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- Delegação francesa visita o CBioClima para estreitar parcerias em pesquisa
Por Emerson José O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) recebeu, na tarde desta terça-feira (25), uma delegação francesa interessada em conhecer as pesquisas, projetos e iniciativas desenvolvidos pelo Centro nas áreas de biodiversidade e mudanças climáticas. A delegação foi formada por Anne Nathalie Volkoff, diretora de Pesquisa do INRAE (Institut National de Recherche pour l'Agriculture, l'Alimentation et l'Environnement), instituição francesa dedicada à pesquisa nas áreas de agricultura, alimentação e meio ambiente, e Marion Magnan, adida científica do Consulado Geral da França em São Paulo. Elas foram recebidas pelo professor Vitor Miranda, que é o Coordenador de Internacionalização do CBioClima, e Mariana Lyra, pesquisadora do Centro. O encontro possibilitou a troca de informações sobre linhas de pesquisa e perspectivas de cooperação científica internacional. As representantes do INRAE também visitaram vários outros laboratórios no câmpus da UNESP de Rio Claro nesta terça-feira (25). Amanhã (26), elas passarão o dia conhecendo projetos no campus da UNESP de Botucatu.
- Palestra com pesquisadora associada ao CBioClima orienta câmpus da UNESP sobre prevenção de acidentes com animais peçonhentos
Por Emerson José As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) do Instituto de Biociências e do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da UNESP de Rio Claro organizaram uma palestra na tarde desta terça-feira (25) sobre animais peçonhentos. A atividade lotou o Anfiteatro II do IB com a participação de técnicos, alunos e demais integrantes da comunidade universitária, como as trabalhadoras da limpeza, que circulam entre as unidades do câmpus. A palestra foi conduzida pela professora Dra. Thaís Barreto Guedes da Costa, pesquisadora associada ao CBioClima, e pelo professor Dr. José Paulo Leite Guadanucci, especialistas que compartilharam informações sobre diferentes grupos de animais peçonhentos e os cuidados necessários para evitar acidentes. Os participantes puderam conhecer melhor os animais que podem ser encontrados em áreas naturais ou próximas às edificações da universidade, além de receber orientações sobre como agir diante de um possível encontro com esses animais a fim de evitar situações de risco.
- CBioClima participa do XX Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal
Por Emerson José A diretora do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) Patrícia Morellato, o coordenador de Inovação do Centro, Leonardo Fraceto, e a professora da UNESP de Rio Claro e pesquisadora associada ao CBioClima, Neidiquele Silveira, e sua equipe participam esta semana do XX Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal, que ocorre em Juazeiro, na Bahia. O encontro marca os 40 anos da Sociedade Brasileira de Fisiologia Vegetal (SBFV), reunindo pesquisadores, professores e estudantes para discutir avanços e desafios relacionados desenvolvimento e adaptação das plantas às mudanças ambientais. Patrícia Morellato palestrou sobre fenologia, mudanças climáticas e eventos extremos, abordando como as alterações ambientais podem modificar os ciclos naturais das plantas e quais são os possíveis impactos dessas mudanças sobre os ecossistemas. A participação de Leonardo Fraceto reforça a presença do CBioClima nas discussões sobre inovação e desenvolvimento de soluções científicas relacionadas aos desafios ambientais. Já a presença de Neidiquele Silveira amplia a participação do Centro nas discussões sobre fisiologia vegetal e respostas das plantas às mudanças ambientais. * As imagens foram disponibilizadas pelo @xx_cbfv
- CBioClima recebe pesquisador internacional na UNESP de Rio Claro
