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- Os polinizadores e as interações com as flores na paisagem urbana são tema dos Seminários Charles Darwin
Por Emerson José Os Seminários Charles Darwin receberam nessa terça-feira (28) o pesquisador Pietro K. Maruyama para palestra sobre “Os polinizadores e as interações com as flores na paisagem urbana”. Os Seminários são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Cepid sediado na Unesp de Rio Claro. Segundo Pietro, os centros urbanos podem sustentar uma vida animal e vegetal vibrante, mas desigualdades sociais e planejamento verde ainda são desafios. As cidades não podem ser entendidas simplesmente como “desertos biológicos”. Abelhas, beijas-flores e outros polinizadores sobrevivem em meio ao asfalto e concreto. Até 2050, quase 70% da população mundial viverá em cidades. Esse crescimento pressiona a biodiversidade, mas também abre espaço para repensarmos o papel dos espaços verdes urbanos. Parques, jardins e árvores de rua não são apenas bonitos: eles prestam serviços ecossistenciais importantes, como a polinização, que garante a produção de alimentos e a manutenção das plantas. No entanto, a distribuição desses recursos não é igualitária. Estudos citados por Maruyama mostram que fatores socioeconômicos influenciam diretamente a diversidade de plantas e polinizadores nas cidades. Um levantamento global com 457 estudos identificou mais de 3.100 espécies de polinizadores em cidades de 46 países. Entre elas, 1.699 são abelhas — incluindo a conhecida Apis mellifera (abelha-europeia) e espécies nativas como Bombus terrestris e Trigona spinipes. Em Belo Horizonte (MG), por exemplo, pesquisadores documentaram interações entre essas aves e plantas nativas e exóticas, mostrando que espécies não nativas podem complementar a oferta de flores em períodos de escassez, o que representa achado importante para o planejamento urbano. Um estudo detalhado da arborização de Belo Horizonte revelou 359 espécies de árvores, totalizando mais de 216 mil indivíduos. Ao cruzar esses dados com a literatura sobre polinizadores, os cientistas descobriram que muitas dessas árvores são fontes importantes de néctar e pólen, mas há desigualdades: bairros de maior renda concentram maior diversidade de plantas atrativas para polinizadores. A urbanização não afeta apenas a quantidade de polinizadores, mas também a forma como eles interagem com as plantas. A urbanização tende a simplificar essas redes, tornando as interações mais generalistas, ou seja, polinizadores menos especialistas e plantas mais comuns. Plantar árvores atrativas para polinizadores, garantir a conectividade entre parques e praças e incluir espécies nativas e exóticas de forma complementar são estratégias promissoras. Mas é essencial que esses benefícios não fiquem restritos a bairros ricos. Como conclui Maruyama em sua palestra, “o futuro da polinização nas cidades depende tanto da biologia quanto da justiça social”. A palestra será disponibilizada no canal do CBioClima em breve. No dia 19 de maio, o pesquisador Lucas Ferrante se apresentará nos Seminários, às 13h, no Anfiteatro II do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.
- 🌵 28 de abril | Dia Nacional da Caatinga
Por Emerson José Único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga é símbolo de resistência e biodiversidade, abrigando milhares de espécies adaptadas ao clima semiárido. A Caatinga é um ecossistema vivo, estratégico para o equilíbrio climático e a conservação ambiental. 🌎 🔬 Para ampliar esse olhar, a professora e pesquisadora Thaís Guedes da Unesp de Rio Claro fala sobre as especificidades deste bioma e sobre uma exposição no Instituto Butantan, destacando a riqueza da fauna da Caatinga e os desafios para sua preservação. Confira no vídeo. 📢 A iniciativa reforça a importância da ciência na valorização dos biomas brasileiros e no enfrentamento das mudanças ambientais.
- 🌿 *17 de abril | Dia da Botânica* 🌿
Por Emerson José Hoje é dia de celebrar a ciência que nos ajuda a entender a vida das plantas e, com isso, o funcionamento de todo o planeta. 🌎 Mais do que admirar as cores e formas da nossa flora, esta data nos convida a refletir sobre o papel vital das plantas na manutenção da vida e do equilíbrio climático. As mudanças climáticas estão alterando o ritmo reprodutivo de diversas plantas. Elas continuam iniciando seus ciclos na mesma época, mas florescem e frutificam por menos tempo. Essa redução impacta diretamente as interações ecológicas. Menos flores significa menos recursos para polinizadores, como as abelhas, e menos frutos representa perda para os animais que dependem deles para alimentação e dispersão de sementes. 🌸🐝 🌱 Celebrar a Botânica é reconhecer que entender as plantas é essencial para proteger a biodiversidade, o clima e o nosso futuro.
