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Como o sensoriamento remoto ajuda a medir a biomassa de savanas e florestas secas

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    cbioclimamidia
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

Por Emerson José


Um estudo recém-publicado na revista científica Remote Sensing of Environment analisou os fatores que influenciam o sinal de Radar de Abertura Sintética (SAR) em banda L utilizado para estimar a biomassa vegetal acima do solo em ecossistemas tropicais secos, como savanas, cerrados e florestas abertas. O trabalho conta com a participação de cientistas associados ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), financiado pela Fapesp e sediado no câmpus da Unesp de Rio Claro.


A caracterização do papel dos trópicos secos no ciclo global do carbono exige estimativas confiáveis e imparciais de sua dinâmica, considerando fatores naturais e antropogênicos, como desmatamento, degradação florestal, mortalidade, regeneração e crescimento das árvores.


A pesquisa se insere no contexto do avanço das tecnologias de sensoriamento remoto, fundamentais para o monitoramento contínuo e preciso de grandes áreas naturais. Em um cenário de mudanças climáticas e expansão do desmatamento, compreender a dinâmica da biomassa vegetal torna-se essencial para avaliar estoques de carbono e orientar políticas ambientais.


Os pesquisadores utilizaram dados de Radar de Abertura Sintética (SAR), uma tecnologia capaz de mapear a superfície terrestre por meio de micro-ondas, independentemente da presença de nuvens ou da iluminação solar. O SAR permite captar informações detalhadas sobre a estrutura da vegetação, a rugosidade do terreno e a umidade do solo, oferecendo vantagens em relação a sensores ópticos tradicionais, especialmente em regiões tropicais.


Os trópicos secos apresentam estruturas de vegetação complexas e heterogêneas, que vão desde savanas abertas até bosques com copas das árvores fechadas e florestas secas, ocupando aproximadamente 15 milhões de km². Esses ecossistemas são fundamentais para o ciclo do carbono e a biodiversidade e desempenham papel crucial na subsistência de milhões de pessoas. Modelos indicam que os trópicos secos constituem o maior componente do sumidouro terrestre de carbono, além de serem os mais sensíveis às variações climáticas e os que apresentam crescimento mais rápido.


O estudo combinou medições de campo realizadas na África, na Austrália e na América do Sul com imagens de radar em banda L, aplicando técnicas de decomposição polarimétrica e modelos estatísticos avançados. Sistemas SAR totalmente polarimétricos transmitem e recebem o campo elétrico em polarizações horizontal e vertical, e a matriz de espalhamento resultante contém informações detalhadas sobre as características dos dispersores, ou seja, dos objetos observados na superfície.


Os resultados mostraram que a densidade de árvores é o fator mais fortemente associado ao sinal de radar, superando a influência do tamanho individual dos troncos. A umidade do solo e a textura arenosa também se destacaram como variáveis decisivas na resposta do radar.


As observações SAR polarimétricas permitem recuperar múltiplos aspectos da estrutura da vegetação, contribuindo de forma inovadora para a compreensão do ciclo global do carbono e para o manejo florestal.


Por fim, ao aprofundar o conhecimento sobre os ecossistemas tropicais secos — que cobrem vastas áreas do planeta e abrigam elevada diversidade biológica —, a pesquisa reforça a importância da ciência para compreender o funcionamento dos sistemas naturais, apoiar estratégias de conservação e subsidiar decisões públicas baseadas em evidências científicas.


Leia o estudo na íntegra em: https://doi.org/10.1016/j.rse.2025.115213



 
 
 

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