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Reflexão crítica sobre a "Monocultura do saber" pauta debate sobre trajetórias e enfrentamento da crise climática

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    cbioclimamidia
  • há 9 horas
  • 3 min de leitura

Por: Gabriela Andrietta

A palestra "Crise climática e monocultura do saber: a diversidade como sementes de futuros possíveis", apresentada durante o Ciclo de Palestras “Diversidade em Foco: Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas”, realizada no dia 11 de março, na sala de defesas do prédio da Pós-graduação do Instituto de Biologia da Unicamp. A convidada foi a mestranda em Ecologia do IB/Unicamp Bruna Vaz, que também integra o Coletivo Emergência Climática (ColEC) da Universidade.

Formada em Biologia pela USP de Ribeirão Preto, Bruna desenvolve o seu mestrado sob orientação da professora Simone Vieira, investigando temas relacionados à dinâmica e conservação dos ecossistemas. Durante a sua fala, ela compartilhou reflexões sobre sua trajetória pessoal e acadêmica, marcada pelo amor pela natureza e pela busca por compreender, de forma mais ampla, os desafios sociais da crise climática.

Ao longo da sua formação, Bruna destacou a importância da objetividade científica, baseada em dados, fatos e referências, mas também ressaltou a necessidade de questionar a ideia de que soluções exclusivamente tecnológicas seriam suficientes para resolver os problemas ambientais.

Um momento importante em sua trajetória foi um intercâmbio na Universidade da Califórnia, onde teve contato com experiências em agroecologia. “Percebi que diferentes trajetórias, culturas e formas de conhecimento podem ajudar a solucionar problemas coletivos”, afirmou.

Durante sua formação, Bruna também destacou a importância da experiência em laboratório, especialmente no LEME (Laboratório de Ecologia e Evolução) e no LAECA (Laboratório de Ecologia e Aplicações da Ecologia). Segundo ela, o mestrado é também um momento de choques de realidade, no qual o estudante passa a compreender melhor como funciona o mundo acadêmico e científico.

Nesse processo, o apoio de colegas e de uma orientação humana, que incentiva, apoia e reconhece as vulnerabilidades do processo científico, foi fundamental para atravessar os desafios da pós-graduação.

Outro ponto central de sua palestra foi a crítica à chamada “monocultura do saber” — uma visão construída a partir de um único referencial de conhecimento. Para Bruna, essa perspectiva pode limitar a compreensão dos problemas socioambientais e gerar impactos negativos tanto no nível individual como coletivo.

Nesse sentido, ela defendeu que a diversidade de perspectivas e saberes é essencial para enfrentar a crise climática. Entre as mulheres que contribuíram para romper paradigmas na ciência, Bruna mencionou pesquisadoras e pensadoras como Jane Goodall, Lynn Margulis, Donna Haraway e Vandana Shiva, cujas trajetórias abriram novos caminhos para pensar a relação entre ciência, sociedade e natureza.

Bruna também apresentou as ações do Coletivo Emergência Climática (ColEC), grupo formado por estudantes de diferentes cursos da Unicamp que atua na conscientização e no enfrentamento da crise climática por meio de iniciativas práticas e reflexivas.

Entre as atividades desenvolvidas estão plantios de agroflorestas, ações de agroecologia, workshops sobre a terra e outras atividades de resistência socioambiental. O coletivo reúne pessoas com diferentes experiências e conhecimentos, incluindo referências acadêmicas, saberes tradicionais e lideranças sociais.

Além das discussões teóricas, o grupo também busca criar espaços de reconexão com a natureza, com a comunidade e com nós mesmos, estimulando reflexões sobre a crise climática e socioambiental. A arte, a sensibilidade e outras formas de expressão aparecem como caminhos para potencializar a mobilização e ampliar o diálogo com a sociedade.

Para Bruna, enfrentar a crise climática exige mais do que respostas técnicas: exige também repensar nossos valores e formas de existir, fortalecendo iniciativas coletivas que promovam regeneração ambiental e social.

Como provocação final, ela propôs uma reflexão ao público: até que ponto a “monocultura do saber” influencia a forma como entendemos a crise climática — e como isso impacta nossas ações para transformá-la?


 
 
 

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