- Mudanças climáticas podem levar ecossistemas a pontos de não retorno
Por Gabriela Andrietta As mudanças climáticas já estão aproximando ecossistemas a pontos de não retorno, com impactos cada vez mais evidentes sobre a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas ecológicos. O alerta foi destaque em ciclo de palestras realizado na Unesp de Rio Claro, que reuniu pesquisadores para discutir desde as bases físicas do aquecimento global até os efeitos das mudanças do clima em ecossistemas aquáticos, além dos desafios da ciência na busca por soluções de mitigação e adaptação. O CBioClima, o Instituto de Biociências (IB) e o Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, câmpus de Rio Claro, promoveram no dia 26 de março, no Anfiteatro II do IB, um ciclo de palestras dedicado às mudanças climáticas em diálogo com o Escritório de Sustentabilidade da universidade. O evento reuniu os professores Newton La Scala Jr., coordenador do Escritório de Sustentabilidade da Unesp e professor da Unesp em Jaboticabal, e Tadeu Siqueira, Professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro e Coordenador de Integração do CBioClima, em apresentações que articularam ciência, impactos ambientais da ação humana e estratégias de enfrentamento frente às mudanças do clima. Bases físicas das mudanças climáticas Abrindo a programação, Newton La Scala Jr., que já atuou como revisor de relatórios do IPCC, apresentou uma palestra focada nas bases físicas das mudanças climáticas. Em sua fala, destacou que o aumento da temperatura média global, cerca de 1 °C nas últimas décadas, está diretamente associado à elevação da concentração de gases de efeito estufa, que intensificam a retenção de calor na atmosfera. O pesquisador também enfatizou que, além da elevação da média global, cresce a frequência e a intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas. Em algumas regiões, esses extremos já atingem aumentos entre 4 °C e 5 °C. Durante a palestra, Newton chamou atenção ainda para o aumento simultâneo das temperaturas mínimas e máximas, fenômeno que influencia sistemas produtivos, favorecendo, por exemplo, a proliferação de pragas e doenças na agricultura. Também destacou mudanças nos regimes de precipitação, com intensificação de chuvas em algumas regiões e aumento de períodos de estiagem em outras, caracterizados por longos intervalos sem precipitação. Ao abordar caminhos para mitigação, o professor apresentou dados do relatório síntese do IPCC. No contexto brasileiro, destacou três frentes estratégicas: a expansão de energias renováveis, como solar e eólica; a redução do desmatamento; e a ampliação de práticas de sequestro de carbono, como o reflorestamento e a adoção de sistemas agrícolas sustentáveis. Ressaltou, no entanto, que evitar o desmatamento é mais eficiente do que recuperar áreas já degradadas, considerando que aproximadamente metade das emissões brasileiras está associada à mudança no uso da terra. Ecossistemas aquáticos Na sequência, a programação contou com a palestra do Professor Tadeu Siqueira, que abordou os impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas aquáticos. Em sua fala, apresentou desastres recentes causados por eventos extremos, como a seca severa na Amazônia em 2023, que resultou na morte de mais de 200 botos, associada a temperaturas da água superiores a 40 °C em algumas áreas. Tadeu também discutiu como a redução do nível dos rios e o aumento da temperatura interferem em processos ecológicos essenciais, como reprodução e migração de espécies. Ressaltou ainda o papel da água doce e dos ecossistemas aquáticos para a sobrevivência humana. Ao longo da palestra, o professor enfatizou que eventos climáticos extremos, definidos por sua intensidade, duração, frequência e sazonalidade, estão se tornando cada vez mais recorrentes. Esses eventos já provocam alterações significativas na estrutura de comunidades biológicas, levando à redução da biodiversidade. Destacou ainda o risco de não estacionariedade dos sistemas ambientais, que podem atingir pontos de não retorno. Entre as principais recomendações apresentadas para os ecossistemas aquáticos estão o planejamento em escala de bacias hidrográficas, o investimento em monitoramento ambiental de longo prazo, o uso de tecnologias emergentes para acompanhamento em tempo real e a ampliação de estudos em regiões ainda pouco representadas, especialmente no hemisfério sul.
