica, Biodiversidade e Bioinovação", vinculada ao Portfólio de Integração de Disciplinas da Pós-Graduação da Unesp. A disciplina é voltada a estudantes de mestrado e doutorado das áreas de Ciências Biológicas, Agronomia, Biodiversidade, Biotecnologia, Microbiologia, Ecologia, Bioinformática e áreas correlatas. O corpo docente reúne pesquisadores da Unesp com ampla experiência em genômica, biodiversidade e inovação, incluindo os pesquisadores do CBioClima, Maurício Bacci Jr e Victor de Miranda. 📍 Inscrições: de 13 a 17 de julho, na Seção Técnica de Pós-Graduação do Instituto de Biociências da Unesp – Rio Claro - stpgib.rc@unesp.br. 🗓️ Aulas: de 19 de agosto a 25 de novembro de 2026⏰ Quartas-feiras, das 9h às 12h (com 1 hora de atividades extraclasse) 🎓 60 horas | 4 créditos Modalidade: Exclusivamente online Equipe: Docentes da Unesp: Maurício Bacci Jr (IB/RC), Vitor Fernandes Oliveira de Miranda (FCAV/Jaboticabal) & Antonio Leão Castilho (IB/Botucatu) Pós-doutorandos da Unesp: Karine Felix Ribeiro (IB/RC), Alan Emanuel Cerqueira da Silva (IB/RC) e Saura Rodrigues da Silva (FCAV/Jaboticabal). Palestrantes internacionais: (a convidar) Plano de ensino 1. Ementa: A disciplina abordará as principais tecnologias genômicas contemporâneas e suas aplicações na biodiversidade, nos microbiomas e em soluções baseadas na natureza. O curso será oferecido exclusivamente no formato online, por meio de aulas expositivas, seminários com palestrantes convidados nacionais e internacionais, discussões de estudos de caso e atividades orientadas. Serão abordados fundamentos e aplicações do sequenciamento de nova geração, genômica comparativa, metagenômica, microbiômica, transcriptômica, epigenômica, genômica populacional, edição genômica, biologia sintética, bioinformática, inteligência artificial aplicada à análise genômica e integração de dados multiômicos. A disciplina dará ênfase ao uso dessas tecnologias para compreender sistemas biológicos complexos e propor soluções aplicáveis às atividades humanas sustentáveis, à conservação da biodiversidade, à restauração ecológica, à adaptação às mudanças climáticas, à prospecção de micro-organismos, a bioinsumos, bioprodutos e soluções baseadas na natureza. 2. Objetivo geral: Capacitar estudantes de pós-graduação a compreender, interpretar e discutir criticamente as principais tecnologias genômicas atuais e suas aplicações na biodiversidade e em soluções baseadas na natureza. 3. Objetivos específicos: 1. Apresentar os fundamentos das principais tecnologias de sequenciamento e de análise genômica. 2. Discutir aplicações da genômica nas atividades humanas sustentáveis em microbiomas e em bioinsumos. 3. Explorar o uso de dados genômicos na conservação da biodiversidade, na restauração ecológica, no monitoramento ambiental e na adaptação às mudanças climáticas. 4. Introduzir abordagens multiômicas, incluindo metagenômica, transcriptômica, epigenômica, metabolômica e integração de dados. 5. Apresentar estudos de caso com palestrantes convidados sobre aplicações genômicas em sistemas humanos sustentáveis. 6. Desenvolver a capacidade dos alunos de analisar criticamente artigos científicos, propostas tecnológicas e aplicações de genômica em problemas biológicos e socioambientais. 7. Estimular a formulação de propostas conceituais para a aplicação de tecnologias genômicas em atividades sustentáveis, como a agricultura, a bioeconomia e as soluções baseadas na natureza. 4. Justificativa: A genômica tornou-se uma área estruturante para a biologia contemporânea, com impactos diretos na conservação, na saúde ambiental, na bioeconomia e na inovação tecnológica. A rápida expansão das tecnologias de sequenciamento, associada ao avanço da bioinformática, da inteligência artificial e das abordagens multiômicas, permite estudar organismos, populações, comunidades e ecossistemas em escala sem precedentes. No contexto da pós-graduação, uma disciplina online e transversal sobre genômica aplicada favorece a integração entre os Programas de Pós-Graduação da Unesp, permitindo que estudantes de diferentes áreas tenham contato com tecnologias e aplicações relevantes para suas pesquisas. A proposta é compatível com os objetivos do Portfólio de Integração de Disciplinas da Pós-Graduação, pois busca oferecer formação compartilhada, interdisciplinar e de interesse amplo para mestrandos e doutorandos. 