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  • Professor Célio Haddad destaca preservação e restauração em Dia Nacional da Mata Atlântica

    Por Emerson José Neste Dia Nacional da Mata Atlântica, o CBioClima destaca a importância da preservação e da restauração de um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta. Hoje, restam apenas fragmentos da cobertura original da Mata Atlântica. Esse é o tema da entrevista com o professor e pesquisador Célio F. B. Haddad, que destaca a necessidade de recuperar áreas degradadas para garantir a sobrevivência de espécies e a manutenção dos serviços ecossistêmicos. Pesquisador da Unesp Rio Claro e associado ao CBioClima, Célio Haddad é referência internacional em biodiversidade, conservação de anfíbios e ecologia da Mata Atlântica. Seus estudos investigam os impactos da fragmentação florestal, das mudanças ambientais e da perda de habitat de anfíbios e outros organismos associados às florestas tropicais. Segundo o pesquisador, restaurar a Mata Atlântica significa também recuperar conexões ecológicas essenciais entre florestas, rios, fauna e clima, fortalecendo a resiliência dos ecossistemas diante das mudanças climáticas. Assista ao vídeo e saiba mais sobre a importância da restauração ecológica para o presente e o futuro da biodiversidade brasileira.

  • Dia Nacional da Mata Atlântica: o papel dos primatas na regeneração das florestas

    Por Emerson José Hoje (27) é o Dia Nacional da Mata Atlântica. Em função disso, o CBioClima destaca a importância de preservar um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. Em entrevista especial, a professora e pesquisadora Laurence Culot fala sobre a importância da Mata Atlântica, interações ecológicas e o papel dos primatas na regeneração das florestas. Pesquisadora associada ao CBioClima e docente da Unesp, Laurence Culot desenvolve estudos sobre ecologia, conservação e sobre como a perda de habitat afeta a fauna e o funcionamento dos ecossistemas. 🌱 A Mata Atlântica é fundamental para: 💧 proteção dos recursos hídricos; 🌦️ regulação climática; 🐾 conservação da biodiversidade; 🌿 manutenção dos serviços ecossistêmicos; 🏞️ qualidade de vida das populações humanas. ⚠️ Preservar a Mata Atlântica é proteger espécies, florestas, rios e o equilíbrio ambiental das próximas gerações.

  • Estratégias inovadoras para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na agricultura e na restauração florestal foi tema do Diversidade em Foco