- Divulgação científica e equidade de gênero: cenário atual, olhar para o futuro
Por: Carolina Medeiros No último dia 15 de abril aconteceu mais uma palestra do Diversidade em Foco – saberes e desafios diante das mudanças climática, e contou com a participação da pesquisadora Germana Barata. Germana Barata, é licenciada e bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas, mestre e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). ' Ao longo de sua fala, a pesquisadora, que atua no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, construiu uma reflexão que articulou dados, análises e exemplos concretos para demonstrar como a divulgação científica pode atuar como ferramenta estratégica na promoção da equidade de gênero. A pesquisadora iniciou destacando um aparente paradoxo: as mulheres já são maioria em diferentes etapas da formação acadêmica no Brasil. Elas representam mais da metade das matrículas no ensino superior e também predominam entre mestres e doutoras. No entanto, essa presença não se traduz em ocupação proporcional de espaços de poder. À medida que a carreira avança, explicou, a participação feminina diminui. São menos mulheres em cargos de liderança, nas posições mais altas da carreira científica e entre os principais beneficiários de financiamento. “Existe um funil, e ele não é natural, ele é estrutural”, pontuou. Nesse contexto, a pesquisadora retomou o conceito de “teto de vidro” para explicar as barreiras invisíveis que impedem a ascensão feminina, e apresentou o “Efeito Matilda”, que evidencia a tendência histórica de invisibilizar ou subestimar contribuições de mulheres na ciência. Quem aparece como cientista? A fala avançou então para a relação entre ciência e mídia. Para Germana Barata, não basta produzir conhecimento, é preciso observar quem é escolhido para representá-lo publicamente. Ela destacou que mulheres cientistas são menos entrevistadas e têm menor presença em reportagens, revistas especializadas e canais de divulgação científica. Essa sub-representação, segundo ela, reforça estereótipos sobre quem pode ser reconhecido como autoridade científica. “Quando a mídia escolhe majoritariamente homens para falar de ciência, ela também está comunicando quem pertence a esse espaço”, afirmou. Por outro lado, a pesquisadora apontou uma mudança importante: nas redes sociais, especialmente em plataformas como Instagram, há maior protagonismo feminino na divulgação científica, abrindo novas possibilidades de visibilidade e atuação. O recorte da ciência dos oceanos Como exemplo concreto, a pesquisadora apresentou dados sobre a produção científica na área de oceanos. Nesse campo, a participação feminina é ainda menor do que a média geral da ciência. Além da menor proporção de autoras, ela destacou um aspecto importante da dinâmica de autoria: mulheres aparecem com mais frequência como coautoras, enquanto sua presença em posições de liderança — como primeira ou última autora — é mais limitada. “Não se trata apenas de quantas mulheres publicam, mas de quais posições elas ocupam na produção do conhecimento”, explicou. Desafios que vão além dos números Ao longo da apresentação, Germana também abordou dimensões menos visíveis, mas igualmente relevantes: a síndrome da impostora, a sexualização de mulheres cientistas, discursos machistas e até o papel dos algoritmos na amplificação de desigualdades. Esses fatores, segundo ela, ajudam a compreender por que a equidade de gênero na ciência não depende apenas de acesso, mas de condições reais de permanência, reconhecimento e visibilidade. Comunicação como estratégia de transformação Na parte final da fala, a pesquisadora trouxe exemplos de iniciativas que têm buscado enfrentar esse cenário por meio da comunicação científica. Entre elas, destacam-se ações de produção de press releases , capacitação de pesquisadores para dialogar com a mídia e estratégias para ampliar a presença de mulheres como fontes jornalísticas. Os resultados, segundo Barata, são expressivos: aumento no número de repercussões na mídia, maior alcance entre jornalistas e, especialmente, crescimento da participação feminina como porta-voz da ciência. “Dar visibilidade às mulheres cientistas não é apenas uma questão de justiça, é uma forma de transformar a própria ciência”, destacou. Uma agenda para o futuro Encerrando sua apresentação, Germana Barata reforçou que a divulgação científica deve ser compreendida como uma prática social e política, capaz de influenciar não apenas o acesso ao conhecimento, mas também as estruturas de poder dentro da ciência. Ao trazer dados, conceitos e experiências concretas, sua fala no Diversidade em Foco apontou para a urgência de pensar a comunicação científica como aliada na construção de uma ciência mais diversa, inclusiva e representativa, especialmente em um contexto de desafios globais como as mudanças climáticas. Confira a palestra na íntegra no Canal do Youtube do CBioClima:
