top of page
Buscar

Acidentes com Serpentes e Atenção à Saúde no Brasil

  • Foto do escritor: cbioclimamidia
    cbioclimamidia
  • 13 de jan.
  • 3 min de leitura

Por Dr. Thiago Salomão de Azevedo, pós-doutorando Guedes Lab/UNESP

Dra. Thais Barreto Guedes, coordenadora Guedes Lab/UNESP


Os acidentes com serpentes, que resultam na necessidade de atendimento médico, constituem importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em áreas rurais, de mata, trilhas, rios e cachoeiras. Fatores ambientais e climáticos influenciam diretamente a ocorrência desses acidentes com seres humanos, com o aumento de casos em períodos mais quentes e chuvosos do ano, coincidindo com maior atividade das serpentes e intensificação das atividades humanas ao ar livre.


Processos como o desmatamento, expansão urbana desordenada e mudanças climáticas também contribuem para o aumento do contato entre humanos e serpentes. Por sua natureza epidemiológica e toxicológica, esses acidentes com serpentes de importância médica exigem atenção imediata, manejo clínico adequado e, em muitos casos, a administração de soro antiofídico, disponibilizado de forma gratuita e sistemática pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Nesse sentido, o SUS dispõe de uma rede estruturada de vigilância, serviços de urgência e antivenenos específicos distribuídos estrategicamente em diversas unidades de referência com cobertura em todos os estados brasileiros, garantindo atendimento oportuno às vítimas de acidentes por serpentes. Esses insumos e protocolos terapêuticos são resultado de diretrizes nacionais e de ações intergovernamentais e asseguram a assistência de saúde à população em conformidade com as melhores práticas clínicas e de saúde pública.

 

CASO RECENTE

Nesse contexto, deve-se destacar que a situação recentemente relatada no sul da Bahia, na qual uma turista sofreu um acidente com serpente peçonhenta na Cachoeira do Tijuípe, no distrito de Serra Grande, município de Uruçuca, entre Ilhéus e Itacaré, configura um evento raro e excepcional. Conforme noticiado pela mídia local, a vítima foi internada em estado grave, apresentando evolução clínica complexa, que culminou na amputação de um de seus membros inferiores.


Em geral, desfechos de maior gravidade em acidentes com serpentes de importância médica estão associados a uma combinação de fatores: elevada quantidade de veneno inoculado pela serpente na vítima, o nível de gravidade do acidente, o local do corpo no qual ocorreu a picada, elevado tempo decorrido da picada até o atendimento especializado, o manejo inicial inadequado da vítima até o centro médico e falhas no atendimento prestado pelos profissionais de saúde.


Por outro lado, a evolução favorável observada na maioria dos casos é relacionada à ocorrência de picadas secas e/ou de baixa gravidade, à identificação precoce do agravo, ao acesso rápido aos serviços de saúde e profissionais capacitados, à não utilização de práticas de medicina alternativa ou tratamentos caseiros, e à administração rápida, oportuna e adequada do soro antiofídico.


Assim, apesar da triste severidade deste episódio específico, a experiência brasileira no manejo de acidentes por serpentes, que demandam atendimento médico, demonstra que a grande maioria dos casos evolui sem sequelas permanentes graves quando o atendimento é realizado de forma oportuna, protocolar e baseada em evidências.


Assim, esse caso deve ser compreendido como uma exceção clínica e circunstancial que precisa ser melhor compreendido ainda, mas que reforça a importância de ampliar a capilaridade dos serviços de urgência e emergência, especialmente em áreas remotas, fortalecer as ações de educação em saúde e de prevenção ambiental, qualificar o atendimento aos pacientes e assegurar o transporte adequado e rápido das vítimas até unidades de referência com capacidade para o manejo correto desses acidentes.


Do ponto de vista preventivo, a redução do risco de acidentes com serpentes peçonhentas depende da adoção de medidas específicas, considerando os diferentes perfis de exposição. Para trabalhadores rurais e pessoas que atuam de forma contínua em áreas de risco, recomenda-se o uso sistemático de equipamentos de proteção individual (EPIs), como botas de cano alto, perneiras e luvas apropriadas, além de capacitação periódica sobre identificação de serpentes e condutas seguras no ambiente de trabalho. Para turistas e visitantes ocasionais de áreas naturais, as medidas preventivas incluem o uso de calçados fechados e resistentes, atenção redobrada ao caminhar por trilhas, áreas de vegetação densa, rochas e troncos, bem como evitar colocar as mãos ou os pés em tocas, frestas ou sob pedras.


Em qualquer situação, ao avistar uma serpente, deve-se manter distância segura, sem tentar capturá-la ou manipulá-la. Em nível coletivo, ações de educação em saúde, sinalização adequada em áreas de risco, manejo ambiental responsável, controle do acúmulo de resíduos e fortalecimento da vigilância ambiental são estratégias fundamentais para minimizar a ocorrência desses eventos. A integração entre políticas ambientais, turísticas e de saúde pública constitui, portanto, um eixo essencial para a prevenção sustentável dos acidentes ofídicos, promovendo segurança tanto para populações locais quanto para visitantes.



 
 
 

Comentários


Marca-Cbio-principal-laranja-sem-fundo-com-legenda-pt.png

Acesse nossas mídias sociais e acompanhe as novidades. 

  • Spotify
  • Facebook
  • Instagram
  • Youtube
  • LinkedIn
  • linktree-logo-icon
  • vecteezy_threads-social-media-logo-icon_26845713

Instituição-sede

Instituto de Biociências - UNESP - Universidade Estadual Paulista.
Av. 24A, 1515 – CEP: 13506-900, Bairro Bela Vista, Rio Claro, SP.

Telefone: +55 19 3526-4216

Deixe seu e-mail para receber as notícias.

bottom of page