5. Público-alvo: Estudantes de mestrado e doutorado de programas de Pós-Graduação nas áreas de: Ciências Biológicas; Agronomia; Genética e Melhoramento; Biodiversidade; Biotecnologia; Microbiologia; Ecologia; Zootecnia; Medicina Veterinária; Ciências Ambientais; Engenharia Florestal; Bioinformática; áreas correlatas. 6. Formato da disciplina: A disciplina será oferecida em formato 100% online, com atividades síncronas e assíncronas. Atividades síncronas: Aulas e palestras online com docentes e especialistas convidados. Atividades assíncronas: leitura de artigos, vídeos complementares, fóruns de discussão, preparação de seminários e elaboração de trabalho final. Estratégia pedagógica: A disciplina será organizada em torno de palestras temáticas, seguidas de discussão orientada e de análise de estudos de caso. Cada módulo apresentará uma tecnologia genômica ou uma aplicação estratégica. 7. Conteúdo programático: Módulo 1: Fundamentos da genômica contemporânea Carga horária: 6 horas Conceitos centrais: genoma, genes, regiões regulatórias, variantes genéticas e anotação funcional. Evolução das tecnologias genômicas. Sequenciamento de Sanger, short reads, long reads e telômero a telômero. Bancos públicos de dados genômicos. Aplicações gerais da genômica na biologia moderna. Módulo 2: Tecnologias de sequenciamento e geração de dados Carga horária: 6 horas Plataformas Illumina, PacBio, Oxford Nanopore e tecnologias emergentes. Sequenciamento de genomas completos. Sequenciamento de amplicons. Metagenômica shotgun. RNA-Seq e transcriptômica. Critérios para escolha da tecnologia de sequenciamento em função da pergunta biológica. Módulo 3: Bioinformática, bancos de dados e interpretação funcional Carga horária: 6 horas Controle de qualidade de dados genômicos. Montagem, mapeamento e anotação de genomas. BLAST, bancos de genes, bancos de proteínas e bancos funcionais. Anotação de vias metabólicas e inferência funcional. Reprodutibilidade, pipelines e boas práticas em análise genômica. Introdução ao uso de inteligência artificial e de aprendizado de máquina em genômica. Módulo 4: Microbiômica, metagenômica e bioinsumos Carga horária: 6 horas Conceitos de microbioma, microbiota e holobionte. Metabarcoding 16S, ITS e 18S. Metagenômica shotgun e metatranscriptômica. Microbiomas de solo, plantas, animais e insetos. Prospecção de micro-organismos promotores de crescimento vegetal. Bioinsumos, biofertilizantes, biocontrole e saúde do solo. Módulo 5: Genômica, biodiversidade e conservação Carga horária: 6 horas Genômica populacional e conservação genética. DNA ambiental e biomonitoramento. Código de barras de DNA e metabarcoding ambiental. Genômica de espécies ameaçadas. Monitoramento de biodiversidade em ecossistemas terrestres e aquáticos. Aplicações em restauração ecológica e manejo de paisagens. Módulo 6: Genômica e soluções baseadas na natureza Carga horária: 6 horas Conceitos de soluções baseadas na natureza. Genômica aplicada à restauração ecológica. Microbiomas associados à recuperação de solos degradados. Genômica de plantas e microrganismos em sistemas agroflorestais. Biodiversidade funcional e serviços ecossistêmicos. Aplicações em adaptação climática, bioeconomia e sustentabilidade. Módulo 7: Genômica de organelas, filogenômica e evolução Carga horária: 4 horas Genomas mitocondriais e plastidiais. Montagem e anotação de genomas organelares. Genômica comparativa de organelas. Filogenômica e reconstrução evolutiva. Aplicações em sistemática, evolução e identificação de linhagens. Módulo 8: Edição genômica, biologia sintética e biossegurança Carga horária: 6 horas Fundamentos de CRISPR-Cas e edição genômica. Aplicações em plantas, microrganismos e animais. Biologia sintética e desenho de sistemas biológicos. Biossegurança, regulação e avaliação de risco. Aspectos éticos e sociais da aplicação de tecnologias genômicas. Limites e oportunidades para a agricultura e bioeconomia. Módulo 9: Estudos de caso com palestrantes convidados Carga horária: 8 horas Seminários com palestrantes nacionais e internacionais abordando aplicações atuais de genômica em: Agricultura regenerativa. Bioinsumos e microbiomas agrícolas. Melhoramento genômico. Conservação da biodiversidade. Soluções baseadas na natureza. Genômica de ecossistemas tropicais. Genômica e adaptação às mudanças climáticas. Inovação, transferência tecnológica e bioeconomia. 