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- Degradação ambiental pode ser fator de risco para novas pandemias
Por Emerson José A degradação ambiental pode ser fator de risco para novas pandemias. Neste vídeo, o pesquisador Lucas Ferrante, doutorando da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador associado ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), aborda o potencial patogênico relacionado à degradação ambiental e os riscos que a perda de florestas representa para a saúde humana. A conservação dos ecossistemas também é uma medida de prevenção. Proteger a biodiversidade, reduzir o desmatamento e fortalecer a pesquisa científica são ações importantes para compreender e diminuir os riscos de doenças emergentes.
- Estudo mostra como políticas ambientais afetam a conservação dos biomas brasileiros
Mudanças nas políticas ambientais ao longo de diferentes governos brasileiros influenciaram a perda de vegetação nos últimos 35 anos Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP) revela diferenças expressivas na trajetória ambiental do Brasil ao longo de sucessivos governos. Os resultados destacam uma tendência preocupante: enquanto o desmatamento diminuiu substancialmente na Amazônia, a perda de vegetação nativa continua se acelerando no Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do planeta. O estudo, intitulado Vegetation cover dynamics across presidential terms in Brazil (Dinâmica da cobertura vegetal ao longo dos mandatos presidenciais no Brasil), aceito para publicação na revista científica Environmental Research Communications, analisou mudanças na cobertura de vegetação nativa entre 1990 e 2025 nos maiores biomas brasileiros: Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. O professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro e pesquisador associado ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Marco Aurélio Pizo, participa da pesquisa, que é liderada pelo pesquisador Vinicius Tonetti, da Universidade de Cambridge. Utilizando dados de cobertura da terra obtidos pela plataforma MapBiomas, os pesquisadores compararam as perdas e os ganhos de vegetação nativa ao longo de diferentes governos, avaliando não apenas se a vegetação estava sendo perdida ou recuperada, mas também se o ritmo dessas mudanças estava aumentando ou diminuindo. Os resultados revelam diferenças expressivas entre governos associadas a mudanças quanto as políticas públicas e a governança ambiental. Durante os dois primeiros mandatos de Lula (2003–2010), o ritmo de perda de vegetação nativa diminuiu significativamente nos três biomas analisados. Esse período coincidiu com o fortalecimento da fiscalização ambiental, a implementação de sistemas de monitoramento do desmatamento por satélite, a expansão de unidades de conservação e terras indígenas e a imposição de restrições ao crédito rural em municípios com elevados índices de desmatamento. Entretanto, parte desses avanços foi revertida nos governos seguintes. Durante a administração de Dilma Rousseff, a perda de vegetação voltou a se acelerar em alguns biomas. Essa tendência aumentou durante o governo Temer. Já o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) apresentou a maior aceleração do desmatamento nos três biomas durante o período analisado. Desde o retorno de Lula à Presidência, em janeiro de 2023, o desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica voltou a apresentar uma redução expressiva, em um período marcado pela retomada de políticas de fiscalização e monitoramento ambiental. No entanto, os pesquisadores alertam que esses resultados positivos escondem uma tendência preocupante em outra região do país. Apesar dos esforços recentes para conter o desmatamento na Amazônia, a perda de vegetação nativa no Cerrado continuou se acelerando durante o atual governo Lula. O Cerrado, que ocupa grande parte do Brasil central, abriga uma biodiversidade extraordinária e desempenha um papel fundamental na regulação dos recursos hídricos e no armazenamento de carbono. Entretanto, o bioma possui uma proteção legal consideravelmente menor do que a Amazônia. De acordo com a Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Código Florestal), proprietários rurais podem desmatar legalmente até 80% da vegetação nativa na maior parte do Cerrado, enquanto na Amazônia esse percentual é de 20%. Essa diferença permite que extensas áreas de vegetação