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- Carreira, inovação e diversidade marcam o segundo dia do Encontro de Jovens Cientistas
Por: Gabriela Andrietta A manhã do segundo dia do 1º Encontro de Jovens Cientistas – CBioClima foi marcada por debates sobre trajetórias, inovação e carreira científica, com apresentações de Stela Virgilio e do Prof. Dr. Maurício Bacci. As falas trouxeram perspectivas complementares sobre os caminhos possíveis para jovens cientistas, tanto na pesquisa acadêmica como no empreendedorismo. A primeira apresentação foi conduzida por Stela Virgilio, cientista em Biotecnologia e Genômica e empreendedora. Ela compartilhou a sua trajetória, ressaltando as oportunidades que apareceram durante a sua formação, a construção de redes de contato e as habilidades adquiridas na sua trajetória acadêmica. Stela também relatou os desafios do sequenciamento de DNA no Brasil, que por muitos anos dependia de serviços no exterior, e explicou como essa lacuna motivou a criação da By My Cell , startup especializada em sequenciamento genômico que hoje completa quatro anos e conta com cerca de 25 colaboradores. A pesquisadora destacou ainda questões relacionadas ao empreendedorismo e aos nichos de mercado emergentes nas áreas de saúde, agricultura e indústria, enfatizando como a formação acadêmica pode impulsionar iniciativas inovadoras na biotecnologia. Na sequência, o Prof. Dr. Maurício Bacci apresentou uma reflexão aprofundada sobre internacionalização na ciência, estruturando sua palestra em três eixos principais. No primeiro, abordou os benefícios do pós-doutorado , ressaltando como ambientes de excelência, infraestrutura qualificada e redes consolidadas ampliam a formação e a atuação de jovens pesquisadores. No segundo, discutiu estratégias de colaboração , destacando a crescente visibilidade das pesquisas em biodiversidade em revistas científicas e parcerias internacionais. Por fim, tratou das chamadas internacionais e oportunidades , apresentando editais, iniciativas de financiamento e possibilidades abertas por agências como a FAPESP, além de programas que fortalecem redes globais de cooperação. Bacci reforçou a importância de desenvolver soluções próprias para desafios específicos do Sul Global, como doenças negligenciadas e a agricultura tropical, que apresenta dinâmicas muito distintas das regiões temperadas, e incentivou os jovens cientistas a submeterem projetos, expandirem suas redes e explorarem oportunidades internacionais. A apresentação “Diversidade, equidade, inclusão e as mudanças climáticas” , de Carolina Medeiros, destacou a importância de incorporar as dimensões da diversidade e inclusão no debate climático, ressaltando como esses conceitos carregam múltiplos significados e implicações práticas. Ela apresentou dados que relacionam vulnerabilidade socioeconômica e impactos das mudanças climáticas, lembrando que que crianças, mulheres, populações rurais e povos indígenas estão entre os grupos que mais sofrem impactos ambientais. No âmbito acadêmico, ela chamou atenção para o agravamento do chamado “efeito tesoura” , em que a participação feminina diminui conforme avançam os níveis da carreira científica. Trouxe ainda dados da Agência Bori, mostrando a predominância de homens no topo das listas de pessoas mais influentes do mundo. Após sua fala, Alan Cerqueira compartilhou sua experiência com a organização de núcleos e apresentou a proposta de criação de um Núcleo de Jovens Cientistas do CBioClima , voltado ao fortalecimento da integração e representatividade desses pesquisadores dentro do Centro. Por fim, Ariadne Sabbag apresentou a proposta de desenvolver um artigo-síntese sobre mudanças climáticas , no âmbito da cientometria , área dedicada a medir e quantificar o progresso científico e frequentemente orientada a responder perguntas de pesquisa específicas.