8. Distribuição da carga horária: Aulas síncronas expositivas: 24 horas Palestras com convidados: 16 horas Discussão de artigos e estudos de caso: 8 horas Atividades assíncronas orientadas: 8 horas Trabalho final e apresentação: 4 horas Total: 60 horas 9. Palestrantes convidados e perfil sugerido: A disciplina poderá contar com palestrantes nacionais e internacionais com atuação em: Genômica vegetal e melhoramento genético. Genômica animal aplicada à produção sustentável. Genômica de microrganismos e bioinsumos. Microbiômica de solos, plantas, insetos e ambientes naturais. Metagenômica e bioinformática. DNA ambiental e biomonitoramento. Genômica da conservação. Genômica de organelas e filogenômica. Edição genômica e biologia sintética. Soluções baseadas na natureza, na restauração ecológica e nas atividades humanas sustentáveis 10. Metodologia: A disciplina será desenvolvida por meio de aulas online, palestras especializadas, leitura crítica de artigos, discussão de estudos de caso e elaboração de um trabalho final. As atividades síncronas terão como foco a apresentação e discussão de tecnologias e aplicações genômicas. As atividades assíncronas serão destinadas à leitura, à preparação de perguntas para os palestrantes, à análise de materiais complementares e ao desenvolvimento do trabalho final. O trabalho final consistirá na elaboração de uma proposta breve de aplicação de tecnologia genômica a um problema relacionado à agricultura, à biodiversidade, à bioeconomia ou a soluções baseadas na natureza. 11. Avaliação: A avaliação será composta por: Participação nas aulas e discussões online: 20% Resenhas ou comentários críticos sobre artigos e palestras: 20% Trabalho final escrito: 20% Apresentação online do trabalho final: 20% Total: 100% 12. Trabalho final: Cada aluno deverá elaborar uma proposta sintética de aplicação genômica, contendo: Problema biológico, agrícola ou socioambiental a ser enfrentado. Justificativa científica. Tecnologia genômica selecionada. Tipo de dado a ser gerado ou analisado. Estratégia geral de análise. Potencial aplicação em agricultura, conservação, bioeconomia ou soluções baseadas na natureza. Limitações técnicas, éticas ou regulatórias. Exemplos de temas: Uso de microbiômica para desenvolver bioinsumos agrícolas; Metagenômica de solos em áreas de restauração; Seleção genômica para tolerância à seca; DNA ambiental para monitoramento de biodiversidade; Genômica de patógenos; Genômica de plantas nativas para restauração ecológica; Genomas organelares em sistemática e conservação; Genômica aplicada à resposta a estresses ambientais. 13. Bibliografia básica: Alberts, B. et al. Biologia Molecular da Célula. Artmed. Brown, T. A. Genomes. Garland Science. Gibson, G.; Muse, S. V. A Primer of Genome Science. Sinauer Associates. Pevsner, J. Bioinformatics and Functional Genomics. Wiley-Blackwell. Compeau, P.; Pevzner, P. Bioinformatics Algorithms: An Active Learning Approach. Active Learning Publishers. Bock, R.; Knoop, V. Genomics of Chloroplasts and Mitochondria. Springer. Page, R. D. M.; Holmes, E. C. Molecular Evolution: A Phylogenetic Approach. Wiley-Blackwell. DeSalle, R.; Giribet, G.; Wheeler, W. Molecular Systematics and Evolution: Theory and Practice. Springer. 14. Bibliografia complementar e artigos recomendados: Callahan, B. J. et al. DADA2: High-resolution sample inference from Illumina amplicon data. Nature Methods. McMurdie, P. J.; Holmes, S. phyloseq: an R package for reproducible interactive analysis and graphics of microbiome census data. PLOS ONE. Altschul, S. F. et al. Basic local alignment search tool. Journal of Molecular Biology. Altschul, S. F. et al. Gapped BLAST and PSI-BLAST. Nucleic Acids Research. Artigos recentes de revisão sobre genômica aplicada à agricultura, microbiomas, DNA ambiental, soluções baseadas na natureza, bioinsumos, edição genômica e bioeconomia poderão ser indicados a cada oferta da disciplina, conforme o perfil dos palestrantes convidados. 15. Periódicos recomendados: Nature GeneticsNature BiotechnologyNature PlantsGenome BiologyGenome ResearchThe ISME JournalMicrobiomeMolecular EcologyMolecular Phylogenetics and EvolutionFrontiers in Plant SciencePlant Biotechnology JournalEnvironmental DNAScientific ReportsGenetics and Molecular Biology 16. Critérios de aprovação: Será considerado aprovado o aluno que: Cumprir a frequência mínima exigida pelo Programa de Pós-Graduação; Participar das atividades síncronas e assíncronas; Entregar as atividades avaliativas; Apresentar desempenho satisfatório no trabalho final.
