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  • O que uma rã escondida no topo da montanha revela sobre a Mata Atlântica?

    Crossodactylodes alairi sp. nov., holotype in life (UFMG-AMP 14201, male, SVL 21.1 mm). Por: Gabriela Andrietta Uma nova espécie de rã foi descrita por pesquisadores a partir de estudos realizados no Parque Estadual do Forno Grande, em Castelo, no Espírito Santo. A descoberta de Crossodactylodes alairi foi publicada na revista científica Zoologica Scripta e reforça a importância das florestas de altitude como refúgios de biodiversidade e áreas prioritárias para a conservação. De pequeno porte, a rãzinha vive em bromélias e depende completamente delas para se abrigar, se alimentar e se reproduzir. Assim como outras espécies do mesmo gênero (Crossodactylodes), ela apresenta uma  distribuição extremamente restrita: ocorre em áreas de floresta de altitude que provavelmente atuaram como refúgios, oferecendo condições estáveis para a sobrevivência das espécies. Segundo um dos autores do estudo, o Dr. Marcus Thadeu T. Santos, vinculado ao laboratório do Prof. Dr. Célio Haddad, também autor do estudo, a descoberta foi o resultado de mais de uma década de trabalho. “Realizei as primeiras expedições há mais de 10 anos. O exemplar que despertou minha atenção foi coletado em 1973 e estava depositado no Museu de Biologia Mello Leitão. Decidi organizar uma expedição ao Forno Grande para tentar encontrar esses animais no campo. Ao longo dos anos, ampliamos a amostragem e utilizamos análises morfológicas e genéticas detalhadas”, conta o pesquisador. Ao todo, foram analisados 10 fragmentos genéticos e diversas características morfológicas. O estudo também utilizou modelos computacionais para testar hipóteses sobre os processos de diversificação do grupo. Os resultados apontam que a origem da nova espécie está ligada à fragmentação do habitat provocada por mudanças climáticas durante o Plio-Pleistoceno (entre 5 milhões e 12 mil anos atrás), período caracterizado por alterações climáticas significativas. O Parque Estadual do Forno Grande tem altitudes variadas (da base ao topo das montanhas), o que cria diferentes tipos de vegetação e climas ao longo do parque . Isso forma muitos microambientes — pequenos espaços com características próprias — como áreas úmidas, frias, sombreadas, com solo rochoso, entre outros. Essa diversidade ambiental permite que muitas espécies diferentes consigam viver ali. Segundo Santos, “Isso favorece a presença de uma grande diversidade de plantas e animais. Como restam poucos fragmentos bem preservados da Mata Atlântica, muitas espécies dependem de áreas como o Forno Grande para sobreviver.” Apesar da  Mata Atlântica ter sido muito desmatada nas últimas décadas, os trechos montanhosos bem conservados, como o Forno Grande, se tornam refúgios fundamentais para espécies ameaçadas. Sem esses ambientes, muitas delas poderiam desaparecer. O nome alairi presta homenagem a Alair Tedesco, morador local que atuou por 27 anos como guarda-parque no Parque Estadual do Forno Grande e, mesmo aposentado, continua colaborando com pesquisadores e visitantes, sempre compartilhando seu profundo conhecimento sobre a região. “A ideia de homenagear o Alair surgiu para reforçar esse vínculo entre a comunidade local e a fauna da região”, afirma o pesquisador. “Espero que a rãzinha, que só é conhecida do Parque, possa se tornar um símbolo de orgulho e conservação para os moradores.” Com altitudes que variam de cerca de 1.000 a mais de 2.000 metros, o Parque Estadual do Forno Grande abriga uma grande variedade de microambientes e formações vegetais, o que favorece a ocorrência de espécies raras e endêmicas. “A presença dessas espécies garante um ecossistema mais saudável, o que tem relação direta com o nosso bem-estar. Acho fundamental que a população local sinta orgulho de viver perto de um ambiente tão especial”, completa Santos. O artigo completo pode ser acessado no link: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/zsc.70001