- 1° Encontro de Jovens Cientistas – CBioClima
Por: Gabriela Andrietta O primeiro dia do 1º Encontro de Jovens Cientistas, realizado nos dias 26 e 27 de novembro, reuniu jovens pesquisadoras e pesquisadores para debates e troca de experiências. A iniciativa, promovida pela Coordenação de Integração do Centro, consolida um espaço seguro, plural e colaborativo para pesquisadores de pós-doutorado e de treinamento técnico vinculados ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima). Abertura: acolhimento, missão e pertencimento A professora Patrícia Morellato, diretora do CBioClima, abriu o encontro reforçando a importância do diálogo e da integração entre os participantes. Em seguida, o professor Maurício Bacci, vice-diretor, destacou o papel estratégico da pesquisa, da disseminação científica e da inovação para o avanço do conhecimento e o fortalecimento do Centro. O Coordenador de Integração, professor Tadeu Siqueira, apresentou a nova coordenação, responsável pela criação deste primeiro encontro, enfatizando a importância de que os jovens pesquisadores não se sintam isolados em suas atividades. Ele apresentou a estrutura do CBioClima, os seus Work Packs, o organograma e o seu funcionamento, destacando a complexidade e a excelência do Cepid (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão). Tadeu também apresentou a missão da coordenação: fortalecer conexões, criar redes de apoio e promover ações contínuas voltadas aos participantes. Ele explicou que o encontro foi pensado sem um tema específico e sem a participação de pesquisadores principais, para garantir um espaço seguro de diálogo e manifestação. A Comissão Organizadora do evento é formada por Alan Cerqueira, Ariadne Sabbag, Bruna Alberton, Caio Ballarin, Carolina Medeiros, Fábio de Sá e Saura Silva, que se dedicaram ao planejamento e à coordenação de todas as atividades do projeto. Inteligência artificial, sociedade e meio ambiente A convidada Dora Kaufman, professora da PUC-SP, apresentou a palestra “A Inteligência Artificial como aliada ou inimiga da natureza” . Ela abordou o paradoxo da Inteligência Artificial para o meio-ambiente: ao mesmo tempo que possibilita avanços expressivos para a pesquisa e para a conservação, também gera riscos e impactos. Dora explicou que a IA é capaz de processar grandes volumes de dados, aprimorar técnicas e reduzir o tempo necessário à realização de tarefas, permitindo realizar previsões climáticas, identificar padrões e anomalias, otimizar processos, apoiar diagnósticos e monitorar ecossistemas. Esses recursos tornam a tecnologia uma importante aliada na mitigação das mudanças climáticas e na conservação da biodiversidade. No entanto, a pesquisadora alertou para o alto consumo de energia e de água potável associado aos sistemas de IA, o que gera um alto impacto ambiental. Além disso, destacou que a IA que utilizamos está em seus primórdios e não se aproxima da complexidade do cérebro humano. “O que chamamos de IA são modelos estatísticos baseados em correlações”, afirmou. A professora apresentou as diferenças entre a IA preditiva (que faz previsões e que para cada tarefa há um sistema específico) e a IA generativa ( que utiliza a mesma técnica, mas além da previsão, gera conteúdo, como texto, imagens, vídeos e códigos). Segundo ela, a maior parte das implementações atuais advém da técnica de aprendizado de máquina. As redes neurais profundas ( deep learning) identificam padrões e atribuem pesos (parâmetros) estatísticos aos dados, fazendo correlações. A aprendizagem da IA generativa estabelece uma hierarquia da frequência em que aquelas palavras estão correlacionadas. Essa lógica pode gerar fenômenos como as alucinações, quando o sistema produz respostas que embora pareçam plausíveis, são incorretas. A IA é uma tecnologia auxiliar, que gera conteúdos baseados em dados. Mas esses dados são produzidos pela sociedade humana. A inovação continua sendo, portanto, exclusivamente humana. “É uma tecnologia extraordinária. É mais que uma tecnologia, ela impacta o nosso funcionamento e pode estar interferindo na nossa cognição e na forma que pensamos.” Mas tem limitações e não produz conhecimento. “A inovação e a criatividade ainda estão restritas aos seres humanos", acrescentou Kaufman. Atividades de integração Após o intervalo, os participantes realizaram flash talks, se apresentando e compartilhando os seus temas de pesquisa. Na parte da tarde, foi realizada a construção da carta “O Pesquisador de Pós-Doutorado no Brasil”, construída coletivamente pelos pós-doutorandos e bolsistas do Centro.
- Ciência aplicada à preservação das florestas tropicais é tema da segunda palestra do ciclo “Diversidade em Foco” com Simone Vieira
