Os polinizadores e as interações com as flores na paisagem urbana são tema dos Seminários Charles Darwin
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Por Emerson José
Os Seminários Charles Darwin receberam nessa terça-feira (28) o pesquisador Pietro K. Maruyama para palestra sobre “Os polinizadores e as interações com as flores na paisagem urbana”. Os Seminários são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Cepid sediado na Unesp de Rio Claro.
Segundo Pietro, os centros urbanos podem sustentar uma vida animal e vegetal vibrante, mas desigualdades sociais e planejamento verde ainda são desafios. As cidades não podem ser entendidas simplesmente como “desertos biológicos”. Abelhas, beijas-flores e outros polinizadores sobrevivem em meio ao asfalto e concreto.
Até 2050, quase 70% da população mundial viverá em cidades. Esse crescimento pressiona a biodiversidade, mas também abre espaço para repensarmos o papel dos espaços verdes urbanos. Parques, jardins e árvores de rua não são apenas bonitos: eles prestam serviços ecossistenciais importantes, como a polinização, que garante a produção de alimentos e a manutenção das plantas.
No entanto, a distribuição desses recursos não é igualitária. Estudos citados por Maruyama mostram que fatores socioeconômicos influenciam diretamente a diversidade de plantas e polinizadores nas cidades. Um levantamento global com 457 estudos identificou mais de 3.100 espécies de polinizadores em cidades de 46 países. Entre elas, 1.699 são abelhas — incluindo a conhecida Apis mellifera (abelha-europeia) e espécies nativas como Bombus terrestris e Trigona spinipes.
Em Belo Horizonte (MG), por exemplo, pesquisadores documentaram interações entre essas aves e plantas nativas e exóticas, mostrando que espécies não nativas podem complementar a oferta de flores em períodos de escassez, o que representa achado importante para o planejamento urbano.
Um estudo detalhado da arborização de Belo Horizonte revelou 359 espécies de árvores, totalizando mais de 216 mil indivíduos. Ao cruzar esses dados com a literatura sobre polinizadores, os cientistas descobriram que muitas dessas árvores são fontes importantes de néctar e pólen, mas há desigualdades: bairros de maior renda concentram maior diversidade de plantas atrativas para polinizadores.
A urbanização não afeta apenas a quantidade de polinizadores, mas também a forma como eles interagem com as plantas. A urbanização tende a simplificar essas redes, tornando as interações mais generalistas, ou seja, polinizadores menos especialistas e plantas mais comuns.
Plantar árvores atrativas para polinizadores, garantir a conectividade entre parques e praças e incluir espécies nativas e exóticas de forma complementar são estratégias promissoras. Mas é essencial que esses benefícios não fiquem restritos a bairros ricos.
Como conclui Maruyama em sua palestra, “o futuro da polinização nas cidades depende tanto da biologia quanto da justiça social”.
A palestra será disponibilizada no canal do CBioClima em breve. No dia 19 de maio, o pesquisador Lucas Ferrante se apresentará nos Seminários, às 13h, no Anfiteatro II do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.






















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