nativa do Cerrado sejam convertidas legalmente para outros usos, especialmente em regiões de expansão da produção agropecuária. Os pesquisadores apontam que a persistência do desmatamento no Cerrado provavelmente está relacionada à combinação de uma legislação ambiental menos restritiva à crescente demanda por commodities agrícolas e ao possível deslocamento de pressões de desmatamento da Amazônia para outros biomas. Os resultados evidenciam um desafio fundamental para a conservação ambiental no Brasil: reduzir o desmatamento na Amazônia, embora essencial, não é suficiente para interromper a perda de ecossistemas naturais no país. O estudo também identificou uma trajetória distinta na Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados e biodiversos do planeta. Diferentemente da Amazônia e do Cerrado, a Mata Atlântica apresentou breves períodos de ganho líquido de vegetação nativa, especialmente durante os dois primeiros governos Lula e no início da administração Dilma Rousseff. Esses ganhos estão associados à regeneração natural das florestas, ao abandono de áreas agrícolas de baixa produtividade e à implementação de políticas específicas de proteção do bioma, como a Lei da Mata Atlântica. Entretanto, os pesquisadores ressaltam que florestas em regeneração não recuperam imediatamente a biodiversidade, as funções ecológicas ou os estoques de carbono das florestas maduras. Além disso, muitas dessas áreas são novamente desmatadas poucos anos após o início da recuperação, comprometendo a permanência dos ganhos ambientais. Os pesquisadores destacam retrocessos recentes que podem comprometer os esforços de conservação, incluindo a aprovação da Lei nº 15.190, que enfraquece as exigências do licenciamento ambiental e a legislação relacionada ao chamado “marco temporal”, que ameaça os direitos territoriais dos povos indígenas. Outra preocupação é o enfraquecimento da Moratória da Soja na Amazônia, um acordo histórico entre empresas do setor agrícola destinado a impedir que a expansão da produção de soja esteja associada a novos desmatamentos no bioma. Os autores defendem que a conservação da vegetação nativa brasileira exige não apenas a manutenção e o fortalecimento das políticas ambientais na Amazônia, mas também a ampliação de instrumentos eficazes de proteção e de compromissos de cadeias produtivas livres de desmatamento para o Cerrado. Embora o estudo não demonstre que os presidentes tenham causado diretamente as mudanças observadas na cobertura vegetal, os resultados mostram que períodos caracterizados por maior proteção ambiental estiveram geralmente associados à desaceleração das perdas de vegetação. Em contrapartida, períodos de enfraquecimento da legislação e da fiscalização ambiental coincidiram com a aceleração do desmatamento. Por fim, os pesquisadores alertam que as decisões tomadas nos próximos anos terão consequências que ultrapassam as fronteiras nacionais. O estudo conclui que a capacidade do Brasil de retomar sua posição de liderança mundial no combate ao desmatamento dependerá da proteção de todos os seus principais ecossistemas naturais, não apenas da concentração de esforços na Amazônia. Imagem: Agência Pública
- Diretora do CBioClima leva pesquisas sobre fenologia a congresso no México
Por Emerson José 🌿A diretora do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Patricia Morellato, participa, esta semana, do X Congresso Mexicano de Ecologia, no Centro de Convenções de Puebla, no México, de 18 a 23 de outubro. O tema desta edição do evento é “Conectando saberes, tejiendo soluciones” (Conectando saberes, tecendo soluções). Patricia Morellato proferiu aula magna segunda-feira (19) acerca de “Phenology and climate change across the tropics: a global review and way forward” (Fenologia e mudanças climáticas nos trópicos: uma revisão global e perspectivas futuras). Já na sexta-feira (23), a professora Patricia será palestrante na área de conhecimento de Biología Reproductiva Vegetal y Fenología. O tema de sua apresentação será: “Sin temporalidad, sin servicios: el papel central de la fenología en la provisión de servicios ecosistémicos” (Sem temporalidade, sem serviços: o papel central da fenologia na provisão de serviços ecossistêmicos). O congresso reúne pesquisadores e profissionais da área de ecologia para compartilhar conhecimentos e discutir desafios relacionados à biodiversidade, à conservação e à sustentabilidade.