- “Diversidade em Foco"apresenta palestra sobre fogo e mudanças climáticas no território Kalunga
Palestra reforçou a importância de reconhecer e valorizar os saberes tradicionais, contribuindo para o diálogo entre ciência, território e sociedade. Por: Gabriela Andrietta No dia 1º de abril, às 13h, o CBioClima recebeu mais uma palestra do ciclo “Diversidade em Foco: Saberes e desafios diante das mudanças climáticas” , iniciativa que promove o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas. A convidada foi Nádia Malena , geógrafa formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao longo de sua trajetória, Nádia atuou como estagiária no Centro de Memória da Unicamp (CMU), foi bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID – Geografia) e também desenvolveu atividades voluntárias no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV/ICMBio). Durante a palestra, intitulada “Mudanças Climáticas no Território Kalunga: percepções e implicações no manejo da sociobiodiversidade”, a pesquisadora apresentou reflexões centrais de sua pesquisa de mestrado, que investigou o papel do fogo na produção do espaço geográfico. O trabalho abordou os diferentes usos do fogo na agropecuária e no manejo das paisagens, além de seus significados simbólicos e os conflitos existentes entre distintas formas de compreensão dessa prática. Um dos focos do estudo é o contraste entre o chamado “fogo institucional” — associado a políticas públicas e normas técnicas e o “fogo Kalunga”, praticado por comunidades quilombolas. A palestra destacou ainda que, para essas comunidades, especialmente o povo quilombola Kalunga, que vive majoritariamente no nordeste do estado de Goiás, existe um conhecimento próprio, um saber científico tradicional, sobre o uso do fogo, construído a partir da experiência e da relação com o território. No entanto, esse conhecimento vem sendo impactado pelas mudanças climáticas, que têm alterado padrões de chuva e afetado diretamente as práticas agrícolas locais. Nesse contexto, Nádia ressaltou uma questão central: populações que historicamente pouco contribuíram para as mudanças climáticas estão entre as mais afetadas por seus impactos. As alterações no regime de chuvas e nas condições ambientais têm gerado incertezas, especialmente em relação à produção agrícola e à segurança alimentar dessas comunidades. Ao final, a pesquisadora apresentou que continuará trabalhando com o tema em sua investigação de doutorado para entender qual é o papel do fogo na geografia . Confira no Canal do Youtube do CBioClima:
- Science publica carta de pesquisadores do CBioClima sobre riscos à biossegurança em função do desmatamento da Amazônia
Por Emerson José A Science publicou nessa quinta-feira (9) uma carta de pesquisadores brasileiros e, dentre eles, cientistas associados ao CBioClima, sobre os riscos crescentes do desmatamento das florestas amazônicas à biossegurança em escalas local, regional e global. Leia na íntegra o documento nas versões em inglês e português.
- Seminários Charles Darwin recebe palestra acerca de “Biogeografia das serpentes Neotropicais”
Por Emerson José 🌿O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) recebeu nesta terça-feira (31) a Profa. Dra. Thaís Guedes, Professora do Instituto de Biociências da Unesp/Rio Claro, para o ciclo dos Seminários Charles Darwin. A pesquisadora tratou da “Biogeografia das serpentes Neotropicais”. Em breve, a palestra será disponibilizada na íntegra no canal do CBioClima no YouTube. A próxima exposição dos Seminários Charles Darwin será no dia 28 de abril, terça-feira, às 13h, com o pesquisador Pietro Maruyama, no anfiteatro II do IB.
