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- Darwin Day
Por Emerson José 🔊 O Darwin Day (12 de fevereiro) é uma celebração global da ciência, da curiosidade humana e do legado do naturalista Charles Darwin. Para o CBioClima/UNESP Rio Claro, é um momento de reforçar a importância da pesquisa acadêmica e da evolução como pilar da biologia moderna. Na imagem, a frase “I think” foi escrita por Darwin em seu caderno de anotações (1837) logo acima do seu primeiro esboço da Árvore da Vida. Darwin usou o "Eu acho" para introduzir a noção de que todas as espécies possuem um ancestral comum, conectando-se como ramos de uma grande árvore. 🌸 O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) nomeou os Seminários Charles Darwin em reconhecimento aos estudos do naturalista britânico. Neles, fomentamos o debate científico, apresentamos as fronteiras da pesquisa e inspiramos novas gerações de pensadores. ✨ O Darwin Day representa dedicação à ciência, à educação e a busca incessante pelo conhecimento que nos levam a desvendar os mistérios da natureza. 🔬 Viva a ciência!
- Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência
📢 No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, reforçamos a importância de garantir acesso, permanência e reconhecimento para que mais meninas e mulheres ocupem todos os espaços da ciência. A data, instituída pela UNESCO, nos convida a refletir sobre as desigualdades ainda presentes na pesquisa acadêmica. Valorizar meninas e mulheres na ciência é investir em diversidade, inovação e futuro. 💜🔬 Que este dia seja um chamado para ampliar oportunidades, fortalecer redes de apoio e construir ambientes acadêmicos mais justos e inclusivos.
- 50 anos Unesp
Por Emerson José 🎓✊ Há 50 anos, a Unesp reafirma o papel da universidade pública na construção de um país mais justo, democrático e desenvolvido. A educação superior pública é um direito social e um pilar fundamental para a produção de conhecimento, a redução das desigualdades e o fortalecimento da soberania científica do Brasil. Ao longo de cinco décadas, a Unesp tem sido espaço de formação crítica, pesquisa de excelência e compromisso com as demandas da sociedade. Neste marco histórico, lembramos daqueles que construíram essa universidade ao longo de décadas de dedicação: professoras e professores, técnicas e técnicos, estudantes e todos que lutaram e lutam pela universidade pública, gratuita, inclusiva e de qualidade. Viva a universidade pública!
- Dia Mundial da Educação Ambiental
Por Emerson José 📆 26 de janeiro – Dia Mundial da Educação Ambiental 🌱A data reforça a importância do conhecimento como ferramenta para compreender e proteger a biodiversidade. A educação ambiental amplia o olhar crítico sobre o meio ambiente e contribui para a construção de práticas mais sustentáveis. 💚 No CBioClima, a educação ambiental também se conecta à ciência cidadã. Projetos como o Jacarandá mostram como a participação da sociedade pode fortalecer a pesquisa científica e ampliar o registro da biodiversidade. ✨ Aprender, participar e agir: cuidar da natureza é construir, juntos, o futuro do planeta.
- Gravações sonoras de anfíbios no Brasil revelam viés geográfico e taxonômico
Por Emerson José Um estudo recente, com participação de pesquisadores da Unesp e publicado em dezembro na Biological Journal of the Linnean Society , revela que as gravações sonoras de anfíbios no Brasil apresentam fortes vieses geográficos e taxonômicos. A pesquisa identificou 26 espécies de anfíbios cujas vocalizações ainda não haviam sido descritas pela ciência, evidenciando lacunas no conhecimento bioacústico da fauna brasileira. O artigo, intitulado “Amphibian sound recordings in Brazil are geographically and taxonomically biased and cover less than two-thirds of native species” , foi elaborado com a participação de pesquisadores associados ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima), sediado no câmpus de Rio Claro da Unesp. Com mais de 1.250 espécies, o Brasil abriga a maior diversidade de anfíbios do mundo. O estudo apresenta uma visão geral de 15 coleções sonoras mantidas por instituições brasileiras, que reúnem gravações de vocalizações utilizadas em estudos comportamentais, ecológicos e taxonômicos. Foram analisadas 25.385 gravações, que resultaram em uma lista de espécies, entre