CBioClima participa do XX Congresso Internacional da IUSSI, na Alemanha

Por Emerson José
O vice-diretor do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Maurício Bacci, participou juntamente com uma delegação de pesquisadores do XX Congresso Internacional da IUSSI (International Union for the Study of Social Insects ou União Internacional para o Estudo de Insetos Sociais), em Freiburg, na Alemanha, em agosto.
A IUSSI é uma sociedade científica mundial dedicada a promover o estudo de artrópodes sociais (como formigas, abelhas, vespas e cupins), sua biologia, comportamento, evolução e ecologia.
O pesquisador de pós-doutorado Alan Cerqueira apresentou o trabalho sobre “A diversidade da microbiota bacteriana associada à formiga-cortadeira Atta sexdens em diferentes regiões do Brasil”. O estudo revelou a presença de bactérias abundantes e amplamente distribuídas entre as populações, incluindo possíveis associações simbióticas ainda pouco conhecidas e linhagens potencialmente especializadas em insetos.
Já a pesquisadora de pós-doutorado Karine Ribeiro apresentou trabalho acerca do “Isolamento reprodutivo entre duas linhagens mitocondriais de Atta laevigata”, que ocorrem de forma simpátrica no sudeste do Brasil. Seus resultados indicam que essas barreiras são incompletas e que há sobreposição temporal na atividade reprodutiva. Assim, a diversificação observada em A. laevigata pode representar um processo evolutivo em andamento.
A pesquisadora de Doutorado Lara Santello, por sua vez, apresentou o trabalho no qual investigou “As comunidades bacterianas e fúngicas associadas a Atta sexdens”, incluindo as formigas, o jardim de fungo e o solo ao longo de um gradiente de 0 a 5 m do ninho, utilizando metabarcoding de 16S rRNA e ITS2.
O pesquisador de pós-doutorado Geovanny Barroso apresentou trabalho referente aos “Efeitos da exposição subletal ao fungicida mancozebe em duas espécies de abelhas sem ferrão brasileiras, Scaptotrigona aff. postica e Tetragonisca angustula”. Os resultados mostram alterações sutis na microbiota intestinal bacteriana e fúngica das abelhas, com maior sensibilidade dos fungos, incluindo a redução das leveduras Rhodotorula e Metchnikowia. Além disso, foram observados danos no epitélio do intestino médio dos indivíduos expostos, evidenciando impactos subletais (que não matam) do fungicida sobre a saúde intestinal das abelhas.
Ademais, o pesquisador de doutorado Lucas Miotelo apresentou pesquisa sobre “Os efeitos do inseticida sulfoxaflor”, que pode estar presente no néctar e no pólen, no cérebro da mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides), uma abelha sem ferrão nativa do Brasil. Os resultados mostraram que, mesmo ingerindo uma dose subletal do inseticida, ou seja, uma dose que não as mata, as abelhas sofrem alterações na expressão de genes do cérebro ligados a desintoxicação, metabolismo, estrutura e organização celular e atividade neuronal. Isso reforça a importância de incluir as abelhas nativas na avaliação de risco de agrotóxicos, que hoje se baseia, quase que exclusivamente, na abelha Apis mellifera.
Por fim, o professor Maurício Bacci Junior apresentou estudo realizado por pesquisadores da Unesp de Rio Claro e da Fiocruz, que buscou identificar genes candidatos para futuras pesquisas sobre inseticidas moleculares voltados ao manejo de formigas cortadeiras. Foram comparadas sequências de genes expressos em Atta sexdens e Atta laevigata, identificando genes conservados e genes com variações entre as duas espécies. Entre eles, foram encontrados genes relacionados, em outros insetos, a processos como desenvolvimento, formação da cutícula e detoxificação de substâncias. A análise permitiu selecionar 16 genes candidatos para futuras investigações sobre alvos moleculares para o controle dessas formigas.
Os resultados fornecem novas bases para o desenvolvimento de estratégias mais específicas e inovadoras de manejo de formigas cortadeiras.
*com informações do pós-doutorando Alan Cerqueira.



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