Por: Gabriela Andrietta A segunda palestra do “Ciclo de Debates – Diversidade em Foco: Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas”, realizada em 18 de novembro no IB/Unicamp, contou com a presença da Profa. Dra. Simone Vieira. Ela apresentou o tema “Raízes e Rotas: trajetórias femininas na ecologia das florestas tropicais e das mudanças climáticas”, entrelaçando a sua história pessoal, a sua formação científica e as descobertas que marcaram a sua carreira. Simone Vieira é engenheira agrônoma pela USP, com mestrado em Ciências Florestais e doutorado em Ciências (Energia Nuclear na Agricultura), ambos pela USP. Pesquisadora do NEPAM/Unicamp, coordena o Programa de Pós Graduação em Ecologia do Instituto de Biologia e integrou a coordenação do Programa Biota/FAPESP (2019–2025). Atua em Ecologia de Ecossistemas, especialmente no funcionamento das florestas tropicais. Da infância em Piracicaba à referência internacional em ecologia Simone iniciou a sua fala resgatando as suas raízes em Piracicaba. Estudou em escolas públicas e teve professores que eram alunos da ESALQ/USP, experiência que a aproximou da universidade pública. Ingressou em Agronomia, motivada pelo interesse por animais, mas foi durante a formação acadêmica que encontrou o seu caminho na ecologia de florestas tropicais. Ela relatou um episódio marcante no início da carreira: após a graduação, um grupo de pesquisa hesitou em contratá-la para trabalho de campo por achar que “uma menina talvez não seria respeitada pelos trabalhadores”. O cargo acabou sendo ocupado por um gerente de campo. Esse episódio a aproximou da pesquisa científica e a conduziu à pós-graduação. Revelando as florestas tropicais: como esses ecossistemas funcionam de maneira muito diferente do que se sabia sobre eles Ao longo da palestra, a professora apresentou o resultado de décadas de pesquisa na Amazônia e na Mata Atlântica. As suas pesquisas revelaram informações novas sobre as florestas. Um dos seus artigos mais citados revela em qual profundidade as árvores buscam água. Para medir o potencial hídrico das folhas antes do nascer do sol, subia em árvores durante a madrugada. Este artigo alcançou mais de mil citações e mudou um paradigma, demonstrando que há raízes que alcançam até 8m de profundidade, o que permite que as florestas não percam as suas folhas durante a seca. Ela destacou que algumas regiões da Amazônia enfrentam até seis meses de seca, com apenas 100 mm de chuva, e mesmo assim mantêm-se verdes graças às raízes profundas. Outro estudo analisou o crescimento lento das árvores. Muitas árvores crescem menos de 2 mm por ano, e apenas algumas chegam a um cm anual. Isso significa que o acúmulo de biomassa e carbono é extremamente lento, o que torna a perda de indivíduos muito problemática. Outro estudo apresentado revelou que áreas montanhosas da Mata Atlântica armazenam mais carbono no solo do que se imaginava. Simone também mencionou desafios pessoais, pois conduziu essas pesquisas enquanto cuidava dos seus filhos, conciliando a vida familiar e a acadêmica. Animais e plantas Simone resgatou como conciliou o interesse inicial por animais com a pesquisa em ecologia vegetal, pois os elefantes atuam também como jardineiros das florestas por dispersarem sementes. Florestas com cerca de cinco elefantes por quilômetro quadrado apresentam maior estoque de carbono. Ao se coçarem em árvores de baixa densidade, acabam danificando esses indivíduos e favorecendo espécies de alta densidade, que armazenam mais carbono. Limites térmicos das florestas e risco de colapso A professora comentou também as evidências apresentadas por Luciana Gatti, que mostram que quando a temperatura máxima média ultrapassa 42°C, a floresta passa a perder carbono. Segundo ela, embora as mudanças ocorram de forma lenta, sinais importantes preocupam. Ela observou que algumas áreas já emitem mais carbono do que absorvem; que poucas espécies concentram grande parte do carbono — fenômeno que também ocorre em florestas subtropicais e que as taxas de mortalidade estão crescendo, variando muito entre regiões da Amazônia. Redes de colaboração A pesquisadora destacou ainda duas iniciativas estratégicas: a Rede DAMA, composta exclusivamente por pesquisadores brasileiros e liderada por mulheres, dedicada a estudar a dinâmica da Mata Atlântica; e o AmazonFACE, que instalou anéis de CO₂ na Amazônia para simular condições futuras de alta concentração atmosférica, uma parceria entre pesquisadores da Unicamp com a USP. Mulheres na ciência No encerramento, Simone refletiu sobre a presença feminina na ciência: “Mulheres não precisam reproduzir comportamentos masculinos para serem reconhecidas.” Ela enfatizou a importância da empatia, das redes de apoio e de iniciativas lideradas por mulheres, além da necessidade de estarmos atentas à sobrecarga direcionada às mulheres, pois somos educadas para não colocarmos limites e não nos colocamos com a mesma segurança que a dos homens. Confira a palestra na íntegra:
- Nanotecnologia pode aumentar resistência das plantas a efeitos climáticos
Por Emerson José Um recém-publicado artigo de revisão na revista científica ACS Ômega aponta um caminho promissor para uma agricultura mais sustentável e resistente ao clima ao integrar nanotecnologia, hormônios vegetais e microrganismos benéficos. O artigo de nome “Integrando a tríade nano-fito-micro para uma agricultura sustentável e resiliente às mudanças climáticas” conta com a participação de pesquisadores da Unesp e do exterior. Os pesquisadores demonstram que as nanopartículas podem servir como transportadoras de hormônios vegetais e substâncias bioativas, liberando esses compostos de forma direcionada nas raízes das plantas. Em paralelo, bactérias promotoras de crescimento (plant growth-promoting rhizobacteria, PGPR) são usadas para reforçar o estado geral de funcionamento, vitalidade e integridade das raízes de uma planta, aumentar a absorção de nutrientes e ajudar a planta a suportar estresses ambientais (como seca, altas temperaturas etc.). A união desses três componentes gera sinergias que potencializam a entrega de moléculas reguladoras nas plantas, enquanto os microrganismos ajudam a manter a microbiota do solo ativa e funcional, promovendo