Naldo Tukano debate memória, território e preservação das línguas indígenas em palestra no CBioClima
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- há 20 horas
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O último Diversidade em Foco - saberes e desafios diante das mudanças climáticas contou com a presença do pesquisador, educador e ativista indígena Naldo Tukano. Naldo, é estudante de Linguística na UNICAMP, desenvolve pesquisas voltadas à documentação, fortalecimento e inserção das línguas indígenas em contextos acadêmicos e digitais.
Naldo conduziu uma palestra marcada por reflexões sobre memória, identidade, direitos linguísticos e os impactos históricos da colonização sobre os povos originários. Pertencente ao povo Ye’pá Mahsã (Tukano), do Amazonas, Naldo compartilhou experiências pessoais, dados históricos e críticas ao apagamento cultural indígena, estabelecendo um diálogo profundo sobre a relação entre território, linguagem e existência.

No início de sua fala, Naldo apresentou sua trajetória acadêmica e política, explicando a origem de seu nome e destacando a importância da identidade dos povos originários para além da nomenclatura genérica “indígena”. Segundo ele, o termo é uma construção política utilizada para agrupar populações historicamente colocadas em situação de vulnerabilidade, apagando a diversidade de povos, culturas e línguas existentes no Brasil.
Durante a palestra, o pesquisador também abordou os impactos emocionais e psicológicos vividos por comunidades indígenas durante a pandemia, relacionando esse período ao agravamento de desigualdades históricas e à intensificação do isolamento social e territorial enfrentado pelos povos originários.
Em um dos momentos centrais da fala, Naldo apresentou dados sobre a redução das línguas indígenas desde a chegada dos portugueses ao território brasileiro. A partir desse panorama histórico, discutiu como os processos de colonização promoveram não apenas a ocupação territorial, mas também a destruição sistemática de culturas, saberes e formas de existência.
Para ele, o apagamento das línguas indígenas representa uma tentativa contínua de eliminação da memória coletiva desses povos. Ao tratar da escravidão indígena, Naldo relembrou práticas historicamente invisibilizadas, destacando o papel dos povos originários na construção econômica do país, em atividades como agricultura, carpintaria e produção agrícola, incluindo cultivos como mandioca e cana-de-açúcar. O pesquisador também mencionou a chamada “escravidão do pensamento”, relacionada aos processos de imposição religiosa e cultural sofridos ao longo dos séculos.
Outro ponto abordado foi a exploração econômica dos territórios indígenas e a transformação do uso da terra em diferentes regiões do país. Naldo citou a sequência histórica de ocupação no Mato Grosso — marcada pela exploração da madeira, carvão, criação de gado e produção de grãos — como exemplo dos impactos do avanço econômico sobre os territórios tradicionais.
Ao longo da palestra, o pesquisador reforçou que os povos indígenas continuam sendo colocados à margem da sociedade brasileira e frequentemente vistos como invasores de suas próprias terras. Segundo ele, existe uma desvalorização estrutural da vida indígena, acompanhada pela tentativa constante de interromper a transmissão cultural entre gerações. “A luta agora é contra o apagamento da nossa memória”, afirmou.
Naldo também chamou atenção para a necessidade de uma relação mais ética entre universidades e povos originários. Para ele, é fundamental que as instituições acadêmicas deixem de apenas se apropriar dos conhecimentos indígenas e passem a construir relações de parceria e fortalecimento coletivo.




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