- Interações entre plantas e polinizadores marcam a abertura do Ciclo de Palestras Charles Darwin
O CBioClima realizou no dia 19 de março mais uma atividade dos Seminários Charles Darwin, reunindo estudantes, pesquisadores e interessados em ecologia e mudanças ambientais. A convidada foi a pesquisadora Marília P. Gaiarsa, professora assistente da University of California, Merced, que ministrou a palestra “Do forrageamento ao fitness: como o comportamento de indivíduos influencia interações planta-polinizador”. Durante a apresentação, Gaiarsa discutiu como decisões individuais de forrageamento tomadas por polinizadores impactam não apenas seu balanço energético imediato, mas também processos fundamentais como reprodução, persistência populacional e a manutenção das interações ecológicas com plantas. A palestrante destacou que padrões observados em comunidades ecológicas emergem de comportamentos individuais, sendo essenciais para compreender a vulnerabilidade de espécies frente a fatores como perda de habitat, variações na disponibilidade de recursos e eventos climáticos extremos. A pesquisadora também abordou, de forma integrada, três dimensões centrais: o efeito da disponibilidade de recursos sobre o sucesso reprodutivo e as interações ecológicas; a influência da temperatura na atividade de forrageamento e na amplitude de dieta dos polinizadores; e os potenciais impactos das mudanças climáticas na estabilidade dessas interações ao longo do tempo. Ao conectar processos em escala individual com dinâmicas populacionais e comunitárias, a palestra evidenciou como abordagens mecanísticas são fundamentais para prever respostas ecológicas em um cenário de rápidas mudanças ambientais, contribuindo para estratégias de conservação da biodiversidade e manutenção de serviços ecossistêmicos, como a polinização.
- Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas
Por Emerson José Celebrado em 16 de março, o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas reforça a importância da ciência, da informação e da mobilização coletiva diante de um dos maiores desafios do nosso tempo. Nesse contexto, pesquisas desenvolvidas pelo CBioClima têm contribuído para ampliar o entendimento sobre como as mudanças climáticas afetam os ecossistemas e a biodiversidade, além de apontar caminhos para mitigar seus impactos e fortalecer a resiliência ambiental. Os estudos conduzidos por pesquisadores do centro investigam, por exemplo, o papel de diferentes ambientes naturais no sequestro e armazenamento de carbono, a relação entre biodiversidade e estabilidade dos ecossistemas e como a conservação da fauna, da flora e dos sistemas aquáticos pode ajudar a reduzir os efeitos do aquecimento global. Outro foco importante das pesquisas é compreender como alterações no clima influenciam as interações ecológicas, a dinâmica das espécies e o funcionamento dos ecossistemas, gerando conhecimento essencial para orientar políticas de conservação e estratégias de adaptação às mudanças ambientais. Ao integrar diferentes áreas do conhecimento — da ecologia à climatologia — o CBioClima busca produzir ciência capaz de apoiar soluções baseadas na natureza, fundamentais para enfrentar a crise climática. 🌱 Fortalecer a ciência é fortalecer nossa capacidade de proteger o planeta.
- Como grandes herbívoros moldam o solo das florestas?
Por: Gabriela Andrietta Animais de grande porte exercem impactos importantes sobre processos fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas florestais. E não é apenas acima do solo. Esses efeitos subterrâneos são o foco do artigo “Belowground effects of ground-dwelling large herbivores in forest ecosystems” , publicado no Journal of Animal Ecology. O estudo apresenta as evidências sobre como grandes herbívoros terrestres, como cervos, javalis, queixadas, e antas , influenciam a serapilheira (camada de material orgânico — folhas, galhos, frutos e restos de animais que recobre o solo de florestas e ecossistemas) e o solo. A pesquisa é conduzida por Letícia Gonçalves Ribeiro, Mateus Melo-Dias, Beatriz Maria Paccas Saraiva, Nacho Villar e conta com a supervisão do Dr. Mauro Galetti. A autora principal, Letícia Gonçalves Ribeiro, é doutoranda da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e integra o Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima), em Rio Claro (SP). O artigo faz parte de sua tese de doutorado, que investiga como grandes herbívoros alteram a serapilheira e o solo e de que forma essas mudanças afetam a ciclagem de nutrientes, com especial atenção às florestas tropicais. Os efeitos dos grandes herbívoros vão muito além do que é visível na superfície. “Esses herbívoros influenciam o solo da floresta por meio do pisoteio, de suas fezes e da busca por alimento, afetando a camada de serapilheira e as propriedades do solo. Ao fazer isso, os grandes herbívoros influenciam a ciclagem de nutrientes, o processo pelo qual elementos essenciais como carbono, nitrogênio e fósforo são reutilizados e reciclados nos ecossistemas, apoiando o crescimento das plantas e sustentando a floresta.”, explica Letícia, autora principal do artigo. O pisoteio pode compactar o solo ou