Por Emerson José O CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) convida toda a comunidade unespiana para a palestra do biólogo e evolucionista Sebastian Kirchhof, na próxima quinta-feira (27), às 13h, no auditório da Biblioteca do câmpus de Rio Claro da UNESP.Curador de Zoologia do Museu de História Natural de Abu Dhabi (NHMAD), Sebastian Kirchhof é biólogo evolucionista, taxonomista, ecólogo e conservacionista da natureza. Doutor em Biologia pela Universidade Humboldt, o pesquisador estudou a dinâmica da diversidade de lagartos africanos em um contexto de mudanças climáticas, durante sua atuação no Museu de História Natural de Berlim, na Alemanha. Ele também foi pesquisador associado da NYU Abu Dhabi, onde investigou os fundamentos genômicos relacionados à variação de características e às mudanças evolutivas em répteis do deserto e anuros tropicais.Seu trabalho integra sistemática, ecologia e genômica para contribuir com estratégias mais eficazes de conservação da biodiversidade. Entre seus principais objetivos está a preservação da variabilidade genética da vida selvagem, utilizando coleções biológicas e técnicas de sequenciamento. 📅 Quando: quinta-feira, 27 ⏰ Horário: 13h 📍 Local: Auditório da Biblioteca – câmpus de Rio Claro da UNESP
- Seminários Charles Darwin promovem diálogo entre ciência e inovação
Por Emerson José O pesquisador Guilherme Wolff Bueno, do Aquário de Ideias da UNESP, participou dos Seminários Charles Darwin, terça-feira (18), em uma palestra que aproximou ciência, inovação e os desafios para a construção de soluções sustentáveis. O pesquisador já teve passagem pela Agência Unesp de Inovação (AUIN) e atua nas áreas de Aquicultura, Economia Circular, Bioeconomia e Inovação Tecnológica. Guilherme destacou a importância de transformar conhecimento e pesquisa em tecnologias, produtos e soluções capazes de gerar benefícios para a sociedade e reduzir impactos ambientais. O encontro reforça a proposta dos Seminários Charles Darwin de criar espaços para o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e estimular a reflexão sobre caminhos inovadores para enfrentar os desafios ambientais e sociais da atualidade, neste caso, por meio da aproximação entre universidade, pesquisa e inovação. Os Seminários Charles Darwin são uma iniciativa do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima). A palestra do professor Guilherme será disponibilizará em breve no nosso canal no Youtube. O próximo pesquisador a se apresentar nos Seminários será Tiago Santana Balbuena no dia 29 de setembro, às 13h, no anfiteatro II do IB da Unesp de Rio Claro.
- Projeto MISMATCH apresenta resultados de pesquisa sobre mudanças climáticas e polinização em reunião do CNPq
Por Emerson José A reunião de avaliação final dos projetos contemplados pela Chamada CNPq/MCTI/Associação A.B.E.L.H.A. nº 27/2021 foi realizada nos dias 11 e 12 de agosto de 2026, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília (DF). O encontro reuniu os responsáveis pelos 10 projetos selecionados pela chamada, que apresentaram os principais resultados das pesquisas. Lançada em 2021, a iniciativa é uma construção do CNPq, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.). A chamada teve como objetivo impulsionar pesquisas, desenvolvimento tecnológico e inovação relacionados aos polinizadores, incluindo estudos sobre biodiversidade, serviços de polinização e desenvolvimento de produtos e serviços associados. Coordenado pela professora Patrícia Morellato do câmpus de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o projeto “MISMATCH: Padrões de floração, mudanças do clima e assincronias temporais entre flores e polinizador: implicações na polinização por abelhas e serviços ecossistêmicos em ecossistemas tropicais” investigou como alterações no clima podem interferir na relação temporal entre a floração das plantas e a atividade dos polinizadores. A pesquisa contou com a participação dos professores Maurício Bacci e Milene Ferro, ambos também da UNESP, além de colaboradores da Universidade de Sevilha, na Espanha; da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina; da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). A equipe também envolveu técnicos, estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores em nível de pós-doutorado. O projeto apresentou resultados que ampliam o conhecimento sobre as relações entre mudanças climáticas, floração, polinizadores e serviços ecossistêmicos. Entre os resultados apresentados na reunião final estão mais de 10 artigos científicos publicados, além de novos trabalhos que estão em preparação e deverão ser submetidos para publicação. Professoras Milene Ferro e Patricia Morellato na sede do CNPq, em Brasília.