- AmazonFACE investiga como as mudanças climáticas podem afetar a resiliência da floresta amazônica
Por Emerson José Em palestra nos Seminários Charles Darwin, o pesquisador David Lapola apresentou o programa que busca compreender como o aumento de CO₂ na atmosfera pode influenciar o funcionamento da Amazônia e sua capacidade de absorver carbono Como a floresta amazônica responderá ao avanço das mudanças climáticas? Essa é uma das questões apresentadas na palestra “Programa AmazonFACE: ecologia e resiliência da floresta amazônica frente às mudanças climáticas” do pesquisador David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O pesquisador participou dos Seminários Charles Darwin, nesta terça-feira (20), no câmpus da Unesp de Rio Claro. David é coordenador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp e coordenador científico do Programa AmazonFACE. O pesquisador abordou o papel da Amazônia na mitigação das mudanças climáticas e os riscos que o aquecimento global representa para a própria floresta. Embora a vegetação amazônica absorva carbono da atmosfera, sua capacidade de manter essa função pode ser comprometida pelas alterações ambientais. Segundo a apresentação, cerca de 25% da meta climática brasileira mencionada na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) depende da absorção de carbono pela Amazônia. O AmazonFACE busca compreender como o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) afeta processos essenciais da floresta. O experimento utiliza estruturas instaladas na vegetação para elevar a concentração do gás em aproximadamente 200 partes por milhão, permitindo investigar as respostas das árvores e do ecossistema a condições atmosféricas futuras. As pesquisas abrangem diferentes dimensões do funcionamento florestal, incluindo o ciclo do carbono, os nutrientes, a água e a biodiversidade, além de análises socioambientais e modelagem. Um dos pontos centrais é entender se o aumento de CO₂, que pode estimular a fotossíntese, será suficiente para favorecer o crescimento da vegetação ou se fatores como a disponibilidade de nutrientes limitarão essa resposta. Os resultados são importantes para aprimorar os modelos que projetam o futuro do clima e da floresta amazônica. Os Seminários Charles Darwin são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima). A palestra será disponibilizada em breve no canal do CBioClima no Youtube. A próxima palestra será no dia 17 de novembro com o pesquisador Jeferson Bugoni no Anfiteatro II do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.
- Seminários Charles Darwin: ecologia e resiliência da floresta amazônica
Por Emerson José Na próxima terça-feira, 20 de outubro, às 13h, os Seminários Charles Darwin recebem no Anfiteatro II do IB do câmpus da Unesp de Rio Claro o pesquisador David Lapola, da Unicamp, para a seguinte palestra: “Programa AmazonFACE: ecologia e resiliência da floresta amazônica frente às mudanças climáticas”. David é coordenador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, além de coordenar cientificamente o Programa AmazonFACE. O encontro abordará como a pesquisa científica busca compreender os efeitos das mudanças climáticas e do aumento de CO₂ na atmosfera sobre a floresta amazônica, sua biodiversidade e sua capacidade de resiliência. Participem! A palestra é aberta a toda a comunidade unespiana.
- 📚15 de outubro | Dia do Professor
Por Emerson José O CBioClima/Unesp celebra professoras e professores que compartilham conhecimento, inspiram novas gerações e contribuem para o avanço da ciência. Ensinar, orientar e pesquisar são formas de transformar o futuro e fortalecer o compromisso com a biodiversidade e a conservação do planeta. Nossa gratidão a quem faz da educação e da ciência caminhos para um mundo melhor!
