Mudanças climáticas podem levar ecossistemas a pontos de não retorno
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Por: Gabriela Andrietta
As mudanças climáticas já estão aproximando ecossistemas a pontos de não retorno, com impactos cada vez mais evidentes sobre a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas ecológicos. O alerta foi destaque em ciclo de palestras realizado na Unesp de Rio Claro, que reuniu pesquisadores para discutir desde as bases físicas do aquecimento global até os efeitos das mudanças do clima em ecossistemas aquáticos, além dos desafios da ciência na busca por soluções de mitigação e adaptação.
O CBioClima, o Instituto de Biociências (IB) e o Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, câmpus de Rio Claro, promoveram no dia 26 de março, no Anfiteatro II do IB, um ciclo de palestras dedicado às mudanças climáticas em diálogo com o Escritório de Sustentabilidade da universidade. O evento reuniu os professores Newton La Scala Jr., coordenador do Escritório de Sustentabilidade da Unesp e professor da Unesp em Jaboticabal, e Tadeu Siqueira, Professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro e Coordenador de Integração do CBioClima, em apresentações que articularam ciência, impactos ambientais da ação humana e estratégias de enfrentamento frente às mudanças do clima.
Bases físicas das mudanças climáticas
Abrindo a programação, Newton La Scala Jr., que já atuou como revisor de relatórios do IPCC, apresentou uma palestra focada nas bases físicas das mudanças climáticas. Em sua fala, destacou que o aumento da temperatura média global, cerca de 1 °C nas últimas décadas, está diretamente associado à elevação da concentração de gases de efeito estufa, que intensificam a retenção de calor na atmosfera. O pesquisador também enfatizou que, além da elevação da média global, cresce a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas. Em algumas regiões, esses extremos já atingem aumentos entre 4 °C e 5 °C.
Durante a palestra, Newton chamou atenção ainda para o aumento simultâneo das temperaturas mínimas e máximas, fenômeno que influencia sistemas produtivos, favorecendo, por exemplo, a proliferação de pragas e doenças na agricultura. Também destacou mudanças nos regimes de precipitação, com intensificação de chuvas em algumas regiões e aumento de períodos de estiagem em outras, caracterizados por longos intervalos sem precipitação.
Ao abordar caminhos para mitigação, o professor apresentou dados do relatório síntese do IPCC, que aponta um potencial global de redução de cerca de 5 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2030. No contexto brasileiro, destacou três frentes estratégicas: a expansão de energias renováveis, como solar e eólica; a redução do desmatamento; e a ampliação de práticas de sequestro de carbono, como o reflorestamento e a adoção de sistemas agrícolas sustentáveis. Ressaltou, no entanto, que evitar o desmatamento é mais eficiente do que recuperar áreas já degradadas, considerando que aproximadamente metade das emissões brasileiras está associada à mudança no uso da terra.
Ecossistemas aquáticos
Na sequência, a programação contou com a palestra do Professor Tadeu Siqueira, que abordou os impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas aquáticos. Em sua fala, apresentou desastres recentes causados por eventos extremos, como a seca severa na Amazônia em 2023, que resultou na morte de mais de 200 botos, associada a temperaturas da água superiores a 40 °C em algumas áreas.
Tadeu também discutiu como a redução do nível dos rios e o aumento da temperatura interferem em processos ecológicos essenciais, como reprodução e migração de espécies. Ressaltou ainda o papel da água doce e dos ecossistemas aquáticos para a sobrevivência humana.
Ao longo da palestra, o professor enfatizou que eventos climáticos extremos, definidos por sua intensidade, duração, frequência e sazonalidade, estão se tornando cada vez mais recorrentes. Esses eventos já provocam alterações significativas na estrutura de comunidades biológicas, levando à redução da biodiversidade.
Destacou ainda o risco de não estacionariedade dos sistemas ambientais, que podem atingir pontos de não retorno. Entre as principais recomendações apresentadas para os ecossistemas aquáticos estão o planejamento em escala de bacias hidrográficas, o investimento em monitoramento ambiental de longo prazo, o uso de tecnologias emergentes para acompanhamento em tempo real e a ampliação de estudos em regiões ainda pouco representadas, especialmente no hemisfério sul.










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