as quais 26 apresentam vocalizações descritas pela primeira vez. As famílias mais representadas foram Hylidae (48%) e Leptodactylidae (21%). Considerando todas as coleções, foram representadas 798 espécies pertencentes a 24 famílias, com 22.298 registros de 725 espécies nativas e 178 registros de 73 espécies que não ocorrem no país. Embora a maior parte das gravações tenha sido obtida no território brasileiro, também foram identificados registros de outros 17 países, que representam 1,4% do total de dados. Nos anuros — grupo de anfíbios que inclui sapos, rãs e pererecas — a comunicação acústica desempenha papel fundamental em diferentes etapas do ciclo de vida, como reprodução e defesa territorial. Avaliar espécies e seus metadados por meio de coleções sonoras constitui uma estratégia relevante para identificar lacunas de conhecimento e orientar pesquisas futuras em bioacústica. Ao realizar a primeira avaliação em larga escala de gravações de anuros depositadas em coleções sonoras no Brasil, o estudo identificou vieses taxonômicos, filogenéticos e geográficos na distribuição dos registros. Esses acervos abrangem cerca de 60% das 1.250 espécies de anuros atualmente registradas no Brasil, reforçando a existência de lacunas significativas no conhecimento bioacústico. A análise dos acervos bioacústicos revelou que mais de 30% das espécies nativas não estão representadas em coleções de áudio, o que evidencia a necessidade de ampliar e diversificar esses registros. O estudo também destaca a importância de criar novas coleções bioacústicas e de estimular maior participação da sociedade civil na produção de dados, especialmente em regiões atualmente sub-representadas. Para os autores, ampliar e diversificar as coleções de sons é essencial para avançar no conhecimento da biodiversidade e apoiar estratégias de conservação. Investir em novos registros e em maior participação social pode contribuir para revelar a riqueza sonora ainda pouco conhecida dos anfíbios brasileiros. O estudo pode ser acessado na íntegra em: https://doi.org/10.1093/biolinnean/blaf106 .
- Atividade sobre os Jacarandás desperta a curiosidade pela biodiversidade urbana e passa a integrar acervo do Centro de Visitantes do Parque do Ibirapuera
Por: Gabriela Andrietta No dia 18 de janeiro, o Parque do Ibirapuera recebeu a segunda edição do evento Cidade Azul: Fenologia dos Jacarandás, que reuniu mais de 100 visitantes em uma atividade de aprendizado sobre os jacarandás, aproximando o público da ciência e da natureza. A ação está inserida no âmbito da fenologia, ciência que estuda os ciclos naturais das plantas, como floração e frutificação, e a sua relação direta com as condições climáticas. O acompanhamento desses eventos permite compreender como variações de temperatura e regime de chuvas afetam o comportamento das árvores ao longo do tempo, gerando importantes indicadores sobre as mudanças climáticas. A pesquisa “Fenologia de Jacaranda mimosifolia D. Don. em parques urbanos da cidade de São Paulo como subsídio para o monitoramento das mudanças climáticas globais”, desenvolvida pelo (CBioClima), com apoio da FAPESP, já monitorou cerca de 470 árvores de jacarandá em oito parques públicos da cidade de São Paulo, incluindo o Parque Ibirapuera. Foram mapeados também indivíduos localizados em ruas e avenidas. O estudo contempla três espécies: Jacaranda mimosifolia, Jacaranda cuspidifolia e Jacaranda brasiliana, sendo as duas últimas nativas do Brasil. O monitoramento das árvores foi realizado por Leonardo Ganz, estudante de mestrado, sob sup ervisão das pesquisadoras Dra. Patrícia Morellato e Dra. Maria Tereza Grombone Guaratini. Em 2025 , o trabalho foi ampliado por meio de uma parceria com a Urbia Gestão de Parques , incorporando ações de ciência cidadã e educação para a sustentabilidade , voltadas ao público visitante. A proposta envolve pesquisadores e sociedade na coleta e observação de dados, fortalecendo o conhecimento sobre as árvores urbanas e contribuindo para o monitoramento das mudanças climáticas no ambiente urbano. Esta iniciativa no Parque Ibirapuera funciona como um projeto piloto , que deverá ser reproduzido em outras cidades brasileiras, como Rio Claro (SP), por Thalita Surian, e Belo Horizonte (MG) , por Carolina Pontes, ampliando o alcance da metodologia