  • Estudo que simula condições climáticas revela que a seca pode reduzir fungo mortal em anfíbios, mas aumenta risco de infecção

    Por: Gabriela Andrietta Um estudo inovador realizado na Mata Atlântica brasileira mostrou que a seca, embora reduza a presença de um fungo letal em pequenos anfíbios, pode aumentar o risco de infecção ao alterar o comportamento e o microbioma desses animais. A pesquisa,que contou com a participação do Prof. Dr. Célio Haddad,Dr.  Shannon Buttimer e Dr. Guilherme Becker (Pennsylvania State University), foi publicada na revista científica Global Change Biology  e contou com a participação de pesquisadores da UNESP, vinculados ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima). O trabalho investigou os efeitos da seca sobre a rãzinha-da-mata ( Brachycephalus pitanga ), espécie endêmica da Mata Atlântica. O experimento de campo foi conduzido no Parque Estadual Serra do Mar – Núcleo Santa Virgínia (SP), onde pesquisadores simularam a seca cobrindo parte das áreas com lonas translúcidas para bloquear a chuva por dois meses. Os resultados mostraram que, durante a seca simulada, a carga do fungo Batrachochytrium dendrobatidis  (Bd) — um dos principais responsáveis pelo declínio global de anfíbios — diminuiu. No entanto, os animais passaram a se concentrar nas poucas áreas úmidas disponíveis, facilitando a transmissão do patógeno entre indivíduos. Além disso, a composição da microbiota da pele dos anfíbios foi alterada, reduzindo a presença de bactérias com potencial de defesa contra o Bd. Esses efeitos aparentemente contraditórios — redução do patógeno, mas aumento da transmissão e perda de proteção microbiana   mostram que o impacto da seca não é direto e simples. Apesar de o fungo precisar de umidade para se desenvolver, a seca pode modificar o comportamento dos animais e a saúde da microbiota cutânea, o que influencia a dinâmica da infecção. Nesse sentido, a pesquisa investiga como eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes em função das mudanças climáticas, podem afetar o equilíbrio entre patógenos e espécies hospedeiras. Segundo o artigo, os resultados ajudam a explicar episódios recentes de mortalidade em massa de anfíbios na Mata Atlântica, como o caso registrado com a espécie Brachycephalus rotenbergae  durante a seca de 2019. Para saber mais: Artigo completo: Global Change Biology – DOI: 10.1111/gcb.70275

  • Taxonomia e polinização por abelhas são tema de palestra na Unesp de Rio Claro

    Por Emerson José 📢 A taxonomista e professora Favízia Freitas de Oliveira do Instituto de Biologia da UFBA (Universidade Federal da Bahia) ministrou uma palestra apoiada pelo CBioClima na manhã desta segunda-feira (14) no auditório da biblioteca da Unesp de Rio Claro/SP. A docente explanou sobre “O Papel da Taxonomia no Conhecimento e Conservação da Biodiversidade de Insetos, com foco especial nas abelhas (Hymenoptera: Anthophila)”. A palestra contou com a presença de professores e alunos do campus de Rio Claro. Entre outros pontos, Favízia reforçou a necessidade de entender a Taxonomia como elemento importante para o desenvolvimento e suporte à Biologia Molecular. Confira as imagens do evento!