- Cinco pesquisadores associados ao CBioClima aparecem em classificações internacionais de impacto científico
Por Emerson José Mauro Galetti, Célio Haddad, Leonardo Fraceto, Patrícia Morellato e Milton Cezar Ribeiro integram diferentes classificações de um levantamento internacional baseado em citações científicas Cinco pesquisadores associados ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), sediado na Unesp de Rio Claro, aparecem no levantamento internacional Updated science-wide author databases of standardized citation indicators, publicado pela Elsevier em outubro de 2026. O levantamento tem como referência o trabalho conduzido pelo pesquisador John P. A. Ioannidis, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. A base reúne indicadores bibliométricos padronizados de pesquisadores de diferentes áreas e subáreas do conhecimento, incluindo citações recebidas, índice h, indicadores ajustados à coautoria e um indicador composto denominado c-score. A edição de 2026 apresenta duas classificações distintas: uma considera o impacto científico medido pelas citações recebidas durante o ano de 2025; a outra considera o impacto acumulado ao longo da carreira, com dados até o final de 2025. Entre os pesquisadores associados ao CBioClima, Leonardo Fraceto (diretor de inovação do CBioClima), Mauro Galetti (diretor de disseminação), Célio Haddad (diretor científico), Patrícia Morellato (diretora do CBioClima) e Milton Cezar Ribeiro (pesquisador associado) aparecem na classificação referente ao impacto em citações durante 2025. Leonardo Fraceto, Mauro Galetti, Célio Haddad e Patrícia Morellato também integram a classificação de impacto acumulado ao longo da carreira. A Elsevier é uma empresa internacional de publicação científica e de soluções de informação para pesquisa. Entre seus recursos está a Scopus, base de dados utilizada para indexar publicações científicas e acompanhar indicadores de produção e citações. O levantamento utiliza dados dessa base para calcular indicadores padronizados de impacto científico. A seleção considera pesquisadores entre os 100 mil com maiores pontuações no indicador composto, com e sem autocitações, ou aqueles que alcançam posição igual ou superior ao percentil 98 em sua subárea científica. A metodologia prioriza o impacto medido por citações, mas esses indicadores não representam, isoladamente, todas as dimensões da qualidade e da contribuição de um pesquisador. A presença de pesquisadores associados ao CBioClima nessas classificações evidencia a repercussão de suas publicações científicas segundo os critérios bibliométricos adotados pelo levantamento internacional. *Com informações da Pró-Reitoria de Pesquisa da Unesp e da base de dados da Elsevier.
- Dia Internacional para Redução de Desastres: ciência e prevenção salvam vidas
Por Emerson José Os impactos de chuvas intensas, enchentes e secas podem ser reduzidos com prevenção, planejamento e conhecimento científico. No Dia Internacional para Redução de Desastres Naturais, celebrado em 13 de outubro, é importante reforçar o papel da ciência na compreensão dos riscos e na preparação da sociedade para enfrentar eventos extremos. Para marcar a data, o CBioClima preparou uma entrevista com o professor da USP Eduardo Mario Mendiondo, pesquisador associado ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), para discutir os desafios da redução de riscos de desastres e a importância de ações preventivas. A conversa destaca a contribuição da ciência para compreender os fenômenos relacionados à água, avaliar riscos e apoiar estratégias de prevenção e adaptação diante de eventos extremos. Reduzir os riscos de desastres exige conhecimento, planejamento e ações integradas. Investir em prevenção é fundamental para proteger vidas, comunidades e ecossistemas. ▶️ Confira a entrevista e saiba como a ciência pode contribuir para reduzir os riscos de desastres!