e da participação social. Para a bióloga Bianca Curopos, do setor de projetos socioambientais do Parque Ibirapuera, a parceria tem sido muito importante. “Conseguimos ofertar mais uma atividade de ciência cidadã, o que é muito importante para um parque urbano que recebe mais de 100 mil visitantes por mês”. A cientista ambiental Vitória Andreassi, que também integra a equipe socioambiental, destaca o alcance do evento junto a públicos diversos. "Essa parceria com centros de pesquisa mostra o quanto estamos engajados e preocupados com as mudanças do clima e trazer esse debate de forma prática para a população, trazendo visibilidade para a disseminação da ciência” , afirma. Bianca complementa que a presença significativa de público adulto chama atenção, especialmente porque, em geral, as atividades socioambientais são direcionadas principalmente às crianças. Segundo ela, muitas pessoas que frequentam o parque para atividades esportivas ou lazer passam a enxergá-lo de outra forma após participar do projeto, reconhecendo espécies e despertando curiosidade pela biodiversidade urbana. “É importante resgatar a paixão e a curiosidade pelo meio ambiente de outros grupos que normalmente não se interessam pela biodiversidade”, destaca. A bióloga reforça ainda que as atividades práticas, que incluem o contato direto com sementes, frutos e material botânico, ampliam o envolvimento do público ao estimular diferentes sentidos, indo além da observação visual e promovendo uma conexão mais profunda com a natureza. Ao longo das atividades, ficou evidente que muitas pessoas confundem os jacarandás com ipês, especialmente por conta da floração vistosa e das cores semelhantes. Diversos participantes relataram que já fotografavam essas árvores há anos acreditando tratar-se de ipês, até descobrirem, durante o evento, que eram jacarandás. A iniciativa também apresentou ao público a plataforma iNaturalist, que pode ser utilizada por para registrar observações, identificar espécies e contribuir com ações de ciência cidadã, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade urbana. Exemplares de folhas secas de jacarandás, conhecidos como exsicatas, assim como outros materiais produzidos ao longo do projeto, foram incorporados ao acervo informativo do Centro de Visitantes do Parque Ibirapuera. O espaço reúne textos, mapas e informações sobre as espécies de jacarandá e a história do parque, e recebe até 9 mil visitantes por trimestre, incluindo turistas nacionais e estrangeiros, ampliando o alcance da divulgação científica e da educação ambiental.
- Acidentes com Serpentes e Atenção à Saúde no Brasil
Por Dr. Thiago Salomão de Azevedo, pós-doutorando Guedes Lab/UNESP Dra. Thais Barreto Guedes, coordenadora Guedes Lab/UNESP Os acidentes com serpentes, que resultam na necessidade de atendimento médico, constituem importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em áreas rurais, de mata, trilhas, rios e cachoeiras. Fatores ambientais e climáticos influenciam diretamente a ocorrência desses acidentes com seres humanos, com o aumento de casos em períodos mais quentes e chuvosos do ano, coincidindo com maior atividade das serpentes e intensificação das atividades humanas ao ar livre. Processos como o desmatamento, expansão urbana desordenada e mudanças climáticas também contribuem para o aumento do contato entre humanos e serpentes. Por sua natureza epidemiológica e toxicológica, esses acidentes com serpentes de importância médica exigem atenção imediata, manejo clínico adequado e, em muitos casos, a administração de soro antiofídico, disponibilizado de forma gratuita e sistemática pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse sentido, o SUS dispõe de uma rede estruturada de vigilância, serviços de urgência e antivenenos específicos distribuídos estrategicamente em diversas unidades de referência com cobertura em todos os estados brasileiros, garantindo atendimento oportuno às vítimas de acidentes por serpentes. Esses insumos e protocolos terapêuticos são resultado de diretrizes nacionais e de ações intergovernamentais e asseguram a assistência de saúde à população em conformidade com as melhores práticas clínicas e de saúde pública. CASO RECENTE Nesse contexto, deve-se destacar que a situação recentemente relatada no sul da Bahia, na qual uma