  • Uma visão realista da época em que as atividades humanas passaram a ter um impacto significativo e duradouro sobre o planeta

    No 'Encontro com os Escritores', cientista Mauro Galetti faz um chamado à responsabilidade e às evidências científicas do Antropoceno, e rebate o comodismo de olhares mais apocalípticos. Por Fabio Mazzitelli/ ACI Unesp No encontro, mediado por Manuel da Costa Pinto, Mauro Galetti contou detalhes de sua trajetória acadêmica, desde o início da graduação na Unicamp até os trabalhos sobre defaunação desenvolvidos a partir do contato com Rodolfo Dirzo em Stanford, nos EUA. Crédito: Fabio Mazzitelli / ACI Unesp. Quando Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química em 1995, reconheceu a magnitude da influência humana no sistema terrestre e impulsionou a propagação do termo “Antropoceno”, em 2000, o buraco na camada de ozônio, uma faixa de gás na estratosfera que nos protege dos raios ultravioleta (UV) e que se tornou assunto candente nos anos 1990, era um debate mais popular do que as discussões sobre aquecimento global ou mudanças climáticas, que encorparam em seguida, neste século, justamente com a popularização do entendimento de que vivemos em uma época em que as atividades humanas passaram a ter um impacto significativo e duradouro sobre o planeta.  Embora ainda não tenha sido formalmente reconhecido, o conceito de Antropoceno, já amplamente difundido, vem cumprindo um papel fundamental de formar consensos, a partir da comunidade científica, em torno da necessidade de caminharmos para uma visão mais conservacionista do mundo, definindo agendas, objetivos e metas. É neste contexto que o biólogo Mauro Galetti, professor do Instituto de Biociências do câmpus de Rio Claro da Unesp e um dos cientistas mais respeitados em sua área, adiciona a esta história um olhar mais otimista do que apocalíptico sobre o futuro. E é nesse ponto que o exemplo do buraco na camada de ozônio, problema que pode ser superado na próxima década segundo as últimas projeções dos cientistas, liga-se aos debates sobre o Antropoceno. "É muito mais fácil vender o apocalipse, que o mundo vai acabar e, então, vamos esperar", disse Mauro Galetti na última edição do Encontro com os Escritores, realizada no último dia 26 na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, na capital paulista. "Vamos sair disso e o buraco na camada de ozônio é um exemplo: conseguimos reverter o quadro." A visão otimista de Galetti conduz a narrativa de seu primeiro livro, lançado em 2023 pela Editora Unesp e premiado com o Jabuti Acadêmico no ano passado. A obra "Um naturalista no Antropoceno: um biólogo em busca do selvagem" se baseia em sua trajetória como cientista para fazer reflexões sobre o futuro da vida no que seria a época geológica dos humanos. E o que ele próprio chama de otimismo vem aliado a um chamado à responsabilidade e às evidências científicas.  "Como nós aqui podemos reduzir um pouquinho nosso impacto no meio ambiente? Eu falo no livro que o mais rápido é mudar a sua dieta... Não vou virar vegano, vegetariano, vou reduzir (o consumo de carne). Em vez de comer bife cinco dias por semana, vou comer uma. Isso já é um impacto gigantesco", afirmou o docente. "Acho mesmo que é um trabalho de formiguinha. Por isso sou bastante otimista no livro." No encontro, mediado pelo jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto, Mauro Galetti contou detalhes de sua trajetória acadêmica, desde o início da graduação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) até os trabalhos sobre defaunação desenvolvidos a partir do contato com o professor Rodolfo Dirzo em Stanford, nos Estados Unidos. "A mudança climática é um desafio um pouco mais complexo, mas é possível (superá-lo) porque existe ciência por trás e existem atores que podem mudar isso", afirmou, fazendo uma ressalva. "Só não vejo um grande líder climático (na política). Ainda estamos buscando."  Em sua fala introdutória, o cientista fez referência aos naturalistas Charles Darwin, Alfred Russel Wallace e Alexander von Humboldt e defendeu o conceito de Antropoceno que dá título ao seu livro, que já está na segunda edição. Galetti diz que a obra faz parte de um movimento mais abrangente da comunicação em ciência, no sentido de ampliar o diálogo com a sociedade. "Senti a necessidade de escrever para mais leitores e ampliar (o público). Vejo isso entre os meus colegas e cada vez mais os órgãos de fomento estão cobrando este diálogo com a sociedade, a democratização da ciência. Se ficarmos só no meio acadêmico, não conseguimos mudar o comportamento das pessoas e mudar políticas públicas." A série "Encontro com os Escritores" é promovida pela Fundação Editora da Unesp (FEU) e pela Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI) da Universidade em parceria com a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo. A íntegra do evento com Mauro Galetti vai ficar disponível no canal Unesp Oficial do YouTube .