    Por Carolina Ferreira Medeiros A seca tem se consolidado como uma das maiores ameaças ambientais do século XXI. Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, a escassez hídrica compromete processos fundamentais para o desenvolvimento vegetal, afetando a germinação das sementes, a produtividade agrícola e a recuperação de ecossistemas degradados. Esse foi o tema central da apresentação “Transformando desafios ambientais em soluções sustentáveis: como podemos tornar as plantas mais tolerantes aos períodos secos”, ministrada pela professora doutora Neidiquele Maria Silveira no ciclo de debates “Diversidade em Foco – saberes e desafios diante das mudanças climáticas”, que ocorreu no último dia 20 de maio, no Instituto de Biologia da Unicamp. Professora do Departamento de Biodiversidade do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Neidiquele desenvolve pesquisas na área de fisiologia vegetal, com foco em estresses abióticos, mecanismos de sinalização e aplicações da nanobiotecnologia na agricultura e na ciência ambiental. Estudos voltados para as questões de escassez hídrica Durante a apresentação, a pesquisadora destacou que a crescente frequência e intensidade das secas representam desafios que extrapolam a produção agrícola, alcançando também a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar. “A perda de biodiversidade e a insegurança alimentar são consequências diretas do déficit hídrico crescente”, ressaltou a pesquisadora ao contextualizar os impactos do problema. Inovação para enfrentar a seca Como alternativa aos efeitos causados pela falta de água, a pesquisa conduzida pela professora explora o uso de moléculas sinalizadoras associadas à nanotecnologia para aumentar a capacidade de adaptação das plantas em condições adversas. As estratégias envolvem a utilização de compostos capazes de liberar moléculas naturalmente produzidas pelas plantas, como o óxido nítrico (NO) e o sulfeto de hidrogênio (H₂S), que atuam em processos fisiológicos relacionados à resposta ao estresse. Segundo a pesquisadora, embora essas moléculas sejam produzidas naturalmente pelos organismos vegetais, sua aplicação externa por meio de sistemas encapsulados pode aumentar a eficiência da resposta biológica. O encapsulamento em matrizes biodegradáveis, como a quitosana e nanopartículas lipídicas, permite maior estabilidade das moléculas, reduzindo perdas por degradação e promovendo uma liberação mais controlada. Os resultados obtidos até o momento apontam potencial para ampliar a tolerância das plantas à seca ao utilizar concentrações menores dos compostos, tornando a estratégia mais eficiente e sustentável. Aplicações na agricultura e na restauração florestal No setor agrícola, estudos realizados com feijoeiro indicam que o encapsulamento de doadores de NO e H₂S pode aumentar a resistência das plantas à deficiência hídrica durante a germinação. Em culturas como o citros, nanopartículas liberadoras de óxido nítrico também vêm sendo investigadas como ferramenta para melhorar a resposta das plantas à seca. Outro destaque foi o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a pós-colheita. Um dos estudos resultou no depósito de uma patente que utiliza nanopartículas poliméricas contendo doadores de óxido nítrico para retardar o amadurecimento de frutos, prolongando sua conservação e reduzindo perdas alimentares. As aplicações também alcançam a restauração florestal. A pesquisadora explicou que a elevada mortalidade de mudas após o plantio, especialmente em períodos de escassez hídrica, representa um dos principais obstáculos para projetos de recuperação ambiental. Nesse contexto, a nanobiotecnologia surge como uma alternativa promissora para aumentar a sobrevivência de espécies nativas e favorecer o estabelecimento de áreas restauradas. Pesquisa multidisciplinar e desafios futuros Apesar dos resultados promissores, a professora ressaltou que ainda existem questões importantes a serem investigadas. Entre elas estão o destino dos nanomateriais nos tecidos vegetais, seus possíveis impactos ambientais e a aceitação social dessas tecnologias. A abordagem multidisciplinar, segundo a pesquisadora, é essencial para transformar avanços científicos em soluções capazes de gerar impactos concretos para a sociedade. Entre os benefícios esperados estão o aumento da segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas degradadas, contribuindo também para estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Ao fim da apresentação, a pesquisadora reforçou que desenvolver plantas mais resistentes às condições ambientais extremas representa não apenas um desafio científico, mas uma necessidade diante das transformações climáticas em curso.

  • Dia Internacional da Biodiversidade

    Por Emerson José Neste 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, o professor Maurício Bacci Jr., vice-diretor do CBioClima, destaca em vídeo a importância da conservação da biodiversidade e o papel da ciência na compreensão das relações ecológicas. 🔬 Pesquisador da Unesp Rio Claro, Maurício Bacci Jr. desenvolve estudos sobre formigas cortadeiras e os microrganismos associados a esses insetos, investigando interações ecológicas fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas e para aplicações sustentáveis na agricultura e na biotecnologia. A biodiversidade conecta espécies, ambientes e processos naturais essenciais para a vida no planeta. 📺 Assista ao vídeo especial do Dia da Biodiversidade.

  • Pesquisador associado ao CBioClima destaca importância dos polinizadores durante o Pint of Science Rio Claro 2026

    Por Emerson José 🔬A relação entre polinizadores, biodiversidade e alimentação esteve no centro da palestra do pesquisador Ian Meireles durante o Pint of Science Rio Claro 2026, realizado na quarta-feira (19), na Cervejaria Mazzeo, em Rio Claro (SP). Com o tema “Abelhas, morcegos e festins: como polinizadores afetam as nossas comemorações”, a atividade reuniu pesquisadores, estudantes e público em geral em mais uma noite dedicada à popularização da ciência. Pesquisador associado ao CBioClima, Ian Meireles apresentou ao público como diferentes espécies de polinizadores desempenham papel fundamental na produção de alimentos presentes no cotidiano e em celebrações humanas, incluindo frutas, café, chocolate e diversos outros produtos agrícolas dependentes da polinização animal. 🐝🦇🌎 A diretora do CBioClima, a Profa. Dra. Patricia Morellato, realizou a abertura da atividade, apresentando o trabalho desenvolvido pelo Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima) e destacando a importância de iniciativas de divulgação científica que aproximem pesquisadores e sociedade. O encontro contou ainda com a presença de pesquisadores da Unesp, estudantes de graduação e pós-graduação, além de participantes interessados em temas relacionados à biodiversidade, conservação e mudanças climáticas. 🍻 O Pint of Science é um festival internacional de divulgação científica realizado simultaneamente em diversas cidades do mundo, levando pesquisadores para ambientes descontraídos, como bares e cafés, com o objetivo de tornar a ciência mais acessível ao público.