turista sofreu um acidente com serpente peçonhenta na Cachoeira do Tijuípe, no distrito de Serra Grande, município de Uruçuca, entre Ilhéus e Itacaré, configura um evento raro e excepcional. Conforme noticiado pela mídia local, a vítima foi internada em estado grave, apresentando evolução clínica complexa, que culminou na amputação de um de seus membros inferiores. Em geral, desfechos de maior gravidade em acidentes com serpentes de importância médica estão associados a uma combinação de fatores: elevada quantidade de veneno inoculado pela serpente na vítima, o nível de gravidade do acidente, o local do corpo no qual ocorreu a picada, elevado tempo decorrido da picada até o atendimento especializado, o manejo inicial inadequado da vítima até o centro médico e falhas no atendimento prestado pelos profissionais de saúde. Por outro lado, a evolução favorável observada na maioria dos casos é relacionada à ocorrência de picadas secas e/ou de baixa gravidade, à identificação precoce do agravo, ao acesso rápido aos serviços de saúde e profissionais capacitados, à não utilização de práticas de medicina alternativa ou tratamentos caseiros, e à administração rápida, oportuna e adequada do soro antiofídico. Assim, apesar da triste severidade deste episódio específico, a experiência brasileira no manejo de acidentes por serpentes, que demandam atendimento médico, demonstra que a grande maioria dos casos evolui sem sequelas permanentes graves quando o atendimento é realizado de forma oportuna, protocolar e baseada em evidências. Assim, esse caso deve ser compreendido como uma exceção clínica e circunstancial que precisa ser melhor compreendido ainda, mas que reforça a importância de ampliar a capilaridade dos serviços de urgência e emergência, especialmente em áreas remotas, fortalecer as ações de educação em saúde e de prevenção ambiental, qualificar o atendimento aos pacientes e assegurar o transporte adequado e rápido das vítimas até unidades de referência com capacidade para o manejo correto desses acidentes. Do ponto de vista preventivo, a redução do risco de acidentes com serpentes peçonhentas depende da adoção de medidas específicas, considerando os diferentes perfis de exposição. Para trabalhadores rurais e pessoas que atuam de forma contínua em áreas de risco, recomenda-se o uso sistemático de equipamentos de proteção individual (EPIs), como botas de cano alto, perneiras e luvas apropriadas, além de capacitação periódica sobre identificação de serpentes e condutas seguras no ambiente de trabalho. Para turistas e visitantes ocasionais de áreas naturais, as medidas preventivas incluem o uso de calçados fechados e resistentes, atenção redobrada ao caminhar por trilhas, áreas de vegetação densa, rochas e troncos, bem como evitar colocar as mãos ou os pés em tocas, frestas ou sob pedras. Em qualquer situação, ao avistar uma serpente, deve-se manter distância segura, sem tentar capturá-la ou manipulá-la. Em nível coletivo, ações de educação em saúde, sinalização adequada em áreas de risco, manejo ambiental responsável, controle do acúmulo de resíduos e fortalecimento da vigilância ambiental são estratégias fundamentais para minimizar a ocorrência desses eventos. A integração entre políticas ambientais, turísticas e de saúde pública constitui, portanto, um eixo essencial para a prevenção sustentável dos acidentes ofídicos, promovendo segurança tanto para populações locais quanto para visitantes.
- Nota Técnica: Consolidação da BR-319 e mineração de potássio impulsionarão a emergência de novos microrganismos patogênicos na Amazônia Central
Confira também na aba Disseminação / Nota Técnica .
- Conhecer a memória ecológica de rios e riachos é essencial para planejar conservação, mostra pesquisa do Instituto de Biociências de Rio Claro
Por Jornal da Unesp Pesquisador principal do CBioClima, Tadeu Siqueira, é um dos autores da pesquisa. Na foto acima, Tadeu realiza coleta de insetos aquáticos com o auxílio de uma rede durante saída de campo . https://jornal.unesp.br/2026/01/07/conhecer-a-memoria-ecologica-de-rios-e-riachos-e-essencial-para-planejar-conservacao-mostra-pesquisa-do-instituto-de-biociencias-de-rio-claro/
- Missão científica Brasil-China fortalece a cooperação internacional em pesquisas sobre clima, biodiversidade e ecossistemas tropicais.