- I Simpósio EcoEvoBio promove encontros e debates sobre ecologia e biodiversidade
Por Emerson José Começou nesta sexta-feira (14) o I Simpósio EcoEvoBio, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UNESP de Rio Claro. O evento segue neste sábado (15), com uma programação que reúne palestras, mesa-redonda, minicursos, apresentações orais e atividades práticas. Organizado por estudantes da pós-graduação e jovens pesquisadoras associadas ao CBioClima, o simpósio conta com a orientação de Tadeu Siqueira, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Evolução e Biodiversidade do Instituto de Biociências da UNESP e coordenador de Integração do CBioClima. A programação começou com a palestra de Tadeu Siqueira, “Efeitos de eventos climáticos extremos em ecossistemas aquáticos”, tema que destaca os impactos das mudanças no clima sobre os ambientes de água doce. Na sequência, uma mesa-redonda aborda “Inteligência Artificial: desafios, oportunidades e perspectivas interdisciplinares”, promovendo o debate sobre o uso da tecnologia na ciência e suas possibilidades de integração entre diferentes áreas do conhecimento. Entre os minicursos desta sexta-feira está: “Da rede à ecologia: introdução aos morcegos e técnicas de amostragem”, uma das sete opções oferecidas pelo simpósio. No sábado, as atividades começam com a “Passarinhada com o Aves da Minha Rio Claro”. A programação continua ao longo do dia com palestras, apresentações orais e minicursos.
- Línguas e culturas indígenas ampliam o debate sobre diversidade e mudanças climáticas
Professora Ivana Pereira Ivo participou do ciclo Diversidade em Foco, promovido pelo CBioClima por meio da Diretoria de Diversidade, Equidade e Inclusão A diversidade dos povos indígenas brasileiros também se expressa na multiplicidade de línguas, culturas e formas de produzir conhecimento. Esse foi um dos pontos centrais da apresentação da professora Ivana Pereira Ivo, do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), durante o ciclo Diversidade em Foco – Saberes e Desafios diante das Mudanças Climáticas, que aconteceu no último dia 05 de agosto no Instituto de Biologia da Unicamp. Com a palestra “Povos, línguas e culturas indígenas: percursos e aprendizados”, Ivana Ivo destacou a necessidade de reconhecer a diversidade existente entre os povos indígenas, evitando tratá-los como um grupo homogêneo. Diferentes sociedades possuem diferentes culturas e línguas, que também são transformadas pelas relações estabelecidas entre os próprios povos e com as sociedades não indígenas. O contato entre línguas transforma os modos de falar Um dos exemplos apresentados por Ivana Ivo envolve o contato entre o Guarani e o espanhol, especialmente em regiões de fronteira. A pesquisadora mostrou como o encontro entre línguas pode provocar ajustes fonéticos e fonológicos, revelando que os falantes incorporam elementos de outros idiomas de acordo com as características de sua própria língua. Entre os fenômenos discutidos estão as chamadas epênteses — inserções de vogais em determinadas palavras — e ajustes relacionados ao ponto de articulação dos sons. A apresentação também aborda características fonológicas do Guarani-Mbyá na adaptação de palavras provenientes do espanhol. O contato linguístico também aparece no contexto de comunidades multilíngues. No Oiapoque, por exemplo, são mencionados povos como Karipuna, Galibi, Galibi Marworno e Palikur, que utilizam diferentes línguas em situações distintas, incluindo línguas indígenas, o Patuá, o português e o francês. Outro caso apresentado é o dos povos do Alto Rio Negro, região marcada por uma longa história de contato entre diferentes famílias linguísticas. Segundo o material apresentado, Tukano Oriental, Naduhup, Aruak e Tupi-Guarani convivem na região há pelo menos seis séculos. Aproximadamente 24 línguas são faladas nessa área, sendo 15 delas no Brasil. Nesse contexto, a diversidade linguística está relacionada também às relações sociais, aos modos de subsistência e às regras de casamento entre os diferentes povos. A apresentação destaca ainda distinções entre povos da floresta e povos dos rios e a existência de uma hierarquia social que ajuda a explicar o