  • Escola da Biodiversidade fortalece a conexão entre ciência, educação e comunidade em Rio Claro

    Por: Gabriela Andrietta A Escola da Biodiversidade é um projeto de extensão universitária que visa atuar como uma ponte entre ciência, educação ambiental e engajamento público. Coordenada por cinco docentes — três deles vinculados ao CBioClima — a iniciativa tem como foco principal a relação entre florestas urbanas, biodiversidade e qualidade de vida. No primeiro semestre de 2025, o projeto promoveu um curso presencial voltado a professores da rede pública e privada de Rio Claro e região. Foram realizados quatro encontros, nos dias 17/05, 31/05, 14/06 e um encerramento no dia 05/07, sempre das 8h às 12h. Encontros realizados nos dias 17/05, 31/05, 14/06 e 05/07 na Unesp de Rio Claro. O curso teve como objetivo atualizar os educadores com conceitos contemporâneos de ecologia, práticas pedagógicas interdisciplinares e ferramentas de conscientização ambiental. A formação abordou conteúdos como o papel da biodiversidade em nossas vidas, as ameaças aos ecossistemas naturais e humanos e estratégias para conservar a saúde do planeta. As aulas teóricas, ministradas pelos professores do Departamento de Biodiversidade da Unesp de Rio Claro, Profa. Dra. Thaise Emílio, pelo Prof. Dr. Caleb Califre Martins, pelo Prof. Dr. Pedro Bergamo  pelo Prof. Dr. Gabriel Brejão, e pela Profa. Dra. Maria Bernadete Sarti da Silva Carvalho , do Departamento de Educação, abordaram temas como biodiversidade e qualidade de vida, mudanças climáticas, serviços ecossistêmicos e impactos do uso da terra. Na aula inaugural, Caleb destacou a complexidade da biodiversidade, inspirando reflexões entre os participantes: “A gente não vê a biodiversidade inteira, vê só uma parte. O curso despertou esse olhar para a complexidade das relações ecológicas que levamos para as discussões nas salas de aula”, comentou o professor Cícero Dias da Silva. O terceiro encontro, realizado em 14 de junho, foi uma visita prática à Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA), importante área protegida urbana de Rio Claro. Durante a atividade, os educadores percorreram roteiros voltados à observação do uso e cobertura do solo, espécies invasoras no paisagismo, o ciclo do café e os impactos da modificação dos ambientes naturais. Visita à Feena Segundo a pedagoga Marina Jutkoski Guerra, professora da educação infantil: “A gente vai à FEENA muitas vezes, mas é diferente quando se entende a complexidade do que está ali. É isso que encanta, e só quem está encantado consegue encantar os alunos.” Além de fortalecer o repertório teórico e prático dos docentes, o curso estimulou o desenvolvimento de planos de aula e propostas interdisciplinares alinhadas à realidade local. Temas como plantas medicinais, agroecologia e compostagem levaram a professora Geliane Santos a planejar a criação de uma horta na escola a partir do segundo semestre. A próxima ação da Escola da Biodiversidade será uma BioBlitz, atividade que integra a plataforma iNaturalist. A ação será realizada na FEENA, no dia 30 de agosto, e envolverá tanto os participantes quanto a comunidade em um esforço coletivo de observação e registro da biodiversidade urbana. A proposta é promover a ciência cidadã por meio de treinamentos prévios sobre o uso da plataforma. " A Escola da Biodiversidade, um projeto que informa e conscientiza, seguirá com novas ações no segundo semestre e já planeja uma nova edição do curso de formação para março de 2026.

