top of page
Buscar

Estratégias inovadoras para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na agricultura e na restauração florestal foi tema do Diversidade em Foco

  • Foto do escritor: cbioclimamidia
    cbioclimamidia
  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Por Carolina Ferreira Medeiros


A seca tem se consolidado como uma das maiores ameaças ambientais do século XXI. Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, a escassez hídrica compromete processos fundamentais para o desenvolvimento vegetal, afetando a germinação das sementes, a produtividade agrícola e a recuperação de ecossistemas degradados.

Esse foi o tema central da apresentação “Transformando desafios ambientais em soluções sustentáveis: como podemos tornar as plantas mais tolerantes aos períodos secos”, ministrada pela professora doutora Neidiquele Maria Silveira no ciclo de debates “Diversidade em Foco – saberes e desafios diante das mudanças climáticas”, que ocorreu no último dia 20 de maio, no Instituto de Biologia da Unicamp.

Professora do Departamento de Biodiversidade do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Neidiquele desenvolve pesquisas na área de fisiologia vegetal, com foco em estresses abióticos, mecanismos de sinalização e aplicações da nanobiotecnologia na agricultura e na ciência ambiental.

Estudos voltados para as questões de escassez hídrica

Durante a apresentação, a pesquisadora destacou que a crescente frequência e intensidade das secas representam desafios que extrapolam a produção agrícola, alcançando também a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar. “A perda de biodiversidade e a insegurança alimentar são consequências diretas do déficit hídrico crescente”, ressaltou a pesquisadora ao contextualizar os impactos do problema.


Inovação para enfrentar a seca

Como alternativa aos efeitos causados pela falta de água, a pesquisa conduzida pela professora explora o uso de moléculas sinalizadoras associadas à nanotecnologia para aumentar a capacidade de adaptação das plantas em condições adversas. As estratégias envolvem a utilização de compostos capazes de liberar moléculas naturalmente produzidas pelas plantas, como o óxido nítrico (NO) e o sulfeto de hidrogênio (H₂S), que atuam em processos fisiológicos relacionados à resposta ao estresse.

Segundo a pesquisadora, embora essas moléculas sejam produzidas naturalmente pelos organismos vegetais, sua aplicação externa por meio de sistemas encapsulados pode aumentar a eficiência da resposta biológica. O encapsulamento em matrizes biodegradáveis, como a quitosana e nanopartículas lipídicas, permite maior estabilidade das moléculas, reduzindo perdas por degradação e promovendo uma liberação mais controlada. Os resultados obtidos até o momento apontam potencial para ampliar a tolerância das plantas à seca ao utilizar concentrações menores dos compostos, tornando a estratégia mais eficiente e sustentável.


Aplicações na agricultura e na restauração florestal

No setor agrícola, estudos realizados com feijoeiro indicam que o encapsulamento de doadores de NO e H₂S pode aumentar a resistência das plantas à deficiência hídrica durante a germinação. Em culturas como o citros, nanopartículas liberadoras de óxido nítrico também vêm sendo investigadas como ferramenta para melhorar a resposta das plantas à seca.

Outro destaque foi o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a pós-colheita. Um dos estudos resultou no depósito de uma patente que utiliza nanopartículas poliméricas contendo doadores de óxido nítrico para retardar o amadurecimento de frutos, prolongando sua conservação e reduzindo perdas alimentares.

As aplicações também alcançam a restauração florestal. A pesquisadora explicou que a elevada mortalidade de mudas após o plantio, especialmente em períodos de escassez hídrica, representa um dos principais obstáculos para projetos de recuperação ambiental. Nesse contexto, a nanobiotecnologia surge como uma alternativa promissora para aumentar a sobrevivência de espécies nativas e favorecer o estabelecimento de áreas restauradas.


Pesquisa multidisciplinar e desafios futuros

Apesar dos resultados promissores, a professora ressaltou que ainda existem questões importantes a serem investigadas. Entre elas estão o destino dos nanomateriais nos tecidos vegetais, seus possíveis impactos ambientais e a aceitação social dessas tecnologias. A abordagem multidisciplinar, segundo a pesquisadora, é essencial para transformar avanços científicos em soluções capazes de gerar impactos concretos para a sociedade.

Entre os benefícios esperados estão o aumento da segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas degradadas, contribuindo também para estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Ao fim da apresentação, a pesquisadora reforçou que desenvolver plantas mais resistentes às condições ambientais extremas representa não apenas um desafio científico, mas uma necessidade diante das transformações climáticas em curso.


 

 
 
 

Comentários


Marca-Cbio-principal-laranja-sem-fundo-com-legenda-pt.png

Acesse nossas mídias sociais e acompanhe as novidades. 

  • Spotify
  • Facebook
  • Instagram
  • Youtube
  • LinkedIn
  • linktree-logo-icon
  • vecteezy_threads-social-media-logo-icon_26845713

Instituição-sede

Instituto de Biociências - UNESP - Universidade Estadual Paulista.
Av. 24A, 1515 – CEP: 13506-900, Bairro Bela Vista, Rio Claro, SP.

Telefone: +55 19 3526-4216

Deixe seu e-mail para receber as notícias.

bottom of page