multilinguismo característico da região. Quando uma língua desaparece, o que se perde? A palestra também chamou atenção para outro aspecto fundamental: os processos de substituição linguística. Em diferentes contextos, o contato entre sociedades resultou na substituição de línguas indígenas pelo português. A apresentação cita como exemplos grupos indígenas do Nordeste brasileiro, como Pankaru, Payayá, Kiriri e Kaimbé. Diante desse cenário, iniciativas de retomada linguística podem recorrer a fontes históricas, possíveis memórias lexicais e outros registros que contribuam para recuperar conhecimentos relacionados às línguas. O caso dos Kiriri, na Bahia, é apresentado como exemplo desse tipo de iniciativa. A preservação e o fortalecimento das línguas indígenas, portanto, ultrapassam a questão estritamente linguística. As línguas são parte dos patrimônios culturais e dos modos pelos quais diferentes povos constroem, transmitem e compartilham seus conhecimentos. Protagonismo indígena e produção de conhecimento Ao final da apresentação, Ivana Ivo destacou a importância de repensar a forma como os povos indígenas são abordados pelas pesquisas. Um dos caminhos apontados é a busca pela não objetificação dos povos indígenas, associada à valorização de seu protagonismo na produção do conhecimento. Essa perspectiva também se relaciona à necessidade de políticas linguístico-educacionais capazes de considerar as especificidades de cada povo. Entre as ações destacadas estão a produção de materiais didáticos em línguas indígenas, a formação de professores indígenas e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento dessas línguas. Diversidade como parte do debate sobre o futuro Ao trazer para o Diversidade em Foco o debate sobre línguas e culturas indígenas, a apresentação amplia a compreensão sobre diversidade e sobre os diferentes conhecimentos que precisam estar presentes nas discussões sobre os desafios contemporâneos. Valorizar as línguas indígenas significa reconhecer a existência de diferentes sociedades, histórias, culturas e formas de produzir conhecimento. Também significa compreender que os impactos e desafios associados às transformações ambientais não podem ser dissociados das comunidades e dos territórios onde esses conhecimentos são produzidos e transmitidos. Nesse sentido, a discussão proposta por Ivana Ivo contribui para uma perspectiva de diversidade que não se limita à representação, mas envolve escuta, reconhecimento, protagonismo e fortalecimento dos saberes indígenas — elementos fundamentais para ampliar o diálogo sobre biodiversidade, mudanças climáticas e os diferentes caminhos para construir um futuro mais inclusivo. Confira a palestra na íntegra no Canal do Youtube do CBioClima: https://youtu.be/DHHyN9el0zM
- Pesquisadores do CBioClima são contemplados com Bolsas de Produtividade do CNPQ
Por Emerson José Os pesquisadores principais do CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) Mauro Galetti Jr. (Unesp/IB - Rio Claro) e Leonardo Fraceto (Unesp/ICTS - Sorocaba) acabam de ser contemplados com Bolsas de Produtividade na Chamada nº 23/2025 do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Além deles, também foram contemplados no resultado final os pesquisadores associados ao CBioClima Antonio Maria Garcia Tommaselli (Unesp/FCT – Presidente Prudente), Elza Maria Guimarães Santos (Unesp/IBB - Botucatu), Juliana Silveira dos Santos (Unesp/IB - Rio Claro), Mathias Mistretta Pires (UNICAMP/IB - Departamento de Biologia Animal) e Paulo Roberto Guimarães Junior (USP/IB - Departamento de Ecologia). “É uma honra enorme estar entre os bolsistas de produtividade de pesquisa do CNPq”. É o que afirma o Coordenador de Disseminação do CBioClima, Mauro Galetti Jr. As Bolsas de Produtividade do CNPq são voltadas à valorização do trabalho científico e tecnológico e promovem o incremento da produção científica. Muitos outros pesquisadores do CBioClima, sediado na Unesp de Rio Claro, não submeteram proposta nesta chamada porque possuem bolsa vigente com prazo superior ao ciclo desta última. Professor Mauro Galetti, Coordenador de Disseminação do CBioClima, e docente contemplado com Bolsa Produtividade do CNPq.