  • Plantas mediterrâneas estão florescendo mais cedo por causa das mudanças climáticas, revela estudo publicado na Functional Ecology

    Por: Gabriela Andrietta Um estudo recente publicado na revista Functional Ecology  revela que as plantas em regiões mediterrâneas estão alterando significativamente seu período de floração em resposta às mudanças climáticas — especialmente ao aumento das temperaturas. O artigo intitulado “Functional traits predict changes in floral phenology under climate change in a highly diverse Mediterranean community”  é assinado pelos pesquisadores Daniel Pareja-Bonilla, Pedro Luis Ortiz e Montserrat Arista, do Departamento de Biología Vegetal y Ecología da Facultad de Biología da Universidad de Sevilla, na Espanha, e por Patrícia Morellato, professora do Departamento de Biodiversidade da Unesp de Rio Claro. A pesquisa investigou 269 espécies de uma comunidade altamente diversa ao longo de 35 anos e revelou que quase 90% delas passaram a florescer, em média, 19 dias mais cedo. As análises mostraram que essas mudanças não são aleatórias: elas estão diretamente relacionadas aos traços funcionais das plantas — como altura, tamanho da folha, área foliar específica (SLA) e características das flores. Espécies lenhosas, mais baixas, com folhas largas e flores grandes tendem a antecipar o início da floração de forma mais expressiva. Já as espécies que florescem no inverno mostraram-se mais sensíveis às alterações climáticas do que aquelas que florescem no verão. “As plantas estão florescendo cada vez mais cedo a cada ano em resposta ao aumento das temperaturas”, explica o pesquisador Daniel Pareja-Bonilla, um dos autores do estudo. “Quase 90% das espécies florescem hoje pelo menos 19 dias mais cedo do que nos anos 1980 — isso equivale a um avanço de quase um dia a cada dois anos. É uma taxa muito acelerada, especialmente quando comparamos com outras regiões do mundo.” Além disso, Daniel destaca que os resultados surpreenderam a equipe: “Os traços funcionais que explicam essas mudanças no Mediterrâneo foram diferentes dos já relatados em estudos de outras regiões. Vimos, por exemplo, que características reprodutivas como o investimento em flores, e o momento do ano em que a planta floresce, tiveram grande peso.” A pesquisa levanta um alerta sobre o impacto do aumento da temperatura nas dinâmicas ecológicas das florestas mediterrâneas e ressalta a importância de compreender como cada espécie responde às mudanças ambientais com base em suas características próprias. Confira o artigo na íntegra em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/1365-2435.70062 1) Dianthus broteri/ 2)  Myrtus communis/ 3) Salvia rosmarinus/ 4)  Centaurea exarata/ 5)Phlomis purpurea/ 6) Lysimachia monelli 7)Myrtus communis Saiba mais em:

  • Monitoramento das Lepidópteras frugívoras no Parque Nacional da Serra da Bodoquena: a experiência no campo