- Diversidade em Foco discute a Paleoclimatologia como bússola para o futuro
Profa Dra Marília Campos, pesquisadora do CENA/USP, mostrou como sedimentos do fundo do mar guardam lições sobre o enfraquecimento da circulação oceânica do Atlântico e seus efeitos por Carolina Medeiros No dia 30 de setembro, aconteceu mais uma palestra do ciclo de seminários “Diversidade em Foco – saberes e desafios diante das mudanças climáticas”; que contou com a presença da professora doutora Marília Campos. Marília é pesquisadora e professora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da Universidade de São Paulo e do Laboratório ¹⁴C, foi a convidada do ciclo de seminários Diversidade em Foco. Em sua palestra, intitulada "Reconstituições paleoclimáticas: lições do passado para o futuro", ela apresentou ao público uma trajetória científica marcada, nas palavras da própria apresentação, por "descobertas, desafios e oportunidades". O clima do passado guardado no fundo do mar A palestra começou pelo básico: o prefixo "paleo", do grego antigo, indica o estudo de aspectos pretéritos, e a paleoclimatologia estuda as condições climáticas da Terra ao longo do tempo geológico por meio dos chamados arquivos paleoclimáticos. Entre eles estão anéis de crescimento de árvores, corais, espeleotemas, sedimentos laminados, gelo e pólen, fontes naturais que preservam evidências físicas, químicas ou biológicas das condições ambientais. Marília deteve-se nos sedimentos marinhos. Partículas transportadas pelos rios e pelo vento, como minerais, matéria orgânica e pólen, somam-se a conchas e esqueletos de organismos formados na coluna d'água, como foraminíferos, cocolitoforídeos, diatomáceas e radiolários. Tudo isso se deposita e se acumula no fundo oceânico, formando camadas. Coletadas em expedições por testemunhos, essas sequências permitem reconstituir a ordem dos eventos do mais jovem ao mais antigo. No laboratório, o material é analisado em busca de microfósseis, geoquímica, minerais e datações, entre outras análises. Cada componente funciona como um indicador (proxy): o sedimento total informa sobre paleoprecipitação e paleointemperismo; pólen, ceras de plantas e microcarvões revelam paleovegetação e paleoincêndios; e os foraminíferos contam sobre paleotemperatura, paleosalinidade e paleocirculação. A AMOC e o que o passado ensina O foco da linha de pesquisa principal da professora é a AMOC (Atlantic Meridional Overturning Circulation), o sistema de correntes oceânicas que transporta massas de água pelo Atlântico, movido por diferenças de temperatura, salinidade, densidade e pela ação dos ventos. Ela destacou quatro papéis desse sistema regulação do CO₂ atmosférico, manutenção do gradiente inter-hemisférico de temperatura da superfície do mar, controle da precipitação nas baixas latitudes e influência na cobertura arbórea da América do Sul tropical. A AMOC é considerada um tipping element do sistema climático, e seu enfraquecimento está associado a um possível tipping point. Marília apresentou o debate científico sobre o tema, que inclui estudos que apontam o enfraquecimento e até um colapso futuro e outros que indicam continuidade da circulação mesmo sob extremos climáticos. Segundo ela, as incertezas persistem: a AMOC não colapsou nem se reduziu drasticamente no período instrumental, e os modelos climáticos ainda enfrentam dificuldades em simular tipping elements. É aí que entram os sedimentos marinhos, que registraram eventos pretéritos de enfraquecimento da circulação, os chamados Heinrich stadials (HS). Esses registros fornecem lições sobre as consequências para: circulação profunda e CO₂ atmosférico, aumento da temperatura do Atlântico Sul, precipitação e cobertura arbórea da Floresta Amazônica. Uma trajetória "em camadas" Na segunda parte da palestra, Marília usou a imagem de um testemunho sedimentar para contar sua própria história, uma "trajetória em camadas", com eventos depositados ao longo do tempo. A base é a vida pré-acadêmica, marcada pelo interesse pela natureza, sobre a qual vieram a graduação em Gestão Ambiental na EACH/USP (que ela definiu como a base interdisciplinar para as camadas seguintes), o mestrado e o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da EACH/USP, ambos com bolsas FAPESP, e períodos de pesquisa no MARUM, da Universidade de Bremen, na Alemanha. Em seguida, Marília iniciou seu pós-doutorado no Instituto de Geociências da USP, com estágio na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e o período como pesquisadora visitante no Instituto de Geociências da Unicamp, com o projeto ThE South Atlantic on a 2°C waRmeR plAnet (TERRA), apoiado pelo Programa Nova Geração de Pesquisadores da FAPESP. O projeto investiga o papel do Atlântico Sul em um planeta 2 °C mais quente, com abordagem multiproxy em sedimentos marinhos, e alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 (ação contra a mudança global do clima), 14 (vida na água) e 15 (vida terrestre). A camada mais recente da trajetória é a aprovação, em fevereiro de 2026, em concurso para Professor Doutor no CENA/USP, na área de Radiocarbono e Estudos de Reconstituição Paleoambiental, com atuação no Laboratório ¹⁴C e na Divisão de Desenvolvimento de Métodos e Técnicas Analíticas Nucleares (DVTEC). Ela também ministra as disciplinas Paleobiologia, para o curso de Ciências Biológicas da ESALQ/USP, e Técnicas Isotópicas e Métodos Analíticos em Estudos de Reconstituição Paleoambiental, no PPG-Ciências. A palestra na integra está disponível no canal ldo CBioClima no YouTube: https://youtu.be/GVLIzu3LnC0
- 🌿Você já imaginou “desenhar” um produto agrícola a partir da anatomia de uma folha?