*Com informações de Magna Moura Entre 21 e 31 de outubro de 2025, uma delegação de pesquisadores brasileiros vinculados ao (CBioClima/UNESP) participou de uma série de reuniões, visitas técnicas e seminários na China. A agenda fez parte da cooperação FAPESP-NSF China, que visa fortalecer os laços institucionais e promover avanços em pesquisas focadas em mudanças climáticas, fenologia e sustentabilidade ambiental. 21 de outubro – Parceria e Fortalecimento Acadêmico As atividades começaram na Universidade Normal de Pequim (BNU) com uma série de apresentações e intercâmbios institucionais. Em 21 de outubro de 2025, pesquisadores da UNESP – CBioClima visitaram a Universidade Normal de Pequim (BNU), fortalecendo o projeto de cooperação bilateral FAPESP–NSFC “Impacto da variabilidade e dos extremos climáticos na fenologia das plantas e suas implicações para a biodiversidade” (FAPESP–NSFC 2022/07735-5). O professor Yongshuo Fu destacou a importância da parceria entre os projetos apoiados pela Fundação Nacional de Ciências da China (NSFC) e pela FAPESP, enfatizando o papel estratégico da ciência internacional diante dos desafios climáticos e ambientais globais. O professor Xuan Zhang, da Faculdade de Ciências da Água (CWS) da BNU, apresentou a estrutura e as áreas de pesquisa do departamento, celebrando a presença da delegação brasileira e o fortalecimento dos laços acadêmicos. Na sequência, a Professora Patrícia Morellato apresentou a estrutura e as principais iniciativas do CBioClima, destacando as oportunidades de colaboração científica entre as instituições. Estudantes de pós-graduação da BNU, como Tang e Nan, também participaram das discussões, apresentando suas pesquisas vinculadas a projetos conjuntos e contribuindo para o diálogo técnico e científico. O encontro representou um passo importante na construção de uma rede colaborativa focada em biodiversidade, sustentabilidade, inovação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas. 22 de outubro – Ciência na Linha da História No segundo dia, pesquisadores brasileiros e chineses participaram de uma visita técnica organizada pela Universidade Florestal de Pequim à Fazenda Florestal de Badaling, localizada no Parque Florestal Nacional de Badaling, próximo à Grande Muralha da China — uma das áreas mais importantes para restauração ecológica e manejo florestal no país. Durante a visita, foram apresentadas informações sobre o parque, a produção de mudas, as estratégias de conservação e os projetos científicos em andamento, com foco no monitoramento e recuperação da vegetação nativa e na proteção da biodiversidade local. A iniciativa reforçou o compromisso da cooperação Brasil-China com a pesquisa aplicada em sustentabilidade e manejo de ecossistemas florestais em áreas de patrimônio histórico e ambiental. 23 e 24 de outubro – Ciência em Altitude Nos dias seguintes, a equipe brasileira — liderada pela Profa. Patrícia Morellato (UNESP), Prof. Tomás Domingues (USP), Bruna Alberton (UNESP), Magna Moura (EMBRAPA) e a doutoranda Maria Maraiza — viajou para o sul da China, em Kunming, acompanhada pela equipe do Prof. Fu. Os pesquisadores foram recebidos pelo Prof. Wande Liu e pelo Prof. Associado Xiaobo Huang no Instituto de Ciências Florestais de Altitude da Academia Chinesa de Silvicultura, onde participaram de um dia de intercâmbio acadêmico e científico. A programação incluiu apresentações institucionais, uma apresentação do projeto CBioClima pela Profa. Morellato e uma apresentação da Rede e-Fenologia por Bruna Alberton. Também foram realizadas discussões sobre cooperação científica e oportunidades para pesquisas conjuntas em ecossistemas tropicais e subtropicais. Em Pu'er, a delegação brasileira visitou o Parque Florestal Nacional de Caiyanghe, explorando áreas experimentais com amostragem de solo e plantas, estações meteorológicas e torres de fluxo micrometeorológico, que são fundamentais para o monitoramento de carbono, energia e água. 26 e 27 de outubro – Seminário China-Brasil – XTBG, Yunnan, China Cientistas brasileiros e chineses se reuniram no Xishuangbanna Tropical Botanical Garden para discutir os impactos dos extremos climáticos na fenologia e nos fluxos de carbono, água e energia em florestas subtropicais. Destaque para a apresentação do Dr. Moorthy sobre como distúrbios causados por eventos de neve extrema afetam a recuperação da vegetação e os fluxos ecossistêmicos por anos após o impacto. Wittanan Tammadid trouxe insights sobre radiação difusa sob neblina e aerossóis. Boonsiri Sawadchai explorou a fenologia do dossel e os fluxos de carbono ao longo da Península da Indochina A Profa. Patricia Morellato (UNESP) apresentou o projeto CBioClima e novas perspectivas de colaboração entre Brasil e China, com a participação de Bruna Alberton (UNESP), Magna Moura (EMBRAPA) e Tomás Domingues (USP). Durante o encontro, foi anunciado que a doutoranda Maria Maraiza permanecerá na China como parte de um programa internacional de intercâmbio de pesquisa. A visita técnica incluiu uma ida à torre de fluxos e à área experimental, com troca de experiências sobre monitoramento de carbono, água e energia. 