- Abelhas e beija-flores garantem a reprodução de plantas símbolo dos campos rupestres
Por Emerson José Estudo recém-publicado na revista científica Annals of Botany revelou que abelhas e beija-flores desempenham papel fundamental na reprodução das espécies de canela-de-ema (Vellozia), um dos grupos de plantas mais característicos de formações montanhosas do Cerrado, os campos rupestres. O artigo revela que a presença de polinizadores garante a formação de sementes viáveis e a manutenção da diversidade genética das populações, embora várias espécies sejam capazes de produzir frutos por autofecundação. A pesquisa foi descrita no artigo Old lineage, new insights: phenology, pollination and reproductive traits of Vellozia species from cerrado savanna mountaintop grasslands. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Irene Gélvez-Zúñiga, com a participação da professora Patricia Morellato, ambas associadas ao CBioClima (Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima) e ao Instituto de Biociências da UNESP de Rio Claro, além de outros pesquisadores brasileiros e argentinos especializados em ecologia, fenologia e biologia reprodutiva de plantas. A pesquisa analisou 13 espécies de canela-de-ema encontradas nos campos rupestres da Serra do Cipó, uma das regiões com maior diversidade de espécies de plantas, em Minas Gerais, Brasil. O gênero Vellozia reúne cerca de 265 espécies distribuídas principalmente em áreas montanhosas brasileiras e constitui um dos componentes mais representativos dos campos rupestres. As flores das canelas-de-ema são geralmente grandes, vistosas e apresentam coloração que varia do branco ao roxo intenso. Além da aparência chamativa, elas possuem mecanismos que favorecem a polinização cruzada, processo em que o pólen é transferido entre indivíduos diferentes da mesma espécie, contribuindo para aumentar a variabilidade genética das populações. Para compreender a biologia reprodutiva das espécies, os cientistas acompanharam populações de Vellozia entre 2023 e 2025. Foram analisadas características da floração, morfologia das flores, sistemas de reprodução e a contribuição dos polinizadores para a produção de frutos e sementes. Os pesquisadores realizaram experimentos de polinização controlada, comparando flores polinizadas manualmente, flores expostas naturalmente aos visitantes e flores isoladas para impedir o acesso dos polinizadores. Também foram avaliadas a quantidade de sementes produzidas e sua capacidade de germinação. Para identificar os visitantes florais, foram utilizadas câmeras equipadas com sensores de movimento instaladas junto às plantas durante os períodos de floração. Os pesquisadores identificaram dois padrões principais de floração: espécies que produzem grandes quantidades de flores em curtos períodos, principalmente durante a estação chuvosa, entre outubro e fevereiro; e espécies que apresentam floração mais prolongada, ao longo dos meses mais secos. O estudo também registrou casos em que a floração foi estimulada pelo fogo. Em determinadas espécies, como Vellozia alata e Vellozia caruncularis, a produção de flores ocorreu poucas semanas após incêndios, indicando uma adaptação ecológica associada à dinâmica natural desses ambientes abertos do Cerrado. Os testes de reprodução mostraram que as espécies estudadas podem produzir frutos por autofecundação. No entanto, a reprodução bem-sucedida depende fortemente da ação dos polinizadores. Em sete das 11 espécies avaliadas nos experimentos reprodutivos não houve produção de frutos ou sementes quando os polinizadores foram excluídos. Quando alguns frutos eram produzidos sem a participação dos polinizadores, as sementes frequentemente apresentavam baixa qualidade ou não germinavam. Segundo os autores, isso demonstra que avaliar apenas a produção de frutos pode levar a conclusões equivocadas sobre o sucesso reprodutivo das plantas. Os principais polinizadores registrados foram os beija-flores Colibri serrirostris e Chlorostilbon lucidus e abelhas do gênero