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Gravações sonoras de anfíbios no Brasil revelam viés geográfico e taxonômico

  • Foto do escritor: cbioclimamidia
    cbioclimamidia
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Por Emerson José


Um estudo recente, com participação de pesquisadores da Unesp e publicado em dezembro na Biological Journal of the Linnean Society, revela que as gravações sonoras de anfíbios no Brasil apresentam fortes vieses geográficos e taxonômicos. A pesquisa identificou 26 espécies de anfíbios cujas vocalizações ainda não haviam sido descritas pela ciência, evidenciando lacunas no conhecimento bioacústico da fauna brasileira.


O artigo, intitulado “Amphibian sound recordings in Brazil are geographically and taxonomically biased and cover less than two-thirds of native species”, foi elaborado com a participação de pesquisadores associados ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), sediado no câmpus de Rio Claro da Unesp.


Com mais de 1.250 espécies, o Brasil abriga a maior diversidade de anfíbios do mundo. O estudo apresenta uma visão geral de 15 coleções sonoras mantidas por instituições brasileiras, que reúnem gravações de vocalizações utilizadas em estudos comportamentais, ecológicos e taxonômicos. Foram analisadas 25.385 gravações, que resultaram em uma lista de espécies, entre as quais 26 apresentam vocalizações descritas pela primeira vez. As famílias mais representadas foram Hylidae (48%) e Leptodactylidae (21%). Considerando todas as coleções, foram representadas 798 espécies pertencentes a 24 famílias, com 22.298 registros de 725 espécies nativas e 178 registros de 73 espécies que não ocorrem no país. Embora a maior parte das gravações tenha sido obtida no território brasileiro, também foram identificados registros de outros 17 países, que representam 1,4% do total de dados.


Nos anuros — grupo de anfíbios que inclui sapos, rãs e pererecas — a comunicação acústica desempenha papel fundamental em diferentes etapas do ciclo de vida, como reprodução e defesa territorial. Avaliar espécies e seus metadados por meio de coleções sonoras constitui uma estratégia relevante para identificar lacunas de conhecimento e orientar pesquisas futuras em bioacústica.


Ao realizar a primeira avaliação em larga escala de gravações de anuros depositadas em coleções sonoras no Brasil, o estudo identificou vieses taxonômicos, filogenéticos e geográficos na distribuição dos registros. Esses acervos abrangem cerca de 60% das 1.250 espécies de anuros atualmente registradas no Brasil, reforçando a existência de lacunas significativas no conhecimento bioacústico.


A análise dos acervos bioacústicos revelou que mais de 30% das espécies nativas não estão representadas em coleções de áudio, o que evidencia a necessidade de ampliar e diversificar esses registros. O estudo também destaca a importância de criar novas coleções bioacústicas e de estimular maior participação da sociedade civil na produção de dados, especialmente em regiões atualmente sub-representadas.


Para os autores, ampliar e diversificar as coleções de sons é essencial para avançar no conhecimento da biodiversidade e apoiar estratégias de conservação. Investir em novos registros e em maior participação social pode contribuir para revelar a riqueza sonora ainda pouco conhecida dos anfíbios brasileiros.



O estudo pode ser acessado na íntegra em: https://doi.org/10.1093/biolinnean/blaf106.



 
 
 

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