    Por: Gabriela Andrietta Entre os dias 28 de março e 5 de abril de 2025, a doutoranda Maria Carolina Rodrigues V. da Cunha, orientada pelo Prof. Dr, Maurício Bacci, participou de uma importante campanha de campo voltada para o monitoramento da biodiversidade das Lepidópteras frugívoras no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Bonito (MS). A ação integra o Programa de Monitoramento da Biodiversidade coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e é vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O objetivo da campanha foi aprofundar o conhecimento sobre a diversidade e a dinâmica das borboletas frugívoras — grupo que inclui espécies que se alimentam de frutos em decomposição — e compreender sua importância ecológica no bioma. As Lepidópteras, que englobam tanto borboletas quanto mariposas, exercem funções essenciais nos ecossistemas, como a polinização, dispersão de sementes e indicação da saúde ambiental . No primeiro dia de atividades, foram instaladas armadilhas com iscas atrativas distribuídas ao longo de trilhas previamente definidas no Parque Nacional. A coleta das borboletas ocorreu diariamente por sete dias consecutivos. As espécies capturadas eram identificadas conforme sua tribo taxonômica, fotografadas (registrando as faces dorsal e ventral das asas), marcadas e liberadas — etapa importante para estimar o tamanho populacional nos diferentes pontos de amostragem. Durante todo o processo, também foram coletadas informações complementares, como a localização exata de cada armadilha, horário das coletas, condições climáticas e a recorrência de captura das espécies. Todos os dados foram registrados em tempo real por meio do aplicativo ODK (Open Data Kit), ferramenta utilizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com envio direto das informações para a base de dados em Brasília. Esses dados, juntamente com os provenientes de outras Unidades de Conservação federais, comporão uma base nacional de informações para análises sobre o estado de conservação da biodiversidade brasileira frente às mudanças climáticas e demais pressões ambientais. Os resultados servirão de base para a atualização das políticas de conservação nos biomas brasileiros . O trabalho reforça a importância de ações sistemáticas de monitoramento da biodiversidade , promovendo ciência aplicada à conservação e subsidiando estratégias eficazes para a proteção dos ecossistemas brasileiros.

  • Etlingera elatior: O bastão-do-imperador em flor no jardim da Unesp de Jaboticabal

    Por: Prof. Dr. Vitor Miranda A deslumbrante Etlingera elatior , conhecida popularmente como tocha-real, bastão-do-imperador ou torch ginger , em inglês, é uma planta tropical exótica que se destaca por suas inflorescências majestosas, coloração viva e estrutura floral imponente. Embora pareça uma flor isolada, trata-se de uma inflorescência, um conjunto de pequenas flores, típica da família Zingiberaceae, a mesma dos gengibres. A espécie é originária do Sudeste Asiático, sendo amplamente cultivada por seu valor ornamental e por usos culinários em sua região nativa. Fotos:Vitor Miranda Neste mês, a Etlingera elatior  encontra-se em plena floração no jardim do Herbário JABU da Unesp de Jaboticabal. Trata-se de uma excelente oportunidade para observação dessa planta ornamental incomum nos jardins brasileiros. Suas inflorescências, de cor rosada indo ao vermelho intenso, com toque de porcelana, brotam diretamente do solo, sustentadas por hastes longas e robustas que podem ultrapassar dois metros de altura. São altamente atrativas para polinizadores como abelhas e beija-flores, que visitam intensamente suas estruturas florais em busca de néctar. Apesar de ser parente próxima do gengibre comestível ( Zingiber officinale ), o bastão-do-imperador distingue-se por seu porte, podendo ultrapassar os seis metros de altura. A floração ocorre ao longo do ano, especialmente em climas quentes e úmidos, e a planta se multiplica por rizomas, formando touceiras densas e perenes que conferem grande apelo paisagístico. A beleza da Etlingera elatior  não é seu único atributo. Na Ásia, suas flores são utilizadas como tempero em pratos típicos, sendo utilizadas tanto em pratos salgados, em saladas, ou até mesmo em sobremesas. Há estudos que apontam propriedades antioxidantes em seus extratos. Sua presença no jardim do Herbário JABU reforça o papel da botânica ornamental no ensino e na conservação da diversidade de plantas, além de proporcionar aos visitantes uma experiência estética e científica única. Ao observar as flores, não deixe de notar as pequenas abelhas nativas que são atraídas em busca de néctar e circundam freneticamente as inflorescências. Convidamos toda a comunidade acadêmica e o público em geral a visitar o jardim do Herbário JABU para conhecer de perto essa espécie tão exuberante. A observação direta de sua morfologia floral permite compreender aspectos relevantes da estrutura das monocotiledôneas, da interação planta-polinizador e da diversidade morfológica em plantas tropicais. Essa ação faz parte do projeto de divulgação científica do Herbário JABU, que mensalmente destaca uma espécie de seu acervo vivo com fins educativos, científicos e conservacionistas. A aproximação entre público e plantas é uma estratégia decisiva para promover a consciência ecológica e valorizar o patrimônio botânico. O Herbário JABU é um espaço de pesquisa, ensino e extensão, que abriga coleções científicas e jardins com espécies nativas e exóticas. Localizado na Unesp de Jaboticabal, o local está aberto à visitação e dedica-se a integrar ciência e sociedade por meio de ações educativas. Não perca a chance de contemplar a Etlingera elatior  em flor – um belo representante da flora tropical que agora floresce em nosso câmpus. Vitor Miranda Curador do Herbário JABU  - Unesp/ FCAV – câmpus de Jaboticabal CBioClima – Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima Como chegar ao Herbário JABU