crescimento mais saudável e resistente ao estresse ambiental, como, por exemplo: períodos mais longos de seca, variações de temperatura e solo degradado. “A ação dos microrganismos varia significativamente conforme o tipo de solo e as condições climáticas. O artigo apresenta uma descrição de estudos que demonstram que o desempenho dos microrganismos benéficos depende fortemente das condições ambientais”, afirma o pesquisador Leonardo Fraceto, professor do Instituto de Ciência e Tecnologia do Câmpus de Sorocaba da Unesp, coordenador do INCT NanoAgro (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável) e Coordenador de Inovação do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas). A combinação de nanotecnologia, hormônios vegetais e microrganismos cria um efeito sinérgico capaz de melhorar o desempenho das plantas, mesmo sob seca, calor ou em solos com baixa fertilidade. Para além do impacto imediato, o modelo abre espaço para novas pesquisas, como testar diferentes composições de nanopartículas, selecionar microrganismos mais eficientes para cada cultura e avaliar a adaptação da tecnologia a sistemas agrícolas específicos, tendo em vista os desafios da agricultura diante dos efeitos das mudanças climáticas. Embora promissora, a estratégia é analisada criticamente, o que evidencia a necessidade de mais estudos, validações em condições de campo e de estresse, bem como formas de transformá-la em um modelo de negócios. Ademais, o professor Leonardo acrescenta que “o modelo da tríade nano-fito-micro tem grande potencial para reduzir significativamente o uso de fertilizantes e pesticidas. O artigo apresenta múltiplas evidências e mecanismos pelos quais essa integração pode reduzir a dependência de insumos químicos convencionais”. O artigo científico pode ser lido na íntegra em: https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c07151
- Participação do CBioClima em painel durante a COP30 reforçou o papel estratégico da ciência no enfrentamento da crise climática
Por: Gabriela Andrietta O Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima), sediado na UNESP de Rio Claro, marcou presença na Estação AMAZÔNIA SEMPRE , uma iniciativa realizada durante a COP30, pelo Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID), por meio do programa regional Amazônia Sempre , em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). De 8 a 21 de novembro, em Belém, a Estação AMAZÔNIA SEMPRE reuniu uma programação dinâmica, realizada com uma ampla rede de organizações selecionadas por chamada pública. O espaço foi concebido para promover diálogos inclusivos e transformadores sobre o futuro da Amazônia durante a conferência, destacando temas urgentes como biodiversidade, mudanças climáticas, bioeconomia e justiça socioambiental. A estação colaborativa sediou mais de 120 eventos , reunindo representantes dos oito países amazônicos e mais de 50 parceiros . A participação da UNESP em dois painéis da Estação AMAZÔNIA SEMPRE foi articulada pelo professor Newton La Scala Júnior , que lidera o Escritório de Sustentabilidade da universidade e também é um pesquisador associado ao CBioClima. O CBioClima participou da concepção e dos debates do painel “Conectando o Monitoramento da Biodiversidade às Mudanças Climáticas em Ecossistemas Tropicais” , realizado em 9 de novembro , no auditório do Museu Goeldi. Moderada por Hugo Fernandes (Universidade Estadual do Ceará), a mesa discutiu o papel central dos sistemas de monitoramento ecológico , das séries temporais e das redes de pesquisa para a construção de respostas eficazes à crise climática em ecossistemas tropicais, regiões que abrigam grande parte da biodiversidade do planeta, mas que também enfrentam grandes riscos de degradação ambiental. Representando o Centro, participaram a Professora Dra. Patrícia Morellato , Diretora do Centro, e o Prof. Dr. Mauro Galetti , Coordenador de Difusão, ambos da UNESP. O painel contou ainda com a presença de Alexandre Aleixo (ITV) e Mariana Vale (UFRJ). Ao final do simpósio, ocorreu uma sessão de autógrafos do livro Um Naturalista no Antropoceno , de Mauro Galetti — obra que aproxima ciência e narrativa pessoal ao refletir sobre os impactos humanos na natureza. Além de articular a participação institucional da UNESP na COP30, Newton La Scala Júnior conduziu o painel “Ações de Sustentabilidade nas Universidades: O que fazer pós-COP30?” , realizado em 17 de novembro de 2025 , também na Estação AMAZÔNIA SEMPRE. O evento discutiu o papel das universidades como centros formadores de profissionais preparados para enfrentar os desafios climáticos do futuro e destacou a necessidade de implementar ações concretas de sustentabilidade social, econômica e ambiental. As instituições foram apresentadas como “pequenas cidades” , que devem liderar pelo exemplo ao adotar medidas internas de descarbonização e adaptação. O debate também abordou desafios específicos de sustentabilidade em diferentes biomas, especialmente na Amazônia, e o potencial da bioeconomia para impulsionar o desenvolvimento regional. Newton destacou que “quem defende a ciência merece todo o nosso respeito” , reconhecendo a dedicação das equipes envolvidas na construção da Estação AMAZÔNIA SEMPRE e no fortalecimento da participação institucional da UNESP na COP30. A participação da Unesp na COP30 reforçou o papel das universidades como agentes transformadores da sociedade , integrando ensino, pesquisa, extensão e gestão sustentável.