  • Pesquisadores do CBioClima estão entre os mais influentes do Brasil em Ecologia e Evolução

    Por Emerson José A 5ª edição do ranking “Best Ecology and Evolution Scientists in Brazil”, divulgada terça-feira (19) pela plataforma Research.com, coloca seis pesquisadores associados ao CBioClima entre os cientistas mais influentes do Brasil na área de Ecologia e Evolução. São eles: Mauro Galetti (4º lugar), Célio F. B. Haddad (6º), Milton Cezar Ribeiro (50º), Patricia Morellato (51º), Marco Aurélio Pizo (96º) e Tadeu Siqueira (130º). O levantamento é publicado anualmente pela Research.com, plataforma internacional que avalia desempenho científico a partir de indicadores bibliométricos, que são métricas para medir o impacto e a relevância de pesquisadores com base em publicações e citações acadêmicas. Segundo a Research.com, a classificação utiliza principalmente o D-Index (Discipline H-index), indicador baseado exclusivamente em artigos científicos e citações relacionados à área específica de Ecologia e Evolução. A presença de pesquisadores associados ao CBioClima no ranking reforça a relevância da produção científica desenvolvida pelo CEPID, financiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, especialmente em pesquisas sobre biodiversidade, ecologia, conservação e mudanças climáticas. O ranking completo pode ser consultado em: https://research.com/scientists-rankings/ecology-and-evolution/br

  • Pesquisadora Thaís Guedes participa do 1º dia do Pint of Science Rio Claro 2026

    Por Emerson José 🐍É hoje! A professora e pesquisadora Dra. Thaís B. Guedes, da Unesp de Rio Claro e pesquisadora associada ao CBioClima, será uma das palestrantes do primeiro dia do Pint of Science Rio Claro 2026! Especialista em evolução, biogeografia e conservação de serpentes, Thaís atua em pesquisas sobre biodiversidade e evolução. Ao longo da palestra “O fantástico mundo das serpentes”, a pesquisadora irá abordar curiosidades sobre comportamento, diversidade, evolução e conservação desses animais, além de discutir os principais desafios enfrentados pelas serpentes diante das mudanças ambientais, da perda de habitat e da desinformação que historicamente cerca esses répteis. Apesar da importância ecológica, muitas espécies ainda sofrem perseguição e morte por medo ou desconhecimento. A palestra também será uma oportunidade para aproximar ciência e sociedade, ajudando o público a compreender melhor o papel das serpentes na natureza e sua relevância para a conservação da biodiversidade. 🍻🔬 O Pint of Science é um festival internacional de divulgação científica que leva pesquisadores para bares e espaços públicos em diferentes cidades do mundo, promovendo encontros descontraídos entre ciência e sociedade. 📅 Terça-feira, 19 de maio 📍 Birreria — Rua 9, 440, Cidade Jardim | Rio Claro/SP ⏰ A partir das 19h

  • Lucas Ferrante apresenta pesquisas sobre a Amazônia nos Seminários Charles Darwin

    Por Emerson José O pesquisador Lucas Ferrante foi o palestrante desta terça-feira (19) dos Seminários Charles Darwin, no câmpus da Unesp de Rio Claro. Lucas abordou os impactos ambientais na Amazônia e aos desafios científicos e políticos relacionados às mudanças climáticas. Doutorando da Universidade de São Paulo (USP) e associado ao CBioClima, Ferrante é reconhecido por estudos sobre desmatamento, infraestrutura na Amazônia, governança ambiental e os efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade e os povos amazônicos. Seus trabalhos têm repercussão internacional e já foram publicados em revistas científicas como Nature, Science e Biological Conservation, além de frequentemente subsidiarem debates sobre políticas públicas ambientais no Brasil e no exterior. Durante a palestra, o pesquisador discutiu os impactos da fragmentação florestal, da expansão de rodovias e das pressões econômicas sobre os ecossistemas amazônicos, abordando também os riscos para os chamados “rios voadores”, fundamentais para o equilíbrio climático e o abastecimento hídrico em diferentes regiões do país. O encontro reuniu pesquisadores e estudantes interessados em compreender como ciência, conservação e políticas públicas estão profundamente conectadas diante da emergência climática global. 📺 A palestra completa será disponibilizada em breve no canal do CBioClima no YouTube. Acompanhe nossas redes sociais para saber quando o vídeo estiver disponível. No dia 23 de junho, os Seminários Charles Darwin receberão a professora e pesquisadora Neidiquele Silveira.