- Pesquisadora Neidiquele Silveira fala sobre desafios ambientais e soluções sustentáveis nos Seminários Charles Darwin
Por Emerson José Na última terça-feira (23), os Seminários Charles Darwin receberam a professora e pesquisadora Neidiquele Maria Silveira, da Unesp de Rio Claro, para a palestra "Transformando desafios ambientais em soluções sustentáveis". Durante o evento, foram apresentados caminhos para enfrentar desafios socioambientais por meio da ciência, da inovação e de práticas voltadas à sustentabilidade. Os Seminários Charles Darwin são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) que promove o diálogo entre pesquisadores, estudantes e a sociedade sobre temas relevantes para a biodiversidade, as mudanças climáticas e a conservação ambiental. A gravação da palestra será disponibilizada em breve no canal do CBioClima no YouTube. O próximo evento dos Seminários Charles Darwin ocorrerá no dia 18 de agosto com o professor e pesquisador associado ao CBioClima Guilherme Wolff.
- Estudo na Mata Atlântica revela que mamíferos moldam a fertilidade do solo nas florestas
Por Emerson José A presença de grandes mamíferos altera a composição do solo, influencia a ciclagem de nutrientes e afeta o funcionamento das florestas tropicais Um estudo recém-publicado na revista científica Ecological Monographs intitulado Mammals’ Zoogeochemical Effects Change Litter and Soil Biogeochemistry in a Tropical Rainforest demonstra que os mamíferos, além de dispersarem sementes e contribuírem na manutenção do equilíbrio ecológico, também modificam diretamente as características químicas do solo e contribuem para processos fundamentais da ciclagem de nutrientes nas florestas tropicais. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Unesp e colaboradores internacionais, sob a liderança de Letícia Gonçalves Ribeiro, e contou com a participação do pesquisador Mauro Galetti, coordenador de Disseminação do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), sediado na Unesp de Rio Claro. Os resultados indicam que a biomassa (quantidade de matéria viva representada pelos mamíferos presentes na área) pode acelerar processos ecológicos e permitir que elementos essenciais retornem ao solo e sejam reutilizados por plantas e outros organismos. Para compreender essas interações ecológicas, os pesquisadores utilizaram uma estrutura experimental instalada há 14 anos em uma área de Mata Atlântica. Algumas parcelas permaneceram abertas à circulação dos animais, enquanto outras foram cercadas para impedir a entrada dos mamíferos terrestres. Ao longo de um ano, a equipe monitorou a presença dos mamíferos, estimou sua biomassa e coletou amostras de solo e serrapilheira (camada de matéria orgânica acumulada sobre o chão da floresta) durante as estações seca e chuvosa. A biomassa registrada foi composta principalmente por grandes frugívoros, como antas, queixadas e veados, além de mamíferos de médio e pequeno porte. Os cientistas analisaram uma série de variáveis químicas e biológicas relacionadas ao funcionamento do solo, incluindo nutrientes, matéria orgânica, atividade microbiana, densidade do solo e composição da serrapilheira. Entre os resultados observados, destaca-se o aumento do pH do solo nas áreas frequentadas pelos animais. “Até agora não tínhamos dados sobre o papel dos grandes mamíferos tropicais no solo das florestas, por isso esse trabalho cobre uma lacuna enorme em nosso conhecimento”, complementa Mauro Galetti, um dos autores do trabalho. “Esses resultados ampliam a compreensão sobre o papel ecológico de grandes mamíferos como antas e queixadas nas florestas tropicais. Tradicionalmente, esses animais são reconhecidos principalmente pela dispersão de sementes e pelos efeitos sobre a vegetação. No entanto, o estudo mostra que suas funções vão além daquilo que é visível na superfície da floresta. Espécies como a anta, ao se deslocarem e pisotearem o solo, e as queixadas, ao forragearem em grupo e revirarem o solo em busca de alimento, promovem um processo chamado bioturbação”, de acordo com Letícia. Essas