Por Emerson José e Renan Ramos No CBioClima, a ciência brasileira está redefinindo o futuro do agronegócio por meio do nanodesign orientado por plantas. Liderada pelo professor Leonardo Fraceto, essa pesquisa inverte a lógica tradicional de desenvolvimento. Em vez de criar uma partícula e testá-la na planta por tentativa e erro, os pesquisadores agora partem da morfologia da planta para projetar soluções que superem as barreiras naturais do vegetal. Por que isso é revolucionário? 🔹 Precisão Absoluta: O produto é desenhado para o alvo específico, garantindo uma entrega muito mais eficiente; 🔹 Sustentabilidade: Com maior eficiência, conseguimos reduzir drasticamente as doses de aplicação, o desperdício de insumos e os impactos ambientais, protegendo a biodiversidade; 🔹 Combate à Resistência: Ajuda a enfrentar pragas altamente agressivas e resistentes aos herbicidas comuns, como o “caruru gigante". Esse trabalho inovador, desenvolvido integralmente no Brasil por pesquisadores do CBioClima e do INCT NanoAgro, despertou o interesse da renomada revista científica Nature, colocando nossa ciência no topo da vitrine global. 🔗 Conheça Leonardo Fraceto e suas tecnologias no nosso portfólio de inovação!
- CBioClima participa do XX Congresso Internacional da IUSSI, na Alemanha
Por Emerson José O vice-diretor do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), Maurício Bacci, participou juntamente com uma delegação de pesquisadores do XX Congresso Internacional da IUSSI (International Union for the Study of Social Insects ou União Internacional para o Estudo de Insetos Sociais), em Freiburg, na Alemanha, em agosto. A IUSSI é uma sociedade científica mundial dedicada a promover o estudo de artrópodes sociais (como formigas, abelhas, vespas e cupins), sua biologia, comportamento, evolução e ecologia. O pesquisador de pós-doutorado Alan Cerqueira apresentou o trabalho sobre “A diversidade da microbiota bacteriana associada à formiga-cortadeira Atta sexdens em diferentes regiões do Brasil”. O estudo revelou a presença de bactérias abundantes e amplamente distribuídas entre as populações, incluindo possíveis associações simbióticas ainda pouco conhecidas e linhagens potencialmente especializadas em insetos. Já a pesquisadora de pós-doutorado Karine Ribeiro apresentou trabalho acerca do “Isolamento reprodutivo entre duas linhagens mitocondriais de Atta laevigata”, que ocorrem de forma simpátrica no sudeste do Brasil. Seus resultados indicam que essas barreiras são incompletas e que há sobreposição temporal na atividade reprodutiva. Assim, a diversificação observada em A. laevigata pode representar um processo evolutivo em andamento. A pesquisadora de Doutorado Lara Santello, por sua vez, apresentou o trabalho no qual investigou “As comunidades bacterianas e fúngicas associadas a Atta sexdens”, incluindo as formigas, o jardim de fungo e o solo ao longo de um gradiente de 0 a 5 m do ninho, utilizando metabarcoding de 16S rRNA e ITS2. O pesquisador de pós-doutorado Geovanny Barroso apresentou trabalho referente aos “Efeitos da exposição subletal ao fungicida mancozebe em duas espécies de abelhas sem ferrão brasileiras, Scaptotrigona aff. postica e Tetragonisca angustula”. Os resultados mostram alterações sutis na microbiota