misturar suas camadas superficiais. A alimentação, por exemplo, altera a quantidade e a qualidade do material vegetal que cai no chão da floresta e as fezes devolvem nutrientes ao sistema. Em conjunto, esses fatores impactam os processos ecológicos e a velocidade de decomposição da matéria orgânica. Efeitos distintos em diferentes florestas A investigação realizada pelos autores mostra que os impactos dos herbívoros variam significativamente conforme o tipo de floresta, a fisiologia dos animais e os seus hábitos alimentares. "Apesar da abundância de herbívoros selvagens, sabemos surpreendentemente pouco sobre seus efeitos nos processos subterrâneos das florestas. A maioria dos estudos se concentrou em pastagens africanas e temperadas, onde os herbívoros frequentemente estimulam o crescimento das plantas e aceleram a ciclagem de nutrientes sob certas condições do solo. Nas florestas, no entanto, os herbívoros tendem a se alimentar seletivamente de partes das plantas que são mais fáceis de digerir, deixando para trás alimentos que levam tempo para se decompor. Isso pode retardar a ciclagem de nutrientes, mas, como nossa pesquisa sugere, os efeitos variam dependendo do tipo de floresta e da espécie de herbívoro envolvida.”, afirma Letícia. A maior parte dos estudos se concentrou em pastagens africanas e ecossistemas temperados, onde os herbívoros frequentemente estimulam o crescimento das plantas e aceleram a ciclagem de nutrientes sob determinadas condições. “Considerando essas diferenças entre os tipos de floresta, os efeitos dos herbívoros também não devem ser os mesmos em todas elas. Alguns herbívoros podem desacelerar a ciclagem de nutrientes em um tipo de floresta, enquanto a aceleram em outro. A sua influência também depende de sua composição de espécies, hábitos alimentares, fisiologia e comportamento. Apesar de décadas de pesquisa, nossa compreensão desses processos permanece limitada, especialmente em florestas tropicais, que, apesar de abrigarem a maior diversidade de herbívoros, continuam sendo pouco estudadas", complementa. Embora as florestas tropicais concentrem a maior diversidade de grandes herbívoros do planeta, ainda há poucos estudos sobre processos abaixo do solo. Essa lacuna é particularmente preocupante diante do avanço da defaunação, a perda progressiva de grandes animais causada pela caça, fragmentação de habitats e mudanças no uso da terra. Diferenças na fisiologia e no tamanho dos herbívoros importam O estudo destaca ainda que nem todos os herbívoros são iguais. Essas diferenças determinam como e em que forma os nutrientes retornam ao solo. "Os grandes herbívoros variam amplamente em sua fisiologia e estratégias de alimentação, e essas diferenças têm consequências importantes para a funcionalidade do ecossistema florestal. Alguns herbívoros, como os ruminantes (por exemplo, veados, bovinos, caprinos), têm estômagos complexos que lhes permitem digerir material vegetal de alta qualidade com eficiência. Por outro lado, os herbívoros não ruminantes (por exemplo, antas, javalis, elefantes) têm sistemas digestivos mais simples e processam maiores quantidades de alimentos de menor qualidade em uma velocidade maior do que os ruminantes. Essas diferenças afetam o que eles comem e como os nutrientes retornam ao solo.” explicou a autora. Os hábitos alimentares também variam entre pastadores, ramoneadores ( são herbívoros, como os caprinos, que preferem se alimentar de arbustos, folhas, brotos e frutos, em vez de gramíneas rasteiras) e espécies de dieta mista. Letícia ilustrou que "Os herbívoros também diferem em seus hábitos alimentares. Alguns são pastadores (por exemplo, o bisão), alimentando-se principalmente de grama; outros são ramoneadores (por exemplo, o alce), comendo folhas e brotos; e alguns têm dieta mista (por exemplo, o cervo-vermelho). Nas florestas tropicais, a maioria dos herbívoros são frugívoros (por exemplo, a anta-da-planície, o cateto), consumindo frutos e sementes que caem no solo da floresta. Flutuações sazonais na disponibilidade de recursos podem forçar os herbívoros a mudar suas dietas; por exemplo, os frugívoros podem passar a se alimentar de folhas durante períodos de escassez de frutos." Além dos hábitos alimentares, espécies maiores consomem mais alimento e o retêm por mais tempo no sistema digestivo, o que pode aumentar a assimilação de nutrientes e influenciar a quantidade e a qualidade das fezes, que é um componente crucial da fertilidade do solo."O tamanho do corpo também importa. Espécies maiores consomem mais alimento e o retêm por mais tempo em seu sistema digestivo, o que pode melhorar a assimilação de nutrientes e influenciar a quantidade e a qualidade de suas fezes, um fator importante. O artigo reforça que os grandes herbívoros são peças-chave no funcionamento das florestas, inclusive nos processos invisíveis que ocorrem abaixo do solo. A perda desses animais pode desencadear mudanças profundas na ciclagem de nutrientes, afetando a produtividade, a composição das comunidades vegetais e a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas. Alce ( Alces alces ), um herbívoro terrestre que vive no solo. Crédito: Mauro Galetti.