  • CBioclima no Pint of Science 2026

    Por Emerson José A ciência vai ocupar os bares de Rio Claro em mais uma edição do Pint of Science 2026! O CBioClima marcará presença no evento. Quarta-feira, 20 de maio, o pesquisador Ian Meireles representará o CBioClima com a palestra: “Abelhas, morcegos e festins: como polinizadores afetam as nossas comemorações”. 🐝Ian é biólogo, mestre em Biologia Vegetal e consultor ambiental especializado em abelhas e levantamento florístico. Sua apresentação abordará como os polinizadores influenciam diretamente alimentos, bebidas e diversos elementos presentes nas nossas celebrações e no cotidiano. 📅 20 de maio de 2026 ⏰ 19h 📍 Mazzeo Cervejaria — Av. 22, 790 | Ruas 6 e 7 — Rio Claro/SP Além da participação do CBioClima, o evento contará com pesquisadores do Instituto de Biociências (IB/Unesp) e do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE/Unesp) em diferentes atividades nos dias 19 e 20 de maio. A pesquisadora Dra. Thaís B. Guedes, também associada ao CBioClima, será palestrante no dia anterior com o tema: "O fantástico mundo das serpentes". 📅 Terça-feira, 19 de maio 📍 Birreria. Rua 9, 440. Cidade Jardim — Rio Claro/SP ⏰ 19h Venha brindar à ciência e descobrir como biodiversidade, clima e sociedade estão conectados!

  • Naldo Tukano debate memória, território e preservação das línguas indígenas em palestra no CBioClima

    O último Diversidade em Foco - saberes e desafios diante das mudanças climáticas contou com a presença do pesquisador, educador e ativista indígena Naldo Tukano. Naldo, é estudante de Linguística na UNICAMP, desenvolve pesquisas voltadas à documentação, fortalecimento e inserção das línguas indígenas em contextos acadêmicos e digitais. Naldo conduziu uma palestra marcada por reflexões sobre memória, identidade, direitos linguísticos e os impactos históricos da colonização sobre os povos originários. Pertencente ao povo Ye’pá Mahsã (Tukano), do Amazonas, Naldo compartilhou experiências pessoais, dados históricos e críticas ao apagamento cultural indígena, estabelecendo um diálogo profundo sobre a relação entre território, linguagem e existência. No início de sua fala, Naldo apresentou sua trajetória acadêmica e política, explicando a origem de seu nome e destacando a importância da identidade dos povos originários para além da nomenclatura genérica “indígena”. Segundo ele, o termo é uma construção política utilizada para agrupar populações historicamente colocadas em situação de vulnerabilidade, apagando a diversidade de povos, culturas e línguas existentes no Brasil. Durante a palestra, o pesquisador também abordou os impactos emocionais e psicológicos vividos por comunidades indígenas durante a pandemia, relacionando esse período ao agravamento de desigualdades históricas e à intensificação do isolamento social e territorial enfrentado pelos povos originários. Em um dos momentos centrais da fala, Naldo apresentou dados sobre a redução das línguas indígenas desde a chegada dos portugueses ao território brasileiro. A partir desse panorama histórico, discutiu como os processos de colonização promoveram não apenas a ocupação territorial, mas também a destruição sistemática de culturas, saberes e formas de existência. Para ele, o apagamento das línguas indígenas representa uma tentativa contínua de eliminação da memória coletiva desses povos. Ao tratar da escravidão indígena, Naldo relembrou práticas historicamente invisibilizadas, destacando o papel dos povos originários na construção econômica do país, em atividades como agricultura, carpintaria e produção agrícola, incluindo cultivos como mandioca e cana-de-açúcar. O pesquisador também mencionou a chamada “escravidão do pensamento”, relacionada aos processos de imposição religiosa e cultural sofridos ao longo dos séculos. Outro ponto abordado foi a exploração econômica dos territórios indígenas e a transformação do uso da terra em diferentes regiões do país. Naldo citou a sequência histórica de ocupação no Mato Grosso — marcada pela exploração da madeira, carvão, criação de gado e produção de grãos — como exemplo dos impactos do avanço econômico sobre os territórios tradicionais. Ao longo da palestra, o pesquisador reforçou que os povos indígenas continuam sendo colocados à margem da sociedade brasileira e frequentemente vistos como invasores de suas próprias terras. Segundo ele, existe uma desvalorização estrutural da vida indígena, acompanhada pela tentativa constante de interromper a transmissão cultural entre gerações. “A luta agora é contra o apagamento da nossa memória”, afirmou. Naldo também chamou atenção para a necessidade de uma relação mais ética entre universidades e povos originários. Para ele, é fundamental que as instituições acadêmicas deixem de apenas se apropriar dos conhecimentos indígenas e passem a construir relações de parceria e fortalecimento coletivo. Confira a palestra na íntegra no Canal do Youtube do CBioClima: https://youtu.be/j-pUwTF-rDQ