  • Capacitação pedagógica: aliando a interdisciplinaridade das pesquisas científicas na Biologia com as práticas pedagógicas do Ensino Médio

    Por Emerson José A professora Milene Ferro do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro e pesquisadora associada ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) coordenou um evento de extensão, neste sábado (14), no Anfiteatro II da Universidade Estadual Paulista de Rio Claro. Denominado “Capacitação pedagógica: aliando a interdisciplinaridade das pesquisas científicas na Biologia com as práticas pedagógicas do Ensino Médio”, o evento teve como público alvo professores do Ensino Médio e contou também com a presença de alunos e professores da Unesp. Também participaram a Profa. Dra. Patricia Pasquali Parise Maltempi, vice-diretora do Instituto de Biociências - Câmpus de Rio Claro, e o professor Maurício Bacci Junior, vice-diretor do CBioClima. Segundo Milene, “este evento de extensão é um pedido dos professores da região que nos procuraram colocando as suas necessidades. É o segundo encontro e vamos organizar outros para aproximar a Unesp da comunidade”. A Dra. Patricia expôs, entre outros temas, o Programa de Permanência Estudantil da Unesp, o de iniciação científica no IB (Instituto de Biociências) e no IGCE (Instituto de Geociências e Ciências Exatas), os programas para despertar a vocação científica e incentivar potenciais talentos entre estudantes do Ensino Médio, os eventos organizados pelo Câmpus de Rio Claro, como: Praça da Ciência e Portas Abertas, além de programas de extensão. O professor Maurício contextualizou a criação do CBioClima, programas de capacitação de recursos, mudanças do clima, perdas da diversidade e outros pontos. “Há 12 anos, começaram as conversas para a construção do CBioClima. Os estudos do Centro, hoje, comprovam a perda de biodiversidade e as consequências disso para os ecossistemas e as suas consequências para a vida humana”, especificou. Em seguida, o pós-doutorando Geovanny Soares Pauferro Barroso apresentou para os presentes detalhes de seu projeto vinculado ao CBioClima. Para Geovanny, “com o aquecimento do clima, muitas gerações de pragas acabam se reproduzindo com frequência maior e gerando problemas, porque passa a haver mais pragas para controlar. Então é preciso ter mais preocupação com agrotóxicos, o que gera outros problemas, como contaminação do solo”. O professor Daniel Romão da Silva expos elementos da matemática. Para Daniel, “dentre as distintas maneiras de conhecer, é importante posicionar a matemática no âmbito do fazer humano”. Ademais, o professor Lucas Miotelo explanou sobre recursos digitais aplicados ao Ensino Médio, jogos educacionais ensinando aminoácidos e outros temas. Por fim, a professora Paula Martins dissertou sobre Saberes Científicos: para quem e para que?  Com base em conhecimento científico, Paula fez relações práticas dos saberes apreendidos com experiências empíricas. Todas as exposições contribuíram para aumentar o conhecimento em torno dos estudos do IB e do IGCE, formas de ingresso na universidade pública, campos de estudos dos projetos desenvolvidos no câmpus, entre outros pontos, e aproximar a Unesp da comunidade e dos professores do Ensino Médio.