- Professor da Unesp está entre os cientistas mais influentes do mundo, segundo ranking da Clarivate Analytics
Por Michelle Braz Mauro Galetti no seu laboratório, o Labic, no câmpus da Unesp de Rio Claro. Imagem: Emerson José
- Patrícia Morellato inicia o Ciclo de debates “Diversidade em Foco”
Por: Gabriela Andrietta No dia 5 de novembro, aconteceu a primeira palestra do 1º Ciclo de Debates – Diversidade em Foco: Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas, no Instituto de Biologia da Unicamp. O evento é uma iniciativa da professora Dra. Clarisse Palma da Silva, Coordenadora da Diretoria de Equidade, Diversidade e Inclusão do Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima, o CBioClima . "O ciclo tem como proposta promover uma reflexão sobre a importância da diversidade de saberes e experiências na construção de soluções para a crise climática, reunindo pesquisadoras, pesquisadores e lideranças sociais em um diálogo plural e interdisciplinar sobre biodiversidade, mudanças climáticas, equidade, diversidade e inclusão. As palestras ocorrerão quinzenalmente, e o objetivo é valorizar tanto as contribuições acadêmicas quanto as trajetórias pessoais e profissionais dos participantes”, explicou Clarisse. O evento busca promover a integração entre a trajetória pessoal e a produção científica dos participantes: “A proposta do ciclo é que as pessoas cruzem o depoimento pessoal da construção da carreira com a temática das mudanças climáticas. A ideia é que cada pessoa traga um olhar que una a experiência de vida com o que estuda”, complementou a Dra. Carolina Medeiros, co-organizadora do Ciclo. Durante a abertura, Clarisse destacou a importância de iniciar o ciclo com a presença da Diretora do CBioClima, Dra. Patrícia Morellato, professora titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em fenologia e ecologia temporal da vegetação tropical. Formada em Ciências Biológicas pela USP, com mestrado e doutorado pela Unicamp, Patrícia construiu uma carreira marcada pela excelência científica e atualmente dedica-se a compreender como as mudanças climáticas globais afetam os ciclos de crescimento e reprodução das plantas, integrando estudos de ecologia, evolução e biodiversidade. Com mais de 170 artigos publicados, capítulos de livros e um livro premiado com o Prêmio Jabuti, Patrícia também tem se destacado pela aplicação de tecnologias em seus estudos, como câmeras fenológicas, drones e sensoriamento remoto. Atualmente, coordena um CEPID ( Centro de Inovação, Pesquisa e Difusão) da FAPESP, sendo uma das poucas mulheres a liderar um centro de pesquisa desse porte no país. Na graduação, ela se apaixonou pelas plantas e pela botânica e se encantou pela ecologia vegetal. Ao longo da sua trajetória acadêmica, evoluiu no estudo da fenologia. “Aceitei as tarefas e aprendi a me organizar para ter tempo de fazer pesquisa”, relatou, destacando que encarar desafios pode transformar dificuldades em oportunidades. Ela destacou a importância de buscar oportunidades e conseguir recursos para viabilizar as pesquisas. Após o doutorado, Patrícia realizou um pós-doutorado nos Estados Unidos, estudando a reprodução de plantas. A experiência internacional é, segundo ela, muito importante para conhecer outras culturas e ampliar o olhar. Foi também nesse período que começou a explorar as novas tecnologias de observação, como o uso de fenocâmeras e sensores remotos para monitorar os ciclos da vegetação, uma abordagem pioneira no Brasil. Na estruturação do CBioClima, convidou a professora Clarisse Palma da Silva para coordenar a área de Igualdade, Diversidade e Inclusão, reforçando seu compromisso com uma ciência mais diversa e colaborativa. “Aprendemos pelo exemplo. Quando uma mulher ocupa espaços e compartilha experiências, abre caminho para outras”, afirmou. Patrícia encerrou a palestra apresentando os desafios e resultados do CEPID, CBioClima, incentivando estudantes e jovens cientistas a olharem a carreira como um campo de oportunidades e lembrando que a pesquisa científica é também uma construção coletiva: “É um grupo que cresce junto, criando infraestrutura, enfrentando desafios e aprendendo a fazer ciência com propósito.” O público destacou o impacto e a inspiração proporcionados por sua palestra. Segundo Drielli Canal, pós-doutoranda do Instituto de Biologia da Unicamp, “A palestra da professora Patrícia Morellato foi inspiradora. Ela não romantizou a sua jornada, detalhou o peso duplo da cobrança — ser uma pesquisadora de referência mundial e ainda ser mãe. O mais valioso foi perceber as barreiras que ela enfrentou e sua resiliência. Ela também expôs as assimetrias do sistema acadêmico que ainda tornam esse ambiente hostil para mulheres, especialmente para uma cientista brasileira em busca de reconhecimento internacional. Mas mostrou que é possível, apesar dos obstáculos, produzir ciência de qualidade e nos inspirou com sua trajetória a buscar níveis de excelência cada vez maiores.” A professora Luciana Bolsoni Lourenço Morandini, do Instituto de Biologia da Unicamp, ressaltou: “Ouvir o relato da Dra. Patrícia Morellato sobre a sua trajetória acadêmica foi muito inspirador. Com a sua fala acolhedora e demonstrando profundo conhecimento científico e liderança acadêmica, promoveu relevante reflexão sobre a importância de assumir novos desafios, de aproveitar oportunidades de trabalho e do papel das mulheres no cenário científico atual.” Os próximos encontros do ciclo “Diversidade em Foco” já têm as datas confirmadas. No dia 18/11/2025, a convidada será a professora doutora Simone Vieira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam/Unicamp). e Coordenadora da Pós Graduação em Ecologia do IB/Unicamp. E no dia 3/12/2025, o debate contará com a participação da professora doutora Leila Ferreira, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/Unicamp).