29 de outubro — Discussões técnicas com o grupo LPJ-GUESS e jantar de integração As atividades começaram com um encontro técnico com pesquisadores do LPJ-GUESS , um modelo de dinâmica da vegetação e ecossistema terrestre amplamente utilizado em estudos sobre mudanças climáticas. O encontro, realizado na BNU, teve como objetivo discutir áreas de atuação, interesses de pesquisa e dados disponíveis, visando futuras colaborações em modelagem, especialmente sobre fenologia , fisiologia , fluxos de água e carbono , com foco em florestas tropicais . O prof. Yungshuo Fu (BNU) e a profa. Patrícia Morellato (UNESP) apresentaram o projeto bilateral de cooperação FAPESP/NSFC China , que integra cientistas brasileiros e chineses. Estiveram presentes pesquisadores e pós-graduandos da BNU; professores da Lund University (Suécia) — Minchao Wu, Stefan Olin e Thomas Pugh ; e da University of Copenhagen (Dinamarca) — Jing Tang . O prof. Tomas Domingues (USP) compartilhou sua experiência em fisiologia vegetal e apresentou dados recentes sobre traços funcionais de espécies de florestas tropicais, incluindo aspectos hidráulicos importantes para a modelagem. Ele também relatou sua participação em projetos como o AmazonFACE e nos experimentos de exclusão de chuva na Amazônia . Na sequência, a dra. Bruna Alberton (UNESP) apresentou a rede de monitoramento da fenologia nos trópicos , destacando as relações entre métricas fenológicas e seus principais drivers (clima, espécies, solo). Ela enfatizou o sincronismo e a forte correlação entre os índices de verde (Gcc) e a produção primária bruta (GPP) , especialmente na Caatinga. Complementando a discussão, a dra. Magna Moura (EMBRAPA) detalhou as particularidades da Caatinga , ressaltando como o balanço hídrico negativo — baixa precipitação e alta evapotranspiração — define o comportamento das espécies e impõe desafios aos modelos de ecossistema. A diversidade e adaptação das espécies da Caatinga, bem como a torre de fluxos localizada em Petrolina (PE) , despertaram grande interesse dos pesquisadores da área de modelagem. A doutoranda Maria Maraiza (UNESP) também apresentou sua pesquisa de doutorado e comentou sobre as possibilidades de cooperação que serão fortalecidas durante sua estadia de cerca de 30 dias na BNU, quando pretende finalizar um artigo conjunto Brasil-China. O encontro foi encerrado com um jantar de integração entre o grupo brasileiro, o prof. Shuo , e os pesquisadores do LPJ-GUESS. 30 de outubro – Infraestrutura e Inovação na Universidade Normal de Pequim Concluindo as visitas técnicas, a delegação percorreu a infraestrutura experimental da Faculdade de Ciências da Água (CWS), que abriga um dos complexos de pesquisa mais avançados em hidrologia e clima aplicados à vegetação na China. O laboratório possui seis câmaras climáticas controladas, drones multiespectrais e hiperespectrais, equipamentos de medição fisiológica e servidores de alto desempenho para modelagem da dinâmica da vegetação e dos ecossistemas. Além das instalações de pesquisa, os visitantes puderam vivenciar o ambiente de aprendizado e social da Universidade Normal de Pequim, que integra ciência, lazer e bem-estar em espaços modernos e integrados. À tarde, os alunos de engenharia da Universidade Normal de Pequim assistiram às palestras da Professora Patrícia Morellato (UNESP), intitulada "Time is everthing - Phenology, Climate and Biodiversity Conservation in the Tropics", e do Professor Tomás Domingues (USP), com a apresentação “Características Funcionais das Plantas em Relação à Fenologia”. As apresentações despertaram grande interesse entre os estudantes e abriram novas oportunidades para intercâmbio acadêmico e cooperação entre o Brasil e a China. 31 de outubro – Pesquisa brasileira em destaque internacional Encerrando a missão na China, no dia 31 de outubro, a pesquisadora Dra. Bruna Alberton, do CBioClima/UNESP, participou do International Workshop: Modelling Terrestrial Ecosystem Processes and Interactions, realizado na Beijing Normal University (BNU), em Pequim. ✨ Bruna apresentou a palestra “Two Decades of Phenocam Research: Progress and Challenges in Tropical Phenology Ecosystems”, na qual destacou os avanços e desafios das pesquisas com câmeras fenológicas (phenocams) em ecossistemas tropicais. O evento reuniu cientistas da Beijing Normal University, University of Copenhagen e Lund University, promovendo discussões sobre modelagem ecológica, mudanças climáticas e dinâmicas da vegetação. A missão científica consolidou uma aliança estratégica entre pesquisadores brasileiros e chineses, fortalecendo o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias para compreender e mitigar os efeitos das mudanças climáticas globais. Com entusiasmo e espírito colaborativo, as instituições envolvidas reafirmaram seu compromisso com uma ciência integrada, sustentável e internacionalmente conectada.