ações contribuem para acelerar a decomposição da matéria orgânica e a circulação de nutrientes no ecossistema. Esse comportamento pode modificar diretamente a estrutura do solo e da serapilheira, influenciando suas propriedades físicas e químicas. Como consequência, essas alterações podem afetar a decomposição da matéria orgânica e potencialmente acelerar a ciclagem de nutrientes, evidenciando que esses mamíferos exercem um papel fundamental também nos processos subterrâneos do ecossistema. Uma das principais implicações do estudo está relacionada à perda de grandes animais nas florestas tropicais. Espécies como a anta (Tapirus terrestris) e a queixada (Tayassu pecari) vêm sofrendo declínios populacionais em diversas regiões da Mata Atlântica em razão da caça, da perda de habitat e de outras atividades humanas. De acordo com os autores, a redução desses mamíferos pode desencadear efeitos em cascata que atingem não apenas a vegetação, mas também a serrapilheira, o solo e a disponibilidade de nutrientes. Esse processo é conhecido como defaunação e pode comprometer processos ecológicos invisíveis, porém fundamentais para a manutenção da floresta. O estudo também aponta que os efeitos dos mamíferos foram mais evidentes durante a estação seca. Isso sugere que alterações nos regimes de temperatura e precipitação previstas para as próximas décadas poderão modificar a intensidade dessas interações ecológicas. Ao demonstrar que os mamíferos influenciam diretamente a química do solo e a dinâmica dos nutrientes, o estudo amplia a compreensão sobre o papel da fauna nos ecossistemas e oferece novos argumentos para políticas de conservação e restauração ambiental em biomas altamente ameaçados, como a Mata Atlântica. O estudo contou com financiamento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e está disponível na íntegra no link https://doi.org/10.1002/ecm.70070. Imagens: Letícia Gonçalves Ribeiro
- Diversidade em Foco: a pesquisadora Laurence Culot compartilha reflexões sobre diversidade, ciência e mudanças climáticas
No último dia 3 de junho o “Diversidade em Foco: Saberes e Desafios Diante das Mudanças Climáticas”, teve o prazer e receber a professora doutora Laurence Culot. A professora possui graduação em Ciências Biológicas (2003), mestrado em Ciências Biológicas - orientação biologia animal (2005) e doutorado europeu em Ciências (2009) pela Universidade de Liege (Bélgica), e doutorado com período sanduíche no Deutsches Primatenzentrum de Goettingen (Alemanha). A professora estudou os primatas na África (Guiné), na Amazônia (Peru) e agora na Mata Atlântica brasileira. Sua principal área de interesse é a ecologia de primatas em geral, na qual investiga o potencial de resiliência dos primatas na paisagem, usando uma abordagem multidisciplinar (ecologia comportamental, ecologia da paisagem, ecologia de movimento, fisiologia, saúde única, e genética da conservação). Uma trajetória construída entre continentes Intitulada “Primatas, Fronteiras e Maternidade: cruzando fronteiras – reflexões de uma primatóloga sobre diversidade na ciência”, a palestra reuniu experiências acumuladas ao longo de mais de duas décadas de atuação em diferentes países, destacando como a diversidade de perspectivas é fundamental para enfrentar os desafios científicos e socioambientais contemporâneos. Laurence apresentou ainda uma reflexão pessoal e profissional sobre os caminhos que a levaram da Bélgica à América Latina, discutindo temas como gênero na ciência, maternidade, internacionalização da pesquisa e a necessidade de descolonizar a produção do conhecimento. Culot contou sobre o início de sua carreira, marcada por uma viagem à Guiné, na África Ocidental, estudando babuínos em uma experiência que descreveu como seu primeiro grande choque cultural. Mais tarde, realizou seu doutorado na Amazônia peruana, investigando espécies de saguis e aprofundando sua convivência com comunidades locais. A pesquisadora também passou pelo Centro Alemão de Primatas, na Alemanha, durante o doutorado, experiência que ampliou suas redes