- Mudanças climáticas encurtam o período de floração e de frutificação de espécies do Cerrado
Por: Gabriela Andrietta Durante a COP30 , realizada em Belém (PA), as discussões sobre os desafios que envolvem as mudanças climáticas estão no centro dos debates, reforçando a importância da ciência para o entendimento de como os ecossistemas estão sendo impactados por essas transformações. Embora estudos que avaliam os efeitos das mudanças climáticas sobre as vegetações tropicais e sua fenologia ainda sejam escassos, pesquisas de longa duração possibilitam uma análise detalhada sobre as mudanças significativas na fenologia (época dos eventos recorrentes no ciclo de vida, como floração e frutificação) das plantas. Um estudo, realizado por pesquisadores da Unesp, revelou que as mudanças climáticas estão alterando o ritmo reprodutivo das plantas do Cerrado. Ao longo de 15 anos de observações mensais (2005–2019), os cientistas constataram que a duração do período de floração e frutificação das espécies diminuiu significativamente, especialmente entre aquelas que dependem de polinizadores, principalmente abelhas, para se reproduzir. O artigo "Climate-induced shifts in long-term tropical tree reproductive phenology: Insights from species dependent on and independent of biotic pollination” , publicado recentemente na revista Functional Ecology , analisou 31 espécies de árvores e arbustos do cerrado sensu stricto em uma área de vegetação nativa, em Itirapina (SP). O trabalho faz parte do Programa de Monitoramento Fenológico de Longa Duração do Cerrado, do Laboratório de Fenologia da Unesp Rio Claro, coordenado pela Profa Patricia Morellato, e é parte da tese de doutorado de Amanda Eburneo Martins. A professora da Unesp de Rio Claro e diretora do CEPID (Centro de Pesquisas em Biodiversidade e Mudanças do Clima), o CBioClima (Processo FAPESP número 2021/10639-5), Patrícia Morellato, explica que a fenologia deste projeto de longa duração é mais detalhada e complexa do que aqueles que usualmente são feitas em países temperados. Segundo ela, “a metodologia que usamos aqui nos trópicos é diferente daquela aplicada no hemisfério norte. Lá, eles utilizam o que chamam por exemplo de First Flower (primeira floração) e First Leaf Bud (primeiro aparecimento de um broto foliar). Eles simplesmente anotam essas ocorrências pontualmente não se tratando, na maioria dos casos, de indivíduos marcados. É apenas uma observação cronológica ao longo do ano. Obviamente, eles têm séries de muitas décadas, mas a fenologia que fazemos aqui é muito mais detalhada. Nós vamos ao campo pelo menos uma vez por mês e marcamos todas as fenofases: o primeiro botão, a flor aberta, o primeiro fruto verde, o fruto maduro, o primeiro broto foliar, a proporção de folhas novas, a produção de folhas e a queda delas. Ou seja, observamos muito mais fenofases e acompanhamos continuamente indivíduos marcados. Isso traz um detalhamento e uma sofisticação maior aos dados, embora, é claro, em áreas mais reduzidas. Por outro lado, esse tipo de acompanhamento permite uma análise mais consistente ao longo dos anos.” Esse estudo indica claramente que estamos observando respostas das plantas relacionadas às mudanças recentes no clima, como o aumento das temperaturas e ao prolongamento da estação seca, que está se tornando cada vez mais seca e mais longa, explica Patrícia. Segundo Amanda Eburneo Martins, primeira autora do artigo, "as espécies que dependem de animais para a polinização apresentaram redução no tempo de duração da floração ao longo dos 15 anos, em resposta à diminuição da precipitação. Já na frutificação, fase em que os frutos se desenvolvem e amadurecem, a duração diminuiu tanto em espécies dependentes quanto independentes de polinizadores, sendo afetada pelo aumento da temperatura média e pela redução da umidade relativa do ar." Essa diminuição ocorreu principalmente no final do período reprodutivo, já que as datas de início e de pico da floração e frutificação permaneceram estáveis. Isso indica que, embora as plantas continuem iniciando seu ciclo reprodutivo nas mesmas épocas do ano, estão florescendo e frutificando por menos tempo. "Com menos tempo de floração, há menor disponibilidade de recursos florais para os polinizadores destas espécies vegetais, como as abelhas. Da mesma forma, a redução na duração da frutificação pode comprometer o estabelecimento de novos indivíduos vegetais e diminuir os recursos alimentares para espécies frugívoras que se alimentam de frutos e dispersam sementes, o que pode afetar a regeneração das plantas e o equilíbrio do ecossistema do Cerrado.”, explica a autora. Outro resultado relevante é o declínio da co-floração — ou seja, da sobreposição de períodos de floração entre espécies diferentes. Esse padrão foi observado tanto em plantas dependentes quanto independentes de polinizadores. Como a maioria das espécies estudadas é polinizada por abelhas, a redução da co-floração pode aumentar a competição por parte dos polinizadores por plantas e por parte das plantas por polinizadores já que há menos flores disponíveis simultaneamente. Outra interpretação é que a redução de flores naquele período pode atrair menos abelhas, afetando potencialmente a reprodução das espécies. Apesar dessas mudanças, o estudo constata que o sucesso reprodutivo da comunidade permaneceu estável ao longo do período analisado, indicando que, até o momento, as espécies do Cerrado