  • Estudo inédito revela que conexão entre florestas e rios fortalece microbioma de anfíbios e os protege contra fungo letal

    Por Emerson José O que faz a pele de uma rã ser resistente a um fungo que já dizimou centenas de espécies de anfíbios no mundo todo? Um novo estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) aponta que a resposta está não apenas nos genes do animal, mas na comunidade de bactérias benéficas que vive em sua pele e na forma como a paisagem ao redor está organizada. Os cientistas demonstraram, pela primeira vez, que a desconexão entre florestas e corpos d'água prejudica a capacidade dos anfíbios de recrutar micróbios de defesa, tornando-os mais suscetíveis ao fungo Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), um dos patógenos mais devastadores dos anfíbios. O fenômeno investigado chama-se habitat split: a desconexão espacial entre os ambientes terrestres e aquáticos que muitas espécies de anfíbios precisam para completar seu ciclo de vida (reprodução na água e vida adulta na floresta). A equipe, liderada pelos pesquisadores Daniel Medina (The School for Field Studies, EUA), Renato A. Martins (colaborador brasileiro), com a participação de Guilherme Becker (Penn State University) e do professor Célio Haddad, da Unesp de Rio Claro e coordenador científico do CBioClima (Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima), coletou amostras da pele de 586 rãs de quatro espécies na Mata Atlântica do estado de São Paulo. Utilizando sequenciamento genético de alta resolução (16S rRNA), os pesquisadores identificaram quais bactérias estavam presentes e cruzaram esses dados com o banco de dados AmphiBac, que contém mais de 7.800 isolados bacterianos testados em laboratório quanto à capacidade de inibir o crescimento do Bd. Em uma etapa posterior, a equipe quantificou a carga de infecção pelo fungo em cada animal e quantificou métricas da paisagem, como percentual de cobertura florestal, densidade de bordas nos fragmentos e, principalmente, o grau de distância entre fragmentos florestais e corpos d'água. Modelos estatísticos avançados (GLMMs e Modelos de Distribuição Conjunta de Espécies) isolaram o efeito do habitat split de outras variáveis, como data de coleta e paisagem ao redor. Os resultados foram expressivos: em áreas com alto habitat split, a proporção de leituras genéticas correspondentes a bactérias capazes de inibir o Bd caiu de forma acentuada. Duas espécies migratórias, Ischnocnema henselii e Rhinella ornata, apresentaram cargas mais altas do fungo justamente onde a desconexão entre habitats era maior. Já as espécies que conseguem usar bromélias-tanque (como Boana faber) foram menos afetadas. O dado indica que microhabitats úmidos dentro da própria floresta podem amortecer os efeitos da fragmentação. Para os autores, o estudo fornece a primeira evidência de campo robusta do chamado "princípio do microbioma adaptativo": a exposição repetida e de baixo nível ao patógeno — algo que ocorre naturalmente em paisagens conectadas — seleciona comunidades microbianas mais preparadas para enfrentar infecções futuras. Quando essa conectividade é rompida, os anfíbios perdem não apenas o acesso a fontes de micróbios benéficos no ambiente, mas também a oportunidade de "treinar" sua defesa microbiana. Para o professor e pesquisador Célio Haddad, “a relevância deste estudo reside na prova de que habitats preservados e conectados são o berço de populações saudáveis, realidade que se dissipa sob o impacto da fragmentação causada pelo homem. Mais do que um diagnóstico, a pesquisa oferece subsídios para estratégias de reconexão florestal, com foco no combate às sequelas do desmatamento ilegal que assola o território nacional. É imperativo recordar que a sobrevivência humana é indissociável da saúde do meio ambiente. Nesse contexto, os anfíbios surgem como sentinelas da qualidade ambiental, lembrando-nos de que ecossistemas funcionais são a base da nossa própria saúde e longevidade”. Assim sendo, o estudo conclui que conservar paisagens não significa apenas proteger fragmentos de floresta ou rios de forma isolada, mas sim garantir a conexão funcional entre eles. Essa conclusão deve orientar a criação de corredores ecológicos e provavelmente se aplica a aves, peixes, mamíferos migratórios e até mesmo a seres humanos, cuja saúde também depende de microbiomas diversos e equilibrados. A pesquisa pode ser encontrada na íntegra em: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2520745123 *com informações da Agência Fapesp