Trigona, abelhas sem ferrão do grupo Meliponini. A abelha-africanizada (Apis mellifera) também foi observada visitando diversas espécies. Os autores concluíram que, embora a autofecundação possa funcionar como uma estratégia de segurança em situações de escassez de polinizadores, a polinização cruzada continua sendo a principal forma de reprodução dessas plantas na natureza. A redução das populações de abelhas e beija-flores pode comprometer não apenas a produção de sementes, mas também a conectividade genética entre populações vegetais, reduzindo sua capacidade de adaptação a mudanças ambientais futuras. O campo rupestre vem sofrendo grandes ameaças a sua conservação mesmo sendo um ecossistema com grande importância na provisão de serviços ecossistêmicos (hídricos, beleza cênica etc.). Esses ecossistemas montanhosos são especialmente sensíveis aos aumentos das temperaturas, que são esperados para as próximas décadas devido às mudanças no clima, e vêm sofrendo graves transformações no uso da terra, com intervenções antrópicas como turismo desorganizado e mineração, entre outras ameaças. “O gênero Vellozia é considerado vulnerável às mudanças do clima porque engloba um grupo de plantas características dos campos rupestres. Nosso estudo inclui quatro espécies de Vellozia consideradas como ameaçadas ou quase ameaçadas: V. alata, V. albiflora, V. glabra e V. patens. Várias espécies são endêmicas ou apresentam distribuição restrita (em pequenas manchas). Contudo, nossos resultados apontam que devemos dar uma atenção redobrada à V. taxifolia, que é uma espécie que não tem capacidade de reprodução autônoma, pois é auto incompatível, e para a V. patens, que tem uma porcentagem de produção de frutos e sementes muito reduzida em condições naturais”, alerta Irene Gélvez-Zúñiga. Ademais, e considerando que o grupo de plantas do gênero Vellozia é diverso e com alto endemismo em ambientes de campo rupestre, o estudo tem implicações importantes para propor estratégias de conservação, voltadas para espécies endêmicas e/ou ameaçadas da flora do Cerrado. O estudo contou com financiamento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Projeto CEPID CBioClima #2021/10639-5) e pode ser lido na íntegra em: https://doi.org/10.1093/aob/mcag152. Canela-de-ema encontradas nos campos rupestres da Serra do Cipó Polinização por abelha e pesquisadora Irene Gélvez-Zúñiga em coleta de campo.
- Em Rio Claro, disciplina reúne aulas teóricas e práticas sobre Genoma e Biologia/DNA de Organelas
Por Emerson José Estudantes de pós-graduação da Unesp estão participando da disciplina Genoma e Biologia/DNA de Organelas, no câmpus de Rio Claro. A disciplina integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Biologia Celular, Molecular e Microbiologia) e reúne um corpo docente com ampla experiência em genômica, evolução e bioinformática. Ao longo do curso, os participantes têm acesso a uma programação que integra aulas teóricas e atividades práticas, proporcionando formação em ferramentas modernas de análise genômica. As atividades são conduzidas pelos professores Maurício Bacci Jr. (Instituto de Biociências da Unesp – Rio Claro), Vitor Fernandes Oliveira de Miranda (FCAV/Unesp – Jaboticabal) e Pepijn Kooij (Laboratório de Ecologia e Sistemática de Fungos (LESF) do Departamento de Biologia Geral e Aplicada do IB/Unesp e pesquisador associado ao CBioClima), com a participação dos pós-doutorandos Karine Felix Ribeiro, Alan Emanuel Cerqueira da Silva e Saura Rodrigues da Silva. Durante o curso, os docentes apresentam conceitos fundamentais, como: a montagem e anotação de genomas até análises filogenômicas, redação científica e interpretação de dados gerados por técnicas modernas de sequenciamento. A proposta da disciplina é estimular uma formação interdisciplinar, aproximando diferentes áreas do conhecimento e promovendo o intercâmbio entre programas de pós-graduação da Unesp. Aula de bioinformática com o professor Vitor Miranda, coordenador de internacionalização do CBioClima