estudado demonstram certa resiliência frente às mudanças climáticas recentes. Essa resiliência pode estar relacionada a adaptações evolutivas antigas, desenvolvidas durante períodos climáticos extremos do passado, como as oscilações do Pleistoceno [período geológico que se estendeu de aproximadamente 2,6 milhões a 11,7 mil anos atrás, marcado por intensas mudanças climáticas] e que hoje podem conferir uma vantagem adaptativa diante das mudanças climáticas atuais. O Cerrado, em especial, é uma das regiões mais impactadas pelas transformações ambientais, marcada por uma intensa expansão agrícola, acrescenta Morellato. “Essa expansão avança em direção ao norte, formando o chamado ‘arco da devastação’, que representa a fronteira entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, na região central do Brasil. Por isso, é essencial compreender o que está acontecendo com o Cerrado e reconhecer sua importância em toda a sua área de distribuição.” De acordo com a pesquisadora, dados climáticos mais detalhados, integrados a informações sobre comunidades vegetais e animais, são o foco de um novo artigo que deve ser publicado em breve. Outros estudos também estão sendo desenvolvidos. “Estamos realizando análises semelhantes em outros tipos de florestas, como na Amazônica e campos nativos. Já temos séries de dados amazônicos ainda mais longas, e isso será extremamente relevante para compreender os efeitos das mudanças climáticas em diferentes biomas brasileiros." Ouratea spectabilis (espécie nativa do Cerrado) Crédito da fotos: Amanda Eburneo Martins.
- Cidade Azul: floração do jacarandá encanta visitantes no Parque do Ibirapuera
Por: Gabriela Andrietta O evento “Cidade Azul: floração do jacarandá” , realizado no último dia 8 de novembro , no Parque do Ibirapuera (SP) foi repleto de aprendizado e encantamento. A atividade, promovida pelo projeto Blue Jacaranda , supervisionado pela Profa. Dra. Patrícia Morellato, e organizada pela Dra. Maria Tereza Grombone Guaratini , pesquisadora associada ao CBioClima, e os estudantes de mestrado Leonardo Ganz e Thalita Surian, com apoio do CBioClima e do Urbia Parques , reuniu cerca de 50 participantes em um dia dedicado à observação e ao conhecimento das espécies de jacarandá que colorem as cidades brasileiras. Durante o dia, o público teve a oportunidade de conhecer de perto as principais espécies que ocorrem no Brasil — Jacaranda mimosifolia , Jacaranda cuspidifolia e Jacaranda brasiliana —, além de aprender a identificar suas fenofases , como brotação, floração e frutificação . O evento contou ainda com atividades lúdicas para crianças , como caça-palavras e desenhos para colorir , que despertaram o interesse dos pequenos pela natureza e pelo ciclo de vida das plantas. Ao final, muitos visitantes demonstraram curiosidade em conhecer de perto as árvores observadas, caminhando pelo parque para ver onde os jacarandás estão localizados e observar suas flores e folhas. Entre os participantes, o sentimento era de descoberta e encantamento com a relação entre as plantas e o clima. A professora de ioga e moradora da região, Daniele Gomes , destacou a importância da iniciativa: “Eu achei que era pra conhecer sobre a árvore, mas vi que é muito mais completo, porque é um projeto ligado ao clima. Tem esse olhar que relaciona a planta ao conhecimento climático, pra fazer previsões. Achei incrível, muitas novas informações, muito bonito.” O evento reforçou a conexão entre ciência, natureza e participação da sociedade , mostrando como a observação das árvores pode contribuir para a compreensão das mudanças climáticas e o engajamento da comunidade na pesquisa científica.
- Mauro Galetti participa da Agenda SP + Verde
Painel discutiu a força da fauna e da ciência brasileiras como pilares de soluções climáticas sustentáveis Por Michelle Braz O papel fundamental da fauna brasileira na construção de soluções climáticas e sociais sustentáveis foi o tema central do painel “A Vida que Persiste: Fauna e Resiliência”, realizado na última terça-feira, 4 de novembro, durante a Agenda SP + Verde, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O evento internacional, promovido pelo governo e pela cidade de São Paulo em parceria com a USP (Universidade de São Paulo), reuniu especialistas, líderes e representantes da sociedade para discutir caminhos para o desenvolvimento sustentável e a economia verde. O painel contou com a participação de Mauro Galetti, coordenador de Disseminação do CBioClima. O cientista abordou como a diminuição de espécies e populações afeta os processos ecológicos e influencia diretamente o clima, destacando a urgência de ações integradas para conter a perda de biodiversidade. “O evento foi um bom kick-off para o que será discutido na COP em Belém. Empresas, setor público, cientistas e ONGs estão abertos à troca de experiências para reduzir as emissões de carbono. Todos sabem que a mudança climática é real”, enfatizou Galetti. A Agenda SP + Verde, um evento pré-COP, contou com diversas atrações, promovendo a integração entre sociedade, ciência, empresas e autoridades públicas. O encontro foi organizado em quatro áreas temáticas: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade, além de Transição Energética e Descarbonização. Dessa forma, o evento proporcionou debates sobre economia circular, pesquisa e tecnologia, essenciais para enfrentar os desafios climáticos em escala local e global.