intestinal bacteriana e fúngica das abelhas, com maior sensibilidade dos fungos, incluindo a redução das leveduras Rhodotorula e Metchnikowia. Além disso, foram observados danos no epitélio do intestino médio dos indivíduos expostos, evidenciando impactos subletais (que não matam) do fungicida sobre a saúde intestinal das abelhas. Ademais, o pesquisador de doutorado Lucas Miotelo apresentou pesquisa sobre “Os efeitos do inseticida sulfoxaflor”, que pode estar presente no néctar e no pólen, no cérebro da mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides), uma abelha sem ferrão nativa do Brasil. Os resultados mostraram que, mesmo ingerindo uma dose subletal do inseticida, ou seja, uma dose que não as mata, as abelhas sofrem alterações na expressão de genes do cérebro ligados a desintoxicação, metabolismo, estrutura e organização celular e atividade neuronal. Isso reforça a importância de incluir as abelhas nativas na avaliação de risco de agrotóxicos, que hoje se baseia, quase que exclusivamente, na abelha Apis mellifera. Por fim, o professor Maurício Bacci Junior apresentou estudo realizado por pesquisadores da Unesp de Rio Claro e da Fiocruz, que buscou identificar genes candidatos para futuras pesquisas sobre inseticidas moleculares voltados ao manejo de formigas cortadeiras. Foram comparadas sequências de genes expressos em Atta sexdens e Atta laevigata, identificando genes conservados e genes com variações entre as duas espécies. Entre eles, foram encontrados genes relacionados, em outros insetos, a processos como desenvolvimento, formação da cutícula e detoxificação de substâncias. A análise permitiu selecionar 16 genes candidatos para futuras investigações sobre alvos moleculares para o controle dessas formigas. Os resultados fornecem novas bases para o desenvolvimento de estratégias mais específicas e inovadoras de manejo de formigas cortadeiras. *com informações do pós-doutorando Alan Cerqueira.
- Conheça Renata Lima
Por Emerson José e Renan Ramos Como a biologia molecular pode revolucionar a agricultura e a gestão ambiental? A resposta está na trajetória da Dra. Renata Lima, uma das mentes por trás das tecnologias do CBioClima. Com uma formação diversificada que passa pela graduação e mestrado na UFSCar e um doutorado em Ciências Médicas pela Unicamp, Renata aprendeu a usar as ferramentas da genética para solucionar problemas complexos. Hoje, como docente na Uniso e pesquisadora associada ao CBioClima, ela lidera o desenvolvimento de nanopartículas metálicas biogênicas. Sua pesquisa é um "meio do caminho" inovador entre a nanotecnologia e os defensivos biológicos. Ela utiliza metabólitos de microrganismos para revestir metais como prata e ferro, criando soluções estáveis que combatem pragas e estimulam o crescimento das plantas sem agredir o ecossistema. Renata é fundadora das startups Prïobio (foco agrícola) e Ananke (foco ambiental) e acredita que a universidade não deve ser apenas prestadora de serviços, mas também protagonista na criação de valor. Sua trajetória nos inspira a mostrar que o próximo passo viável para a pesquisa acadêmica amadurecida é o impacto direto na sociedade e na economia. 🔗 Conheça as tecnologias e a trajetória de Renata Lima em nosso portfólio de inovação!