  • Os polinizadores e as interações com as flores na paisagem urbana são tema dos Seminários Charles Darwin

    Por Emerson José Os Seminários Charles Darwin receberam nessa terça-feira (28) o pesquisador Pietro K. Maruyama para palestra sobre “Os polinizadores e as interações com as flores na paisagem urbana”. Os Seminários são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Cepid sediado na Unesp de Rio Claro. Segundo Pietro, os centros urbanos podem sustentar uma vida animal e vegetal vibrante, mas desigualdades sociais e planejamento verde ainda são desafios. As cidades não podem ser entendidas simplesmente como “desertos biológicos”. Abelhas, beijas-flores e outros polinizadores sobrevivem em meio ao asfalto e concreto. Até 2050, quase 70% da população mundial viverá em cidades. Esse crescimento pressiona a biodiversidade, mas também abre espaço para repensarmos o papel dos espaços verdes urbanos. Parques, jardins e árvores de rua não são apenas bonitos: eles prestam serviços ecossistenciais importantes, como a polinização, que garante a produção de alimentos e a manutenção das plantas. No entanto, a distribuição desses recursos não é igualitária. Estudos citados por Maruyama mostram que fatores socioeconômicos influenciam diretamente a diversidade de plantas e polinizadores nas cidades. Um levantamento global com 457 estudos identificou mais de 3.100 espécies de polinizadores em cidades de 46 países. Entre elas, 1.699 são abelhas — incluindo a conhecida Apis mellifera (abelha-europeia) e espécies nativas como Bombus terrestris e Trigona spinipes. Em Belo Horizonte (MG), por exemplo, pesquisadores documentaram interações entre essas aves e plantas nativas e exóticas, mostrando que espécies não nativas podem complementar a oferta de flores em períodos de escassez, o que representa achado importante para o planejamento urbano. Um estudo detalhado da arborização de Belo Horizonte revelou 359 espécies de árvores, totalizando mais de 216 mil indivíduos. Ao cruzar esses dados com a literatura sobre polinizadores, os cientistas descobriram que muitas dessas árvores são fontes importantes de néctar e pólen, mas há desigualdades: bairros de maior renda concentram maior diversidade de plantas atrativas para polinizadores. A urbanização não afeta apenas a quantidade de polinizadores, mas também a forma como eles interagem com as plantas. A urbanização tende a simplificar essas redes, tornando as interações mais generalistas, ou seja, polinizadores menos especialistas e plantas mais comuns. Plantar árvores atrativas para polinizadores, garantir a conectividade entre parques e praças e incluir espécies nativas e exóticas de forma complementar são estratégias promissoras. Mas é essencial que esses benefícios não fiquem restritos a bairros ricos. Como conclui Maruyama em sua palestra, “o futuro da polinização nas cidades depende tanto da biologia quanto da justiça social”. A palestra será disponibilizada no canal do CBioClima em breve. No dia 19 de maio, o pesquisador Lucas Ferrante se apresentará nos Seminários, às 13h, no Anfiteatro II do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.

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Instituto de Biociências - UNESP - Universidade Estadual Paulista.
Av. 24A, 1515 – CEP: 13506-900, Bairro Bela Vista, Rio Claro, SP.

Telefone: +55 19 3526-4216

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