- Professor Maurício Bacci Júnior ministra palestra sobre a importância da biodiversidade no VIII Encontro dos grupos PET Biologia
Por: Gabriela Andrietta No dia 25 de outubro, o professor Maurício Bacci Júnior, docente do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e vice-diretor do CBioClima, participou de uma atividade promovida pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Biologia da Unesp Rio Claro. A palestra, intitulada “A importância da biodiversidade e o papel dos biólogos”, abordou temas centrais sobre biodiverisidade e o papel da ciência na compreensão e mitigação dos desafios ambientais contemporâneos. Durante a apresentação, Bacci explicou conceitos fundamentais sobre biodiversidade, reforçando que compreendê-los é essencial para o avanço científico e para a formulação de políticas públicas de conservação. Ele lembrou que a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) estabelece princípios essenciais para a preservação e uso sustentável dos recursos naturais, e "promove o uso sustentável da biodiversidade, garantindo que os recursos naturais sejam utilizados de maneira a não comprometer a sua integridade, assim como assegura a repatriação justa dos benefícios derivados da utilização de recursos biológicos." Ao tratar dos impactos sobre a biodiversidade, o professor destacou o papel central dos micro-organismos. Apresentou imagens da imensa diversidade microbiana presente em cada pessoa, explicando que somos ecossistemas complexos, compostos não apenas por nossas células, mas também por uma vasta “floresta microbiana”. Essa diversidade influencia diretamente a saúde dos ecossistemas, a produtividade agrícola e a resiliência ambiental. Ele destacou que existem micro-organismos benéficos e nocivos, e que sempre que a biodiversidade microbiana cai, os sistemas ficam mais vulneráveis e suscetíveis a organismos que podem causar prejuízos. O professor apresentou como o laboratório de Biologia Molecular produz pesquisas e projetos práticos sobre produtividade do solo, saúde das abelhas, formigas e outros micro-organismos. As iniciativas envolvem estudos com camarões, polinização, controle biológico e interação entre espécies, oferecendo oportunidades para que os alunos se tornem agentes da mudança ambiental , aplicando ciência para resolver problemas reais. Bacci também apresentou sequenciadores de DNA e aparelhos capazes de gerar gráficos de diversidade microbiana. A tecnologia permite diagnósticos precisos da biodiversidade em solos, plantas e organismos, demonstrando como a ciência oferece ferramentas estratégicas para conservar ecossistemas e apoiar a produção de alimentos sustentáveis. Ele destacou que solos saudáveis e biodiversos aumentam a produtividade agrícola e que a ação de formigas contribui para a ciclagem de nutrientes e fertilidade do solo. O professor destacou ainda que o CBioClima atua em diversas dimensões da biodiversidade e das mudanças do clima , envolvendo estudos em plantas, animais, solos e ecossistemas aquáticos. Na palestra, a discussão se concentrou na dimensão microbiana , mostrando como os micro-organismos influenciam a saúde dos ecossistemas, a produtividade agrícola e a resiliência ambiental. Outro ponto abordado foi o conceito de Saúde Única, no qual a saúde humana depende da saúde do ambiente e da qualidade dos alimentos. Sistemas agrícolas sustentáveis, biodiversidade rica e ecossistemas equilibrados são essenciais para garantir saúde ambiental, social e econômica. O professor também refletiu sobre educação e conscientização , destacando nosso papel na sociedade como biólogos e cidadãos. Ele explicou que a ciência exige tempo, planejamento e rigor metodológico, e que a produção de conhecimento científico não acontece de forma instantânea. Em contraste, informações falsas se propagam rapidamente e demandam muito menos tempo . Bacci reforçou o papel dos estudantes do PET de Biologia como embaixadores da Biologia, que devem agir como agentes de conscientização . Eles devem comunicar a ciência de forma clara e fundamentada, em bases científicas sólidas , para que suas opiniões sejam críveis, e combatam a desinformação. A biodiversidade é uma base da saúde e do bem-estar humano, e sua preservação é essencial para um futuro sustentável. Os estudantes do PET Biologia tiveram oportunidade de dialogar sobre ciência, comunicação e os desafios da pesquisa no Brasil. A atividade integra ações de ensino, pesquisa e extensão do grupo, promovendo reflexão crítica sobre o papel do biólogo na sociedade contemporânea.