- Após mais de um século, pesquisadores reencontram begônia rara em ilha brasileira
Por Carolina Medeiros Um recente estudo publicado na Oryx – The International Journal of Conservation por um grupo de pesquisadores brasileiros apresenta informações sobre uma importante redescoberta científica. A Begonia larorum foi reencontrada após mais de cem anos na ilha de Alcatrazes, um dos santuários de biodiversidade mais isolados do Brasil, localizada no litoral norte de São Paulo. O estudo foi conduzido pelo professor Fábio Pinheiro, do Instituto de Biologia da Unicamp e pesquisador associado ao CbioClima, e pelo doutorando Gabriel Pavan Sabino. A Begonia larorum é uma espécie criticamente ameaçada e, de acordo com o Plano de Manejo da Estação Ecológica Tupinambás e Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, fora apontada como possivelmente extinta. A planta é endêmica da ilha e foi redescoberta em 2024, após 14 expedições ao arquipélago entre março de 2022 e setembro de 2024. O achado reacende alertas sobre conservação e mostra a vulnerabilidade de espécies restritas a ambientes insulares. Essa ausência prolongada é explicada pelo isolamento e pela dificuldade de acesso ao arquipélago, que combina paredões rochosos, profundidade crescente e regras rígidas de proteção ambiental. Ainda assim, o local já sofreu intensas perturbações humanas ao longo do século XX. Já houve cultivos agrícolas, presença de faroleiros e ocupação militar marcada por exercícios de tiro, que provocaram incêndios devastadores. A investigação: 14 expedições em busca de um fantasma botânico Movidos pela suspeita de que a espécie poderia ainda sobreviver em algum local isolado, as expedições à Ilha de Alcatrazes incluíam varreduras em matas densas, paredões, encostas expostas e áreas altamente degradadas por incêndios antigos. A primeira pista surgiu apenas em fevereiro de 2024, quando um único indivíduo estéril foi encontrado no sub-bosque de uma área florestal da ilha. Porém, a dificuldade de estudar uma planta incapaz de florescer e frutificar levou a equipe a uma estratégia alternativa: a propagação ex situ, ou seja, criação de indivíduos ou a conservação de material genético fora de seu habitat, utilizando técnicas de manejo em ambientes artificiais. Nesse caso, foram usadas estacas mantidas inicialmente em água, formando cinco clones, dos quais dois chegaram à fase reprodutiva em viveiro. A confirmação definitiva da espécie veio meses depois. Já em setembro de 2024, uma pequena população composta por 19 indivíduos, dos quais 17 reprodutivos, foi localizada em uma área de vegetação aberta. As plantas foram fotografadas, georreferenciadas e coletadas para compor os primeiros registros científicos modernos. O artigo reúne ainda informações sobre o cenário encontrado pelos pesquisadores, que serviu também para um alerta crítico: a ilha possui áreas com gramíneas e samambaias invasoras, como Melinis minutiflora e Pteridium esculentum , que dominam espaços degradados e aumentam o combustível acumulado no solo. Essa biomassa seca funciona como gatilho para incêndios. Eventos como esse marcaram a história recente de Alcatrazes, especialmente durante o período militar. Em 2004, um único foco causado por treinamento destruiu cerca de 20 hectares da ilha. Segundos os pesquisadores, para uma planta com poucos indivíduos conhecidos e distribuição restrita, qualquer perturbação pode significar a extinção da espécie. Estratégias de conservação: entre o isolamento e a necessidade de ação Os pesquisadores da Unicamp defendem a adoção de medidas urgentes para impedir que a Begonia larorum desapareça novamente, desta vez, para sempre. As recomendações incluem: Manutenção da proteção integral já existente no arquipélago, com controle rigoroso de acesso; Controle ativo de espécies invasoras, reduzindo a competição e o risco de incêndios; Programas de conservação ex situ , garantindo a reprodução e preservação genética em jardins botânicos e coleções científicas; Estudos adicionais sobre genética, reprodução e ecologia da espécie, fundamentais para planejar ações futuras. O artigo também destaca a necessidade de submeter oficialmente a planta à Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), fortalecendo sua