  • Declínio de animais dispersores de sementes dificulta combate às mudanças climáticas

    O professor Mauro Galetti, Coordenador de Disseminação do CBioClima, teve um artigo publicado na revista Nature Reviews Biodversity, em maio, juntamente com outros pesquisadores, sobre a necessidade de incluir frugívoros nas estratégias de conservação, recuperação florestal e mitigação das alterações do clima. O artigo originou matéria da Agência FAPESP, que foi publicada também na edição do jornal Folha de São Paulo de 10 de junho. O trabalho é uma relevante contribuição para ações no sentido de recuperação de ecossistemas e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Confira o artigo abaixo e aqui , aqui e aqui. A semente do fruto passa pelo tubo digestório do animal dispersor, onde recebe um tratamento que a deixa pronta para germinar quando depositada. (foto: Mauro Galetti/CBioClima)

  • Professor associado ao CBioClima apresenta, na Unesp de Rio Claro, palestra sobre “Estrutura e Dinâmica de Redes Ecológicas”

    Por Emerson José O professor associado ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) Paulo Guimarães da USP (Universidade de São Paulo) ministrou palestra nos Seminários Charles Darwin, nesta segunda-feira (9), sobre “Estrutura e Dinâmica de Redes Ecológicas”, no Anfiteatro II da Unesp de Rio Claro.  A apresentação tratou do colapso das cadeias tróficas com a perda de diversidade, estados alternativos modulados por interações ecológicas, a importância das redes para a ecologia e a evolução, ganho da diversidade com interações ecológicas, a organização dos nichos organizacionais, variação intrapopulacional e outros pontos.  A palestra estará disponível em breve no nosso canal no YouTube aqui . Os Seminários Charles Darwin são iniciativa do CBioClima, sediado no Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro/SP.  Os eventos são presenciais e abertos a todos os interessados da comunidade acadêmica.  A próxima palestra está agendada para o dia 26 de agosto, às 13h, com o professor Demétrius Martins. O tema será: Projetos de carbono no Brasil : Soluções Baseadas na Natureza para Combater as Mudanças Climáticas.  Participem!  Professor Paulo Guimarães da USP em palestra nos Seminários Charles Darwin.

  • Efeitos das mudanças climáticas em mamíferos tropicais é tema dos Seminários Charles Darwin

    Por Emerson José A Profa. Dra. Maria Luísa Jorge ministrou palestra nos Seminários Charles Darwin, nesta terça-feira (3), sobre os “Efeitos das Mudanças Climáticas em Mamíferos Tropicais”. Os Seminários são iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima), sediado no Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.  Maria Luísa é formada em Biologia pela USP (1995), tem mestrado em Ecologia também pela USP (2000), doutorado em Ecologia (Chicago/2007), pós-doutorado pela Unesp de Rio Claro (2012) e é professora da Universidade  Vanderbilt, nos EUA, desde 2013.  A professora iniciou a palestra contextualizando a significância ecológica dos grandes mamíferos terrestres e o risco de extinção desses animais. Segundo Maria Luísa, “a perda de habitat tem afetado as espécies, pois elas não têm para onde migrar. A falta de água extrema tem causado mortalidade em massa. Já a falta de água em quantidades subletais causa impactos fisiológicos e comportamentais, possivelmente impactos demográficos”.  Em breve, a palestra será disponibilizada na íntegra no canal do CbioClima no  Youtube aqui . Maria Luísa também participou da gravação de um episódio do podcast Café com Ciência, cuja divulgação ocorrerá nas próximas semanas aqui .   Na próxima segunda-feira (9), os Seminários Charles Darwin receberão o professor Paulo Guimarães para ministrar palestra sobre “Estrutura e Dinâmica de Redes Ecológicas”, às 13h, no Anfiteatro II da Unesp de Rio Claro.  As palestras são abertas a toda a comunidade acadêmica e realizadas presencialmente.

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