internacionais de pesquisa. Desde 2010, desenvolve sua carreira acadêmica no Brasil, onde realizou pós-doutorado e, posteriormente, tornou-se docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro. Ao longo da apresentação, ela destacou que sua trajetória foi marcada pelo constante cruzamento de fronteiras geográficas, culturais e linguísticas, experiências que moldaram sua forma de compreender a ciência e sua relação com as sociedades onde ela é produzida. Mulheres na primatologia Outro tema presente na palestra foi a forte presença feminina na primatologia, por meio de dados que mostram que a participação de mulheres na área historicamente supera a observada em outras ciências da vida. Segundo a pesquisadora, esse cenário pode ser explicado por diferentes fatores, incluindo o surgimento relativamente recente da primatologia como campo científico, o crescimento da área durante períodos de intensa mobilização dos movimentos femininos e sua proximidade com disciplinas tradicionalmente mais abertas à participação das mulheres, como psicologia, antropologia e comportamento animal. A professora relembrou também o papel das pioneiras conhecidas como as “Trimates” de Louis Leakey — Jane Goodall, Dian Fossey e Birutė Galdikas — que transformaram a pesquisa de campo com primatas e abriram caminho para gerações de mulheres cientistas. Apesar dos avanços, a palestrante destacou que desigualdades persistem. “Embora haja grande presença feminina na formação e na pesquisa, homens ainda ocupam, proporcionalmente, mais posições de liderança acadêmica, refletindo a permanência de barreiras estruturais na carreira científica”, enfatizou Laurence. Ciência, maternidade e os desafios da mobilidade A conciliação entre a carreira científica e a maternidade também esteve presente na fala de Culot, que compartilhou reflexões sobre como a chegada dos filhos altera a dinâmica do trabalho de campo, a disponibilidade de tempo, a mobilidade internacional e até mesmo a forma de lidar com situações de risco em ambientes remotos. A pesquisadora também discutiu os desafios enfrentados por mulheres que realizam trabalho de campo sozinhas, especialmente em regiões isoladas. Questões relacionadas à segurança, à necessidade constante de demonstrar credibilidade profissional e à complexa logística de viagens internacionais fazem parte da realidade de muitas cientistas. Para ela, reconhecer essas dificuldades é fundamental para construir ambientes acadêmicos mais inclusivos e capazes de acolher diferentes trajetórias profissionais. A importância de descolonizar a ciência Na parte final da palestra, Culot abordou um tema cada vez mais presente nos debates científicos: a descolonização da produção do conhecimento. ELa refletiu sobre a lógica histórica que frequentemente coloca instituições do Norte Global como financiadoras, formuladoras de teorias e principais beneficiárias do reconhecimento científico, enquanto países do Sul Global permanecem associados principalmente à coleta de dados e ao fornecimento de áreas de estudo. Segundo ela, sua própria percepção sobre essas desigualdades mudou ao longo dos anos. Se no início da carreira tinha pouca consciência dessas dinâmicas, a experiência de construir sua trajetória acadêmica no Brasil permitiu que observasse de forma mais crítica o eurocentrismo presente em diversos espaços científicos. Nesse contexto, defendeu a valorização da ciência produzida no Sul Global, baseada em parcerias genuínas, no reconhecimento do papel de pesquisadores locais e na construção conjunta do conhecimento com as comunidades envolvidas. Diversidade para enfrentar os desafios do futuro Ao encerrar sua apresentação, Laurence Culot destacou que a convivência com os primatas ao longo de décadas lhe ensinou uma importante lição sobre cooperação e sobrevivência coletiva. “Observar primatas por décadas ensina que hierarquia sem cuidado não sustenta grupo nenhum. Ciência sem equidade não sustenta conhecimento nenhum”, concluiu. Assista a palestra completa no YouTube do CBioClima: https://youtu.be/UAPJ3NQB2tE