- Reflexão crítica sobre a "Monocultura do saber" pauta debate sobre trajetórias e enfrentamento da crise climática
Por: Gabriela Andrietta A palestra "Crise climática e monocultura do saber: a diversidade como sementes de futuros possíveis", apresentada durante o Ciclo de Palestras “Diversidade em Foco: Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas”, realizada no dia 11 de março, na sala de defesas do prédio da Pós-graduação do Instituto de Biologia da Unicamp. A convidada foi a mestranda em Ecologia do IB/Unicamp Bruna Vaz, que também integra o Coletivo Emergência Climática (ColEC) da Universidade. Formada em Biologia pela USP de Ribeirão Preto, Bruna desenvolve o seu mestrado sob orientação da professora Simone Vieira, investigando temas relacionados à dinâmica e conservação dos ecossistemas. Durante a sua fala, ela compartilhou reflexões sobre sua trajetória pessoal e acadêmica, marcada pelo amor pela natureza e pela busca por compreender, de forma mais ampla, os desafios sociais da crise climática. Ao longo da sua formação, Bruna destacou a importância da objetividade científica, baseada em dados, fatos e referências, mas também ressaltou a necessidade de questionar a ideia de que soluções exclusivamente tecnológicas seriam suficientes para resolver os problemas ambientais. Um momento importante em sua trajetória foi um intercâmbio na Universidade da Califórnia, onde teve contato com experiências em agroecologia. “Percebi que diferentes trajetórias, culturas e formas de conhecimento podem ajudar a solucionar problemas coletivos”, afirmou. Durante sua formação, Bruna também destacou a importância da experiência em laboratório, especialmente no LEME (Laboratório de Ecologia e Evolução) e no LAECA (Laboratório de Ecologia e Aplicações da Ecologia). Segundo ela, o mestrado é também um momento de choques de realidade, no qual o estudante passa a compreender melhor como funciona o mundo acadêmico e científico. Nesse processo, o apoio de colegas e de uma orientação humana, que incentiva, apoia e reconhece as vulnerabilidades do processo científico, foi fundamental para atravessar os desafios da pós-graduação. Outro ponto central de sua palestra foi a crítica à chamada “monocultura do saber” — uma visão construída a partir de um único referencial de conhecimento. Para Bruna, essa perspectiva pode limitar a compreensão dos problemas socioambientais e gerar impactos negativos tanto no nível individual como coletivo. Nesse sentido, ela defendeu que a diversidade de perspectivas e saberes é essencial para enfrentar a crise climática. Entre as mulheres que contribuíram para romper paradigmas na ciência, Bruna mencionou pesquisadoras e pensadoras como Jane Goodall, Lynn Margulis, Donna Haraway e Vandana Shiva, cujas trajetórias abriram novos caminhos para pensar a relação entre ciência, sociedade e natureza. Bruna também apresentou as ações do Coletivo Emergência Climática (ColEC), grupo formado por estudantes de diferentes cursos da Unicamp que atua na conscientização e no enfrentamento da crise climática por meio de iniciativas práticas e reflexivas. Entre as atividades desenvolvidas estão plantios de agroflorestas, ações de agroecologia, workshops sobre a terra e outras atividades de resistência socioambiental. O coletivo reúne pessoas com diferentes experiências e conhecimentos, incluindo referências acadêmicas, saberes tradicionais e lideranças sociais. Além das discussões teóricas, o grupo também busca criar espaços de reconexão com a natureza, com a comunidade e com nós mesmos, estimulando reflexões sobre a crise climática e socioambiental. A arte, a sensibilidade e outras formas de expressão aparecem como caminhos para potencializar a mobilização e ampliar o diálogo com a sociedade. Para Bruna, enfrentar a crise climática exige mais do que respostas técnicas: exige também repensar nossos valores e formas de existir, fortalecendo iniciativas coletivas que promovam regeneração ambiental e social. Como provocação final, ela propôs uma reflexão ao público: até que ponto a “monocultura do saber” influencia a forma como entendemos a crise climática — e como isso impacta nossas ações para transformá-la?