visibilidade em políticas internacionais de conservação. O estudo não significa apenas a redescoberta de uma espécie considerada extinta, revela também uma realidade mais ampla: espécies insulares brasileiras estão entre as mais vulneráveis a distúrbios ambientais, mudanças climáticas e invasões biológicas. Sem políticas robustas de manejo e conservação, redescobertas como essa podem ser exceções em meio a um cenário de perda contínua de biodiversidade. Para os cientistas envolvidos no estudo, a mensagem é clara: há muito mais a ser descoberto nas ilhas brasileiras, e ainda mais a ser protegido. Você pode ler o artigo científico na íntegra por meio do DOI: https://doi.org/10.1017/S0030605325000419 Imagens: Gabriel Pavan Sabino
- “Ciclo de Debates – Diversidade em Foco: Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas” recebe a professora Leila da Costa
Por Carol Medeiros Na última quarta-feira (3), ocorreu, no Instituto de Biologia da Unicamp, a terceira palestra do “Ciclo de Debates – Diversidade em Foco: Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas”, que contou com a presença da Profa. Dra. Leila da Costa Ferreira. Leila é graduada em Ecologia pela Unesp de Rio Claro, com mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela Unicamp, sendo hoje uma das mais importantes referências brasileiras em sociologia ambiental, governança climática e estudos interdisciplinares sobre ambiente e sociedade. Leila, atualmente, é professora titular de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, já atuou como professora visitante em universidades nos Estados Unidos, Inglaterra e na China. A pesquisadora é também coordenadora de um projeto CEPID Fapesp, o Climares (Climate Crisis and Disasters Resilience Research Center), que tem como missão trabalhar a inovação para adaptação e resiliência diante da crise climática, desastres e impactos em setores estratégicos do Brasil, como: alimentos, energia, água e economia. A primeira mulher do departamento Em sua palestra, Leila contou momentos marcantes de sua carreira, começando por seu ingresso para cursar Mestrado em Sociologia Ambiental na Unicamp no início da década de 1980. Segundo a pesquisadora, o departamento era novo na Universidade, e ela recebeu o convite do então coordenador do curso Daniel Hogan. Após a conclusão, Leila prestou concurso, passando a ser a primeira professora do departamento. Dois anos após seu ingresso na Universidade de Campinas, foi selecionada para um programa de bolsa das Nações Unidas, o que a levou a morar e trabalhar por seis meses na Universidade Estatal de Moscou. “Infelizmente, ao longo desse período pude concluir que mesmo em países planejados as questões ambientais não eram priorizadas”, destacou Leila. Em seguida, mudou-se para os Estados Unidos (berço da sociologia ambiental), onde realizou um pós-doutorado. Após esse período, a professora começou a supervisionar projetos e orientar alunos de pós-graduação na Unicamp. Ao longo de sua trajetória profissional, já foram mais de 100 alunos; além da escrita de mais de 12 livros sobre sociologia ambiental. Unicamp como o berço da sociologia ambiental Em sua fala, Leila destacou que a Unicamp sempre foi a líder nacional e internacional na área de meio ambiente e sociedade, tanto no que diz respeito às pesquisas quanto às parcerias nacionais e internacionais. A professora destacou ainda que à medida que a emergência climática se torna um aspecto dramático da realidade contemporânea, o número de alunos nas diferentes pós graduações só cresce a cada ano. Alguns conceitos da Sociologia Ambiental A professora apresentou a definição de diferentes conceitos para debater a questão climática sob a perspectiva da sociologia ambiental e das questões de gênero. Segundo a pesquisadora, “a emergência climática nos leva a ponderar a possibilidade de uma civilização ecológica., um novo modelo de civilização, que envolve questões como a sustentabilidade, a equidade social e a interdisciplinaridade”. Por fim, a professora pontuou que a grande lição que a sociologia ambiental traz é que não é possível planejar ações inovadoras para diminuir os impactos globais das mudanças climáticas se